- - - -- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 04 de maio de 1998

DIVERSIFICAÇÃO V
Caldeirão de ritmos não deixa ninguém ficar parado

A colonização portuguesa e a presença dos negros e índios foram responsáveis pela formação deste caldeirão cultural de ritmos, que banha a cultura pernambucana. Xaxado, mamulengo, bacamarte, cavalo-marinho, caboclinho, bumba-meu-boi, pastoril e quadrilha são alguns dos principais folguedos, que ainda teimam em sobreviver em meio às adversidades econômicas. Boa parte destas "brincadeiras" está ligada aos ciclos junino e natalino. As exceções são o mamulengo e o caboclinho.

O ciclo junino é comemorado com muita festa no interior do Estado. As cidades preparam, com esmero, uma decoração especial para festejar o dia de São João, 24 de julho. É este espírito que abriga a quadrilha, o xaxado, o bacamarte, que têm em comum, apenas o ritmo, uma variação do forró embalado por sanfona, triângulo e zabumba.

A quadrilha, uma tradição da elite européia do século XVIII, transformou-se em dança popular no Brasil, através das comemorações dos casamentos entre matutos. Daí porque alguns personagens, como noivo, noiva, juiz, padre e padrinhos são essenciais ao cortejo. Os pares, no mínimo 16, são divididos em duas filas, frente à frente. Com coreografias ensaiadas, os dançarinos seguem o mestre que dita os passos. As músicas são, geralmente, instrumentais.

O xaxado e o bacamarte têm suas origens ligadas à guerra. O primeiro surgiu a partir dos cangaceiros de Lampião, um justiceiro que viveu no Nordeste no início da década. A dança era executada pelo seu bando para afrontar a polícia. Embalados pelo canto "parraxaxá" e vestidos de soldados de Lampião, os homens dançavam com seus rifles empinados, arrastando as sandálias (chamadas alpargatas) em um ritmo bem rápido. Atualmente, as mulheres também participam da dança.

Os bacamarteiros remontam da Guerra do Paraguai e, segundo estudiosos, são fruto da influência da vida militar no campo. Vestidos de cangaceiros ou com trajes que se assemelham a soldados, os homens desfilam portando bacamartes - armas de fogo de cano longo e grosso. As armas, com pólvora seca, são descarregadas durante a apresentação. O apego pela ordem militar também se verifica na formação dos grupos. O nome dos personagens segue a hierarquia dos batalhões. A tradição centenária se mantém viva no Agreste do Estado, principalmente na cidade de Caruaru.

O primeiro festejo do ciclo natalino é o pastoril. O folguedo revive o nascimento de Cristo, através de uma dança onde os principais personagens são as pastoras, que cantam em homenagem ao Menino Jesus. Dois grupos disputam a atenção do filho de Deus: o cordão encarnado (vermelho) e o cordão azul. Eles são mediados pela Diana, que mantém o equilíbrio do cortejo. Cada pastora leva à mão um pandeiro para animar os versos.

O bumba-meu-boi é bem conhecido nas regiões Norte e Nordeste do país. Em cada Estado, o folguedo ganha contornos locais. Em Pernambuco, o ponto alto da tradição é a morte e ressurreição do animal.


     

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