CARUARU II
Museu
do Barro reúne o que há de bom
na cerâmicaNo prédio da Fundação
de Cultura de Caruaru, localizado
no Pátio de Eventos Luiz
Gonzaga, onde acontecem os
festejos juninos, funciona o
Museu do Barro - Espaço Zé
Caboclo, um ponto de referência
para os turistas que visitam a
cidade, considerada o maior pólo
ceramista das Américas. São
quatro salas reservadas para
exposições de peças em barro e
um local permanente de pinturas
de 18 artistas caruaruenses, cujo
tema é o barro.
No museu,
aquele que é o filho ilustre da
cidade, o Mestre Vitalino, tem um
espaço somente para ele. Na sala
que leva seu nome podem ser
vistas 67 peças do artista,
entre elas, três réplicas de
seu famoso Boi. Mas não é só.
Quem visita o local tem acesso a
vários momentos da vida do
mestre do barro, através de 38
fotografias, algumas inéditas,
que estão expostas no museu. Os
instrumentos e as vestimentas
utilizadas pela Banda de Pífanos
Zabumba do Mestre Vitalino, que
ele integrava, também compõem o
acervo.
Os ceramistas
do Alto do Moura também têm um
local garantido para a
exposição de seus trabalhos.
Lá, a nova geração de
ceramistas está lado a lado com
artesãos da época de Vitalino.
Peças como "Mané
Pãozeiro", que deu fama ao
Mestre Galdino, e "Nossa
Senhora vestida de chita",
de Zé Caboclo, dividem o espaço
com quem hoje faz arte no Alto, a
exemplo de Marliete Rodrigues,
filha de Zé Caboclo, uma das
ceramistas de maior expressão na
atualidade, com suas miniaturas.
O acervo do
colecionador pernambucano
Abelardo Rodrigues, adquirido
pelo governo do Estado em 1981 e
cedido, em comodato, a Prefeitura
Municipal de Caruaru, desde 1982,
está numa sala que ganhou o nome
do colecionador. Entre as
raridades deste acervo
encontra-se a primeira carranca
feita por Ana de Petrolina.
Peças do artesanato da cidade de
Tracunhaém também estão
expostas.
O Museu do
Barro foi construído na década
de 50, dentro das comemorações
do Centenário de Caruaru. Ele
foi inaugurado com o nome de
Museu de Arte Popular de Caruaru
e funcionava no centro da cidade,
onde hoje é a Prefeitura. Na
época, o Mestre Vitalino levou
250 peças a leilão no Rio de
Janeiro e a renda, junto com
algumas peças que sobraram,
foram doadas para o Museu.
Mais tarde, em
1965, o então prefeito da
cidade, Drayton Nejaim demoliu o
Museu. Uma parte do acervo se
quebrou e o restante desapareceu.
Somente em 1973, o museu foi
remontado na Casa de Cultura
José Condé, mas tinha apenas
algumas peças. Em 1988, o Museu
de Arte Popular, que além do
barro tinha no acervo peças em
palha e couro foi desativado,
surgindo então um espaço
somente para o barro, que passou
a funcionar no Espaço Cultural
Tancredo Neves.
Quatro anos
depois de inaugurado, a Fundarpe
doou 1.332 peças aumentando
significativamente o acervo do
Museu. Apesar do trabalho, o
museu foi demolido, pela segunda
vez, em 1994, para a construção
do Pátio de Eventos, onde hoje
acontecem os festejos juninos da
cidade. Este ano, a Prefeitura
resolveu destinar um espaço só
para o barro, surgindo então
pela terceira vez, o Museu do
Barro - Espaço Zé Caboclo.