- - - -- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 04 de maio de 1998

CIÊNCIA E MEIO AMBIENTE
Espaço aberto para pesquisa científica

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) é reconhecida como um dos principais pólos de pesquisa do país. No total, existem 164 grupos distribuídos nos nove centros que compõem a UFPE desenvolvendo projetos tanto de aplicação teórica quanto prática. Isto significa dizer que existem, aproximadamente, 3.722 pessoas, entre estudantes da graduação e da pós-graduação, professores e técnicos da Universidade trabalhando em áreas como Telemedicina, Tecnologia de Alimentos, Desenvolvimento Regional e Integração, Saúde do Idoso, Engenharia de Reatores, Física Atômica e Óptica Não Linear, Fontes Alternativas de Energia e Religiões Populares.

Os grupos vêm contribuindo ao longo dos últimos anos na melhoria da ciência e da qualidade de vida do nordestino e, em especial, do pernambucano. "Nossas pesquisas estão sempre primando pela qualidade de seu produto final", ressalta Roberto Coutinho, diretor de pós-graduação da Pró-reitoria de Pesquisas da UFPE.

Para auxiliar a locomoção das pessoas nas vias públicas, uma equipe do Departamento de Arquitetura e Urbanismo do Centro de Artes e Comunicação (CAC) desenvolveu um projeto sobre as barreiras arquitetônicas da cidade, como avenidas muito largas com poucas áreas de segurança para o pedestre e calçadas altas demais.

Também no CAC, está em funcionamento o Projeto Virtus, que é um laboratório de informações criado, no ano passado, com o objetivo de investigar, analisar e experimentar as possibilidades de percepção, representação, tratamento da informação e interfaces provocadas pela instalação do ambiente virtual telemático.

TECNOLOGIA - No Centro de Tecnologia e Geociências, um dos grandes projetos é o de Energia Eólica. O grupo comandado pelo professor Everaldo Feitosa está desenvolvendo sistemas de geração de energia de baixo custo. "Pretendemos contribuir com grandes indústrias, cidades e projetos de pequeno porte (turbinas para irrigação)", conta Feitosa. Em Fernando de Noronha, a equipe instalou a primeira turbina eólica da América Latina. Com isso, a Celpe (Companhia de Energia Elétrica de Pernambuco) chega a economizar 70 mil litros de diesel anualmente.

O Centro de Ciências Exatas e de Natureza é um dos mais atuantes do campus e, em 97, cinco de seus projetos (e os únicos do Nordeste) receberam uma verba no valor de R$ 3,18 milhões do Pronex, Programa de Apoio aos Grupos de Excelência, do Ministério da Ciência e Tecnologia. No Departamento de Informática do Centro, por exemplo, o Greco (Grupo de Engenharia da Computação) está prestes a colocar no mercado um painel capaz de ajudar na atividade de gerenciamento de enfermarias em hospitais. "Com esse sistema, será possível haver um controle maior do serviço de enfermarias, tendo em vista que ele permitirá um monitoramento remoto de leitos", explica o coordenador geral do projeto, Manuel Eusébio de Lima.

O projeto de Telemedicina apresenta-se como um dos principais não só do Centro de Ciências da Saúde como também de toda a Universidade. Com um orçamento de US$ 1 milhão, está previsto para ser implantado definitivamente no Estado no próximo ano e viabilizará a realização de consultas médicas via Internet. Para isso, a UFPE firmou convênio com as universidades da Georgia e do Kansas. A equipe responsável pela implantação do projeto pretende fazer também vídeo-conferências sobre doenças infecciosas tropicais como dengue, febre amarela e filariose, em parceria com outras universidades.

Na opinião do reitor da UFPE, Mozart Neves Ramos, as pesquisas vão ajudar a Universidade a entrar no ano 2000 com ainda mais qualidade. "Essas pesquisas se refletem na produção de novos conhecimentos para o novo século e a UFPE vem trabalhando para isso, mostrando que essa política vai ser predominante no mundo competitivo e globalizado em que vivemos".

