- - - -- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 04 de maio de 1998

DIVERSIFICAÇÃO III
Cultura negra é a essência do maracatu

Ligado à cultura negra, o maracatu é uma das tradições mais fortes da cultura pernambucana. A festa de cores e ritmos, tradicional no Carnaval, é marcada por um batuque irrepreensível formado pelo gonguê, tarol, zabumba e tambor. O ritmo é dividido em dois estilos - baque virado e baque solto - que se diferenciam pelas influências e rituais. Esta tradição só existe em Pernambuco.

Mais urbano, o maracatu de baque virado ou nação surgiu a partir da coroação dos Reis do Congo. As canções e os personagens fazem alusão a uma corte africana, formada por rei, rainha, príncipe, dama do paço, porta-estandarte e lanceiros. O destaque no ritmo são os tambores.

O ritual negro era seguido, no Brasil, pelos escravos africanos. A palavra maracatu provavelmente servia de senha para anunciar a chegada dos policiais, que reprimiam a brincadeira. Mais suntuoso, o figurino dos personagens do maracatu nação segue a linha do vestuário utilizado pela corte portuguesa nos tempos coloniais. Atualmente existem 16 grupos de maracatu nação no Estado. O mais antigo é Nação Elefante, fundado em 1800.

Um dos maiores representantes e divulgadores dos maracatus de Pernambuco é o mestre Salustiano, que atualmente é diretor de Cultura Popular do Governo do Estado. Fundador do maracatu Piaba de Ouro, Salu, como é conhecido, foi um dos idealizadores de um centro para o maracatu, o Ilumiara Zumbi, com sede em Olinda.

O anfiteatro abriga todos os grupos do Estado, durante o Carnaval, e as sedes do Nação Elefante e do Piaba de Ouro. Na segunda-feira da folia, os grupos se encontram no Pátio do Terço para a Noite dos Tambores Silenciosos, uma homenagem aos negros que faziam desfiles, na época da escravidão. O ritual iniciou na década de 60.

O maracatu de baque virado tem origem na Zona da Mata do Estado, na segunda metade do século passado, e se desenvolve com mais intensidade nas cidades da zona canavieira. A sua origem está ligada às cambindas, festas onde os canavieiros se vestiam de mulheres e saíam desfilando pelos canaviais para brincar o Carnaval. Este tipo de maracatu faz uma fusão de vários folguedos populares como caboclinho, cavalo-marinho, pastoril, bumba-meu-boi e coco-de-roda.


     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes