DIVERSIFICAÇÃO IV
Pés
descalços, beira da praia. É a
ciranda girando pra lá e pra cá"Para dançar
ciranda, juntamos mão com mão,
formando uma roda e cantando uma
canção". O verso de uma
ciranda popular traduz em poucas
palavras uma dos ritmos mais
característicos da cultura
pernambucana. Segundo a maioria
dos historiadores, a ciranda tem
origens em Portugal. O certo é
que a dança começou a se
desenvolver no Brasil, na cidade
de Goiana (interior de
Pernambuco), se transformando, em
seguida, em um ritmo
característico do litoral. A
praia é o lugar adequado para se
fazer uma roda e brincar, de
preferência, com os pés
descalços.
A ciranda é
comandada por um mestre ou
mestra, que tira os versos,
entoada por um surdo, tarol,
ganzá e sax, e um coro. Na roda,
homens e mulheres exercitam sua
sensualidade em círculos.
Uma das
cirandeiras mais conhecidas é
Maria Madalena Correia do
Nascimento, a Lia de Itamaracá,
54 anos. Ela começou a
"brincar" aos 12 anos,
na ilha onde nasceu.
"Ciranda acompanha as ondas
do mar, sempre com o pé
esquerdo", diz Lia. A
artista ganhou fama, na década
de 70, quando gravou o seu
primeiro LP, com os sucessos
Estava na Beira da Praia, Moça
Namoradeira, Eu Sou Lia e Pai
Baracho. Um dos versos mais
conhecidos do seu repertório diz
o seguinte: "Esta ciranda
quem me deu foi Lia, que mora na
ilha de Itamaracá. Estávamos na
beira da praia, ouvindo as
pancadas das ondas do
mar...".
Uma problema
com a produção do LP trouxe a
cirandeira de volta ao
ostracismo. Este ano, Lia voltou
aos palcos e participou do Abril
Pro Rock, um dos maiores
festivais da música pop
brasileira. Em maio, Lia grava
seu primeiro CD.