ÍCONES IV
Teatro
pernambucano se orgulha de ter
Geninha em cena há 57 anosO teatro pernambucano
guarda uma das atrizes mais
velhas das artes cênicas
brasileiras. Maria Eugênia da
Rosa Borges, ou simplesmente,
Geninha da Rosa Borges, 76 anos,
já contabiliza 57 anos de palco.
A idade não assusta a artista,
que mostrou seu vigor no palco,
no ano passado, encenando a
opereta Bob & Bobete, de
Valdemar de Oliveira.
A carreira de
Geninha está ligada a um dos
mais tradicionais grupos do
Estado, o Teatro de Amadores de
Pernambuco (TAP), fundado em
1941, pelo médico e dramaturgo
Valdemar de Oliveira. Naquela
época, a participação das
mulheres era mal vista pela
sociedade brasileira, o que não
intimidou a artista.
Geninha é
contemporânea de algumas damas
do teatro brasileiro, como Bibi
Ferreira e Tônia Carrero, sua
amiga íntima. Na sua carreira, a
atriz relembra com carinho a
peça que ganhou do dramaturgo
Ariano Suassuna, escrita
especialmente para ela. Marido
Domado foi encenada na França,
em 1982. O texto é baseado no
clássico, A Megera Domada, de
Sheakespeare. Geninha também
participou do elenco de um dos
maiores sucessos de público do
teatro pernambucano, Sábado em
30, que ficou em cartaz, na
cidade, por quase 40 anos.
Um dos seus
papéis preferidos foi em Yerma,
de Garcia Lorca, onde ela fazia a
personagem-título. A peça, que
marcou sua carreira, foi encenada
em 1978. Mas foi em As Lágrimas
Amargas de Petra Von Kant, do
alemão Rainer Fasblinder, que
Geninha deu o que falar. Ela
interpretou a homossexual Petra,
que, em cena, beija a boca da
filha. Geninha assumiu este papel
aos 65 anos.