CIÊNCIA E MEIO AMBIENTE
Espaço
aberto para pesquisa científicaA Universidade Federal
de Pernambuco (UFPE) é
reconhecida como um dos
principais pólos de pesquisa do
país. No total, existem 164
grupos distribuídos nos nove
centros que compõem a UFPE
desenvolvendo projetos tanto de
aplicação teórica quanto
prática. Isto significa dizer
que existem, aproximadamente,
3.722 pessoas, entre estudantes
da graduação e da
pós-graduação, professores e
técnicos da Universidade
trabalhando em áreas como
Telemedicina, Tecnologia de
Alimentos, Desenvolvimento
Regional e Integração, Saúde
do Idoso, Engenharia de Reatores,
Física Atômica e Óptica Não
Linear, Fontes Alternativas de
Energia e Religiões Populares.
Os grupos vêm
contribuindo ao longo dos
últimos anos na melhoria da
ciência e da qualidade de vida
do nordestino e, em especial, do
pernambucano. "Nossas
pesquisas estão sempre primando
pela qualidade de seu produto
final", ressalta Roberto
Coutinho, diretor de
pós-graduação da Pró-reitoria
de Pesquisas da UFPE.
Para auxiliar a
locomoção das pessoas nas vias
públicas, uma equipe do
Departamento de Arquitetura e
Urbanismo do Centro de Artes e
Comunicação (CAC) desenvolveu
um projeto sobre as barreiras
arquitetônicas da cidade, como
avenidas muito largas com poucas
áreas de segurança para o
pedestre e calçadas altas
demais.
Também no CAC,
está em funcionamento o Projeto
Virtus, que é um laboratório de
informações criado, no ano
passado, com o objetivo de
investigar, analisar e
experimentar as possibilidades de
percepção, representação,
tratamento da informação e
interfaces provocadas pela
instalação do ambiente virtual
telemático.
TECNOLOGIA
- No Centro de
Tecnologia e Geociências, um dos
grandes projetos é o de Energia
Eólica. O grupo comandado pelo
professor Everaldo Feitosa está
desenvolvendo sistemas de
geração de energia de baixo
custo. "Pretendemos
contribuir com grandes
indústrias, cidades e projetos
de pequeno porte (turbinas para
irrigação)", conta
Feitosa. Em Fernando de Noronha,
a equipe instalou a primeira
turbina eólica da América
Latina. Com isso, a Celpe
(Companhia de Energia Elétrica
de Pernambuco) chega a economizar
70 mil litros de diesel
anualmente.
O Centro de
Ciências Exatas e de Natureza é
um dos mais atuantes do campus e,
em 97, cinco de seus projetos (e
os únicos do Nordeste) receberam
uma verba no valor de R$ 3,18
milhões do Pronex, Programa de
Apoio aos Grupos de Excelência,
do Ministério da Ciência e
Tecnologia. No Departamento de
Informática do Centro, por
exemplo, o Greco (Grupo de
Engenharia da Computação) está
prestes a colocar no mercado um
painel capaz de ajudar na
atividade de gerenciamento de
enfermarias em hospitais.
"Com esse sistema, será
possível haver um controle maior
do serviço de enfermarias, tendo
em vista que ele permitirá um
monitoramento remoto de
leitos", explica o
coordenador geral do projeto,
Manuel Eusébio de Lima.
O projeto de
Telemedicina apresenta-se como um
dos principais não só do Centro
de Ciências da Saúde como
também de toda a Universidade.
Com um orçamento de US$ 1
milhão, está previsto para ser
implantado definitivamente no
Estado no próximo ano e
viabilizará a realização de
consultas médicas via Internet.
Para isso, a UFPE firmou
convênio com as universidades da
Georgia e do Kansas. A equipe
responsável pela implantação
do projeto pretende fazer também
vídeo-conferências sobre
doenças infecciosas tropicais
como dengue, febre amarela e
filariose, em parceria com outras
universidades.
Na opinião do
reitor da UFPE, Mozart Neves
Ramos, as pesquisas vão ajudar a
Universidade a entrar no ano 2000
com ainda mais qualidade.
"Essas pesquisas se refletem
na produção de novos
conhecimentos para o novo século
e a UFPE vem trabalhando para
isso, mostrando que essa
política vai ser predominante no
mundo competitivo e globalizado
em que vivemos".
