CARUARU IV
Alto
do Moura é a vida dos artesãosHá sete quilômetros de
Caruaru, no povoado do Alto do
Moura, cerca de 500 artesãos
perpetuam a arte que fez a cidade
tornar-se conhecida mundialmente,
como o maior centro de Arte
Figurativa da América Latina. Em
cada casa, um artesão retrata no
barro o dia-a-dia do povo
nordestino, com suas crenças,
angústias e tradições.
Foi no Alto do
Moura, há 83 anos, que Vitalino
Pereira dos Santos, o mestre
Vitalino, começou timidamente
uma trajetória que mais tarde
lhe rendeu a denominação de
"maior expressão da
cerâmica popular
brasileira". Quase oito
décadas depois, os Vitalinos de
hoje reverenciam o Mestre e
utilizam o Alto do Moura como
local de moradia e trabalho.
Na pequena vila
quase todas as casas
comercializam peças de barro. A
arte foi passando de pai para
filho e depois para os netos. A
tradição de produzir louças
utilitárias com argila foi
trocada, graças a Vitalino, com
seus bois e bonecos, pela
cerâmica figurativa, que
predomina até hoje.
As peças que
seguem o estilo do mestre
Vitalino, onde são destacados os
motivos folclóricos e rurais,
como a "Banda de
Pífanos", "Os
Retirantes" e o
"Boi" são as mais
encontradas. Mas alguns
artesãos, como Manuel Galdino,
procuraram seguir um estilo
próprio e ganharam igualmente
fama. Falecido em 96, Galdino é
considerado um dos mais
importantes artesãos do Alto do
Moura. Suas peças são maiores
que a de outros ceramistas e
retratam figuras exóticas, meio
homem, meio bicho.
Da nova
geração de artesãos, um
destaque é Marliete Rodrigues,
que é filha de Zé Caboclo,
contemporâneo de Vitalino. No
trabalho de Marliete o que se
destaca é o tamanho das peças,
que geralmente medem 5cm.
MUSEUS No Alto
do Moura, dois museus são
paradas obrigatórias para quem
quer conhecer a história do
lugar. O primeiro deles é a Casa
Museu Mestre Vitalino.
Funcionando como museu desde 75,
o local onde o mestre morou
guarda algumas peças do
mobiliário do artista, além de
fotografias e objetos pessoais,
como a sua inseparável flauta.
Na casa, uma espécie de
memorial, o quarto filho do
Mestre do Barro, Severino
Vitalino produz peças que são
comercializadas no local. O museu
funciona de segunda a sábado, no
horário das 8hàs 12h e das 14h
às 18h e no domingo das 9h às
13h. A entrada é gratuita.
Além da Casa
Museu Mestre Vitalino, funciona
no Alto do Moura o Memorial
Galdino. Inaugurado em dezembro
de 96, o local guarda 29 peças
desse artesão e duas de Manoel
Bernardo. Também estão expostas
15 poesias, que Galdino fazia
para acompanhar as peças que ele
criava. Reportagens e fotografias
da trajetória de Galdino podem
ser encontradas no local, que
funciona de terça a sábado, das
9h às 12h e das 14h às 17h.