CIÊNCIA E MEIO AMBIENTE II
Mata
Atlântica que resiste é de pura
riqueza naturalToda a costa do Brasil
é contornada por uma floresta
úmida, chamada Mata Atlântica,
que ocupa apenas 9% de sua
extensão original, mas ainda
guarda uma biodiversidade
estimada em mais de 800 espécies
de aves, 180 de anfíbios e 131
de mamíferos. Em Pernambuco,
essa floresta se estende para a
região Semi-árida, a mais de
250 quilômetros do litoral, onde
é chamada de Brejo-de-altitude.
Os
remanescentes de
Brejo-de-altitude são
encontrados a pelo menos 500
metros acima do nível do mar. A
elevada altitude, que provoca um
regime de chuvas próprio, é o
que mantém uma floresta úmida
em regiões tão secas. Na Serra
Negra, por exemplo, um
brejo-de-altitude localizado na
fronteira dos municípios de
Ibimirim, Floresta e Inajá,
1.100 metros acima do nível do
mar, os índices pluviométricos
anuais são de aproximadamente
1.900 milímetros. Na parte
baixa, o índice não alcança a
metade desse valor.
Os
Brejos-de-altitude tiveram origem
há milhares de anos, em
decorrência de variações
climáticas. Quando o clima
estava mais seco, a Caatinga
(vegetação característica do
Semi-árido brasileiro) se
expandia. Do contrário, era a
floresta úmida (Mata Atlântica
e também a Floresta Amazônica),
que tomava conta da paisagem.
Existem 17
remanescentes de
Brejos-de-altitude dos
municípios de Arcoverde a
Triunfo. Pesquisadores da
Universidade Federal Rural de
Pernambuco já identificaram 980
espécies de plantas nesses
locais. Seis delas eram
desconhecidas pela ciência,
tendo sido descritas
recentemente.
O
Brejo-de-altitude de Serra Negra,
uma reserva biológica, só pode
ser visitado por pesquisadores
com autorização do Ibama, o
órgão ambiental brasileiro.