INFOVIDA
- Um grande banco de
dados dos mais variados segmentos
de saúde no Estado. Assim
poderia ser definido, a grosso
modo, o projeto Infovida que
pretende fornecer para a
população e profissionais de
saúde informações que vão
desde cursos e eventos até a
realização de consultas, via
internet. "Nossa meta é
disponibilizar cada vez mais
informações sobre saúde em
Pernambuco", explica Magdala
Novaes, coordenadora do Infovida.
O projeto é uma iniciativa do
Setor de Bioinformática do
Laboratório Keizo Asami (LIKA),
da UFPE, com o apoio da Rede
Nacional de Pesquisas (RNP),
Secretaria de Saúde do Estado e
Fundação de Amparo à Ciência
e Tecnologia (FACEPE).
Quem visitar o
site www.na-rc.rnp.br/infovida
vai descobrir, por exemplo, que
só em 1995 Pernambuco teve
confirmados 6.676 casos de dengue
e 908 de cólera. 7.010 pessoas
sofreram acidentes no ambiente de
trabalho e 256 foram contaminadas
com o HIV, em 96. Além dos
indicadores epidemológicos, o
Infovida traz mais oito
categorias: Rede Assitêncial;
Utilidade Pública; Educação,
Ensino e Pesquisa; Serviços on
Line; Organizadores de Saúde,
Produtos para a Saúde;
Previdência, Convênios e
Seguros, mais uma sessão de
links.
Para Magdala
Novaes, o projeto também é
importante por muitas razões.
"Vamos discutir e validar o
uso da Telemedicina no Estado,
com o auxílio da Internet como
ferramenta de apoio à
prestação de serviços,
principalmente, nas áreas rurais
e mais carentes de
Pernambuco". O benefício
para as regiões mais distantes
está no fato de que, por meio do
Infovida, a pessoa saberá
maiores informações sobre os
hospitais, clínicas e
profissionais de saúde de sua
cidade. "Dessa forma, numa
situação de emergência, ela
evitará uma viagem
desnecessária para o Recife,
poupando dinheiro e tempo
preciosos".
INFORMÁTICA
- O Grupo de
Computação Inteligente (GCI) do
Departamento de Informática da
UFPE, núcleo de excelência
reconhecido em todo o mundo, vem
desde a década de 70 colocando
em prática projetos capazes de
deixar um computador cada vez
mais inteligente. Com aplicação
direta para a resolução de
alguns problemas do dia-a-dia, os
estudos do grupo chamaram a
atenção de instituições
brasileiras como a Polícia
Federal e a Marinha.
Entre as
pesquisas da equipe estão a de
reconhecimento de assinatura, que
teve o apoio do Banco do Brasil.
O projeto desenvolve um ambiente
para automação bancária apto a
disponibilizar assinaturas de um
cliente em monitores de vídeo de
qualquer agência interligada. A
verificação da assinatura dos
clientes é realizada por redes
neurais com base nas
características extraídas da
assinatura. "No próprio
caixa, o ambiente inteligente
ajuda o funcionário a verificar
a veracidade daquela
assinatura", resume Edson
Carvalho, coordenador do projeto.
Na mesma linha,
está a pesquisa que se propõe a
promover o reconhecimento de
rostos humanos. O professor Edson
explica que para isso são
utilizadas técnicas de
processamento de imagens,
engenharia de software, além dos
conceitos de redes neurais.
"Uma fase é dividida em
cinco partes que correspondem às
características de entrada para
o sistema de montagem e
reconhecimento. O retrato falado
pode ser reconhecido a partir de
uma ou mais
características". A
Polícia Federal é uma parceira
do estudo e aproveitou a idéia
para facilitar na captura dos
criminosos mais procurados. Para
a Marinha, a contribuição do
grupo é efetuada através de um
trabalho de reconhecimento e
interpretação de imagens de
radar, a ser instalado no
porta-aviões Minas Gerais e em
outras embarcações.
O GCI ainda
está realizando, entre outros,
os estudos Processamento
Automático de Documentos e o
Projeto D.I.S. (de imagens para
som). O primeiro é capaz de ler
manuscritos, inclusive batidos à
máquina. Já o D.I.S.
facilitaria, principalmente, a
vida de pessoas. "O nosso
grupo trabalha com as tecnologias
da informação mais avançadas e
é um dos mais atuantes do
país", acredita Edson
Carvalho. O grupo desenvolve
também projetos com atuação na
área de computação musical e
inteligência artificial
simbólica.