DIVERSIFICAÇÃO III
Cultura
negra é a essência do maracatuLigado à cultura negra,
o maracatu é uma das tradições
mais fortes da cultura
pernambucana. A festa de cores e
ritmos, tradicional no Carnaval,
é marcada por um batuque
irrepreensível formado pelo
gonguê, tarol, zabumba e tambor.
O ritmo é dividido em dois
estilos - baque virado e baque
solto - que se diferenciam pelas
influências e rituais. Esta
tradição só existe em
Pernambuco.
Mais urbano, o
maracatu de baque virado ou
nação surgiu a partir da
coroação dos Reis do Congo. As
canções e os personagens fazem
alusão a uma corte africana,
formada por rei, rainha,
príncipe, dama do paço,
porta-estandarte e lanceiros. O
destaque no ritmo são os
tambores.
O ritual negro
era seguido, no Brasil, pelos
escravos africanos. A palavra
maracatu provavelmente servia de
senha para anunciar a chegada dos
policiais, que reprimiam a
brincadeira. Mais suntuoso, o
figurino dos personagens do
maracatu nação segue a linha do
vestuário utilizado pela corte
portuguesa nos tempos coloniais.
Atualmente existem 16 grupos de
maracatu nação no Estado. O
mais antigo é Nação Elefante,
fundado em 1800.
Um dos maiores
representantes e divulgadores dos
maracatus de Pernambuco é o
mestre Salustiano, que atualmente
é diretor de Cultura Popular do
Governo do Estado. Fundador do
maracatu Piaba de Ouro, Salu,
como é conhecido, foi um dos
idealizadores de um centro para o
maracatu, o Ilumiara Zumbi, com
sede em Olinda.
O anfiteatro
abriga todos os grupos do Estado,
durante o Carnaval, e as sedes do
Nação Elefante e do Piaba de
Ouro. Na segunda-feira da folia,
os grupos se encontram no Pátio
do Terço para a Noite dos
Tambores Silenciosos, uma
homenagem aos negros que faziam
desfiles, na época da
escravidão. O ritual iniciou na
década de 60.
O maracatu de
baque virado tem origem na Zona
da Mata do Estado, na segunda
metade do século passado, e se
desenvolve com mais intensidade
nas cidades da zona canavieira. A
sua origem está ligada às
cambindas, festas onde os
canavieiros se vestiam de
mulheres e saíam desfilando
pelos canaviais para brincar o
Carnaval. Este tipo de maracatu
faz uma fusão de vários
folguedos populares como
caboclinho, cavalo-marinho,
pastoril, bumba-meu-boi e
coco-de-roda.