- - - -- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 04 de maio de 1998

CARUARU II
Museu do Barro reúne o que há de bom na cerâmica

No prédio da Fundação de Cultura de Caruaru, localizado no Pátio de Eventos Luiz Gonzaga, onde acontecem os festejos juninos, funciona o Museu do Barro - Espaço Zé Caboclo, um ponto de referência para os turistas que visitam a cidade, considerada o maior pólo ceramista das Américas. São quatro salas reservadas para exposições de peças em barro e um local permanente de pinturas de 18 artistas caruaruenses, cujo tema é o barro.

No museu, aquele que é o filho ilustre da cidade, o Mestre Vitalino, tem um espaço somente para ele. Na sala que leva seu nome podem ser vistas 67 peças do artista, entre elas, três réplicas de seu famoso Boi. Mas não é só. Quem visita o local tem acesso a vários momentos da vida do mestre do barro, através de 38 fotografias, algumas inéditas, que estão expostas no museu. Os instrumentos e as vestimentas utilizadas pela Banda de Pífanos Zabumba do Mestre Vitalino, que ele integrava, também compõem o acervo.

Os ceramistas do Alto do Moura também têm um local garantido para a exposição de seus trabalhos. Lá, a nova geração de ceramistas está lado a lado com artesãos da época de Vitalino. Peças como "Mané Pãozeiro", que deu fama ao Mestre Galdino, e "Nossa Senhora vestida de chita", de Zé Caboclo, dividem o espaço com quem hoje faz arte no Alto, a exemplo de Marliete Rodrigues, filha de Zé Caboclo, uma das ceramistas de maior expressão na atualidade, com suas miniaturas.

O acervo do colecionador pernambucano Abelardo Rodrigues, adquirido pelo governo do Estado em 1981 e cedido, em comodato, a Prefeitura Municipal de Caruaru, desde 1982, está numa sala que ganhou o nome do colecionador. Entre as raridades deste acervo encontra-se a primeira carranca feita por Ana de Petrolina. Peças do artesanato da cidade de Tracunhaém também estão expostas.

O Museu do Barro foi construído na década de 50, dentro das comemorações do Centenário de Caruaru. Ele foi inaugurado com o nome de Museu de Arte Popular de Caruaru e funcionava no centro da cidade, onde hoje é a Prefeitura. Na época, o Mestre Vitalino levou 250 peças a leilão no Rio de Janeiro e a renda, junto com algumas peças que sobraram, foram doadas para o Museu.

Mais tarde, em 1965, o então prefeito da cidade, Drayton Nejaim demoliu o Museu. Uma parte do acervo se quebrou e o restante desapareceu. Somente em 1973, o museu foi remontado na Casa de Cultura José Condé, mas tinha apenas algumas peças. Em 1988, o Museu de Arte Popular, que além do barro tinha no acervo peças em palha e couro foi desativado, surgindo então um espaço somente para o barro, que passou a funcionar no Espaço Cultural Tancredo Neves.

Quatro anos depois de inaugurado, a Fundarpe doou 1.332 peças aumentando significativamente o acervo do Museu. Apesar do trabalho, o museu foi demolido, pela segunda vez, em 1994, para a construção do Pátio de Eventos, onde hoje acontecem os festejos juninos da cidade. Este ano, a Prefeitura resolveu destinar um espaço só para o barro, surgindo então pela terceira vez, o Museu do Barro - Espaço Zé Caboclo.


     

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