INFOVIDA - Um grande banco de dados dos mais variados segmentos de saúde no Estado. Assim poderia ser definido, a grosso modo, o projeto Infovida que pretende fornecer para a população e profissionais de saúde informações que vão desde cursos e eventos até a realização de consultas, via internet. "Nossa meta é disponibilizar cada vez mais informações sobre saúde em Pernambuco", explica Magdala Novaes, coordenadora do Infovida. O projeto é uma iniciativa do Setor de Bioinformática do Laboratório Keizo Asami (LIKA), da UFPE, com o apoio da Rede Nacional de Pesquisas (RNP), Secretaria de Saúde do Estado e Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia (FACEPE).

Quem visitar o site www.na-rc.rnp.br/infovida vai descobrir, por exemplo, que só em 1995 Pernambuco teve confirmados 6.676 casos de dengue e 908 de cólera. 7.010 pessoas sofreram acidentes no ambiente de trabalho e 256 foram contaminadas com o HIV, em 96. Além dos indicadores epidemológicos, o Infovida traz mais oito categorias: Rede Assitêncial; Utilidade Pública; Educação, Ensino e Pesquisa; Serviços on Line; Organizadores de Saúde, Produtos para a Saúde; Previdência, Convênios e Seguros, mais uma sessão de links.

Para Magdala Novaes, o projeto também é importante por muitas razões. "Vamos discutir e validar o uso da Telemedicina no Estado, com o auxílio da Internet como ferramenta de apoio à prestação de serviços, principalmente, nas áreas rurais e mais carentes de Pernambuco". O benefício para as regiões mais distantes está no fato de que, por meio do Infovida, a pessoa saberá maiores informações sobre os hospitais, clínicas e profissionais de saúde de sua cidade. "Dessa forma, numa situação de emergência, ela evitará uma viagem desnecessária para o Recife, poupando dinheiro e tempo preciosos".

INFORMÁTICA - O Grupo de Computação Inteligente (GCI) do Departamento de Informática da UFPE, núcleo de excelência reconhecido em todo o mundo, vem desde a década de 70 colocando em prática projetos capazes de deixar um computador cada vez mais inteligente. Com aplicação direta para a resolução de alguns problemas do dia-a-dia, os estudos do grupo chamaram a atenção de instituições brasileiras como a Polícia Federal e a Marinha.

Entre as pesquisas da equipe estão a de reconhecimento de assinatura, que teve o apoio do Banco do Brasil. O projeto desenvolve um ambiente para automação bancária apto a disponibilizar assinaturas de um cliente em monitores de vídeo de qualquer agência interligada. A verificação da assinatura dos clientes é realizada por redes neurais com base nas características extraídas da assinatura. "No próprio caixa, o ambiente inteligente ajuda o funcionário a verificar a veracidade daquela assinatura", resume Edson Carvalho, coordenador do projeto.

Na mesma linha, está a pesquisa que se propõe a promover o reconhecimento de rostos humanos. O professor Edson explica que para isso são utilizadas técnicas de processamento de imagens, engenharia de software, além dos conceitos de redes neurais. "Uma fase é dividida em cinco partes que correspondem às características de entrada para o sistema de montagem e reconhecimento. O retrato falado pode ser reconhecido a partir de uma ou mais características". A Polícia Federal é uma parceira do estudo e aproveitou a idéia para facilitar na captura dos criminosos mais procurados. Para a Marinha, a contribuição do grupo é efetuada através de um trabalho de reconhecimento e interpretação de imagens de radar, a ser instalado no porta-aviões Minas Gerais e em outras embarcações.

O GCI ainda está realizando, entre outros, os estudos Processamento Automático de Documentos e o Projeto D.I.S. (de imagens para som). O primeiro é capaz de ler manuscritos, inclusive batidos à máquina. Já o D.I.S. facilitaria, principalmente, a vida de pessoas. "O nosso grupo trabalha com as tecnologias da informação mais avançadas e é um dos mais atuantes do país", acredita Edson Carvalho. O grupo desenvolve também projetos com atuação na área de computação musical e inteligência artificial simbólica.


     

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