- - - -- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 04 de maio de 1998

DIVERSIFICAÇÃO IV
Pés descalços, beira da praia. É a ciranda girando pra lá e pra cá

"Para dançar ciranda, juntamos mão com mão, formando uma roda e cantando uma canção". O verso de uma ciranda popular traduz em poucas palavras uma dos ritmos mais característicos da cultura pernambucana. Segundo a maioria dos historiadores, a ciranda tem origens em Portugal. O certo é que a dança começou a se desenvolver no Brasil, na cidade de Goiana (interior de Pernambuco), se transformando, em seguida, em um ritmo característico do litoral. A praia é o lugar adequado para se fazer uma roda e brincar, de preferência, com os pés descalços.

A ciranda é comandada por um mestre ou mestra, que tira os versos, entoada por um surdo, tarol, ganzá e sax, e um coro. Na roda, homens e mulheres exercitam sua sensualidade em círculos.

Uma das cirandeiras mais conhecidas é Maria Madalena Correia do Nascimento, a Lia de Itamaracá, 54 anos. Ela começou a "brincar" aos 12 anos, na ilha onde nasceu. "Ciranda acompanha as ondas do mar, sempre com o pé esquerdo", diz Lia. A artista ganhou fama, na década de 70, quando gravou o seu primeiro LP, com os sucessos Estava na Beira da Praia, Moça Namoradeira, Eu Sou Lia e Pai Baracho. Um dos versos mais conhecidos do seu repertório diz o seguinte: "Esta ciranda quem me deu foi Lia, que mora na ilha de Itamaracá. Estávamos na beira da praia, ouvindo as pancadas das ondas do mar...".

Uma problema com a produção do LP trouxe a cirandeira de volta ao ostracismo. Este ano, Lia voltou aos palcos e participou do Abril Pro Rock, um dos maiores festivais da música pop brasileira. Em maio, Lia grava seu primeiro CD.


     

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