ÍCONES III
Antônio
Nóbrega reina absoluto no palcoNo palco, ele reina.
Pula, dança, canta, se contorce,
faz rir e chorar. O pernambucano
Antonio Nóbrega é um dos mais
completos e renomados artistas
brasileiros. A raiz do seu
trabalho é a cultura popular,
que ganha uma roupagem erudita,
sem perder o aspecto mambembe.
Nóbrega revive as loas e toadas
dos maracatus e caboclinhos, e os
frevos de antigamente.
No seu último
CD, Madeira Que Cupim Não Rói,
Nóbrega segue esta receita de
sucesso, revisitando ritmos
tradicionais e montando um
espetáculo, que é bem acolhido
pelo público e pela crítica
especializada. O artista foi um
dos poucos pernambucanos a
receber o prêmio cultural
Estadão, que escolhe os melhores
do Brasil.
Artista de
muitas facetas, Nóbrega faz nos
seus espetáculos um misto de
teatro, dança e música. Um dos
seus personagens mais conhecidos
é Tonheta, que já se tornou uma
espécie de alter ego do artista.
O contador de histórias, neto de
Pedro Malazarte e pai de João
Grilo (personagem do Auto da
Compadecida, peça de Ariano
Suassuna) é uma das suas
criações preferidas. A estréia
deste "peralta" no
palco foi em 1991, com o
espetáculo Figural, um dos
maiores sucessos da sua carreira.
O personagem segue em Brincante e
Segundas Histórias.
Nóbrega é
também um dos seguidores do
Movimento Armorial, criado pelo
escritor Ariano Suassuna, na
década de 70, e que defendia a
criação de uma cultura erudita
brasileira, baseada nas raízes
populares. O artista já foi
convidado para representar o
Brasil na Expo 98, maior feira
cultural do mundo, que acontece
este ano, em Lisboa.