DIVERSIFICAÇÃO V
Caldeirão
de ritmos não deixa ninguém
ficar paradoA colonização
portuguesa e a presença dos
negros e índios foram
responsáveis pela formação
deste caldeirão cultural de
ritmos, que banha a cultura
pernambucana. Xaxado, mamulengo,
bacamarte, cavalo-marinho,
caboclinho, bumba-meu-boi,
pastoril e quadrilha são alguns
dos principais folguedos, que
ainda teimam em sobreviver em
meio às adversidades
econômicas. Boa parte destas
"brincadeiras" está
ligada aos ciclos junino e
natalino. As exceções são o
mamulengo e o caboclinho.
O ciclo junino
é comemorado com muita festa no
interior do Estado. As cidades
preparam, com esmero, uma
decoração especial para
festejar o dia de São João, 24
de julho. É este espírito que
abriga a quadrilha, o xaxado, o
bacamarte, que têm em comum,
apenas o ritmo, uma variação do
forró embalado por sanfona,
triângulo e zabumba.
A quadrilha,
uma tradição da elite européia
do século XVIII, transformou-se
em dança popular no Brasil,
através das comemorações dos
casamentos entre matutos. Daí
porque alguns personagens, como
noivo, noiva, juiz, padre e
padrinhos são essenciais ao
cortejo. Os pares, no mínimo 16,
são divididos em duas filas,
frente à frente. Com
coreografias ensaiadas, os
dançarinos seguem o mestre que
dita os passos. As músicas são,
geralmente, instrumentais.
O xaxado e o
bacamarte têm suas origens
ligadas à guerra. O primeiro
surgiu a partir dos cangaceiros
de Lampião, um justiceiro que
viveu no Nordeste no início da
década. A dança era executada
pelo seu bando para afrontar a
polícia. Embalados pelo canto
"parraxaxá" e vestidos
de soldados de Lampião, os
homens dançavam com seus rifles
empinados, arrastando as
sandálias (chamadas alpargatas)
em um ritmo bem rápido.
Atualmente, as mulheres também
participam da dança.
Os
bacamarteiros remontam da Guerra
do Paraguai e, segundo
estudiosos, são fruto da
influência da vida militar no
campo. Vestidos de cangaceiros ou
com trajes que se assemelham a
soldados, os homens desfilam
portando bacamartes - armas de
fogo de cano longo e grosso. As
armas, com pólvora seca, são
descarregadas durante a
apresentação. O apego pela
ordem militar também se verifica
na formação dos grupos. O nome
dos personagens segue a
hierarquia dos batalhões. A
tradição centenária se mantém
viva no Agreste do Estado,
principalmente na cidade de
Caruaru.
O primeiro
festejo do ciclo natalino é o
pastoril. O folguedo revive o
nascimento de Cristo, através de
uma dança onde os principais
personagens são as pastoras, que
cantam em homenagem ao Menino
Jesus. Dois grupos disputam a
atenção do filho de Deus: o
cordão encarnado (vermelho) e o
cordão azul. Eles são mediados
pela Diana, que mantém o
equilíbrio do cortejo. Cada
pastora leva à mão um pandeiro
para animar os versos.
O bumba-meu-boi
é bem conhecido nas regiões
Norte e Nordeste do país. Em
cada Estado, o folguedo ganha
contornos locais. Em Pernambuco,
o ponto alto da tradição é a
morte e ressurreição do animal.