- - - -- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 04 de maio de 1998

CARUARU IV
Alto do Moura é a vida dos artesãos

Há sete quilômetros de Caruaru, no povoado do Alto do Moura, cerca de 500 artesãos perpetuam a arte que fez a cidade tornar-se conhecida mundialmente, como o maior centro de Arte Figurativa da América Latina. Em cada casa, um artesão retrata no barro o dia-a-dia do povo nordestino, com suas crenças, angústias e tradições.

Foi no Alto do Moura, há 83 anos, que Vitalino Pereira dos Santos, o mestre Vitalino, começou timidamente uma trajetória que mais tarde lhe rendeu a denominação de "maior expressão da cerâmica popular brasileira". Quase oito décadas depois, os Vitalinos de hoje reverenciam o Mestre e utilizam o Alto do Moura como local de moradia e trabalho.

Na pequena vila quase todas as casas comercializam peças de barro. A arte foi passando de pai para filho e depois para os netos. A tradição de produzir louças utilitárias com argila foi trocada, graças a Vitalino, com seus bois e bonecos, pela cerâmica figurativa, que predomina até hoje.

As peças que seguem o estilo do mestre Vitalino, onde são destacados os motivos folclóricos e rurais, como a "Banda de Pífanos", "Os Retirantes" e o "Boi" são as mais encontradas. Mas alguns artesãos, como Manuel Galdino, procuraram seguir um estilo próprio e ganharam igualmente fama. Falecido em 96, Galdino é considerado um dos mais importantes artesãos do Alto do Moura. Suas peças são maiores que a de outros ceramistas e retratam figuras exóticas, meio homem, meio bicho.

Da nova geração de artesãos, um destaque é Marliete Rodrigues, que é filha de Zé Caboclo, contemporâneo de Vitalino. No trabalho de Marliete o que se destaca é o tamanho das peças, que geralmente medem 5cm.

MUSEUS No Alto do Moura, dois museus são paradas obrigatórias para quem quer conhecer a história do lugar. O primeiro deles é a Casa Museu Mestre Vitalino. Funcionando como museu desde 75, o local onde o mestre morou guarda algumas peças do mobiliário do artista, além de fotografias e objetos pessoais, como a sua inseparável flauta. Na casa, uma espécie de memorial, o quarto filho do Mestre do Barro, Severino Vitalino produz peças que são comercializadas no local. O museu funciona de segunda a sábado, no horário das 8hàs 12h e das 14h às 18h e no domingo das 9h às 13h. A entrada é gratuita.

Além da Casa Museu Mestre Vitalino, funciona no Alto do Moura o Memorial Galdino. Inaugurado em dezembro de 96, o local guarda 29 peças desse artesão e duas de Manoel Bernardo. Também estão expostas 15 poesias, que Galdino fazia para acompanhar as peças que ele criava. Reportagens e fotografias da trajetória de Galdino podem ser encontradas no local, que funciona de terça a sábado, das 9h às 12h e das 14h às 17h.


     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes