- - - -- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 04 de maio de 1998

MADRUGADA A DENTRO II
Gastronomia ocupa um lugar de destaque

O Recife ocupa um lugar de destaque na rica gastronomia nacional. Sua condição de cidade litorânea favorece uma mesa farta em frutos do mar, mas é inegável também a influência lusitana, principalmente aquela que reflete a culinária trasmontana com seus refogados, cozidos e carnes preparados sem parcimônia no tempero.

A cozinha típica pernambucana teve no sociólogo Gilberto Freyre um de seus principais admiradores e defensores. Para ele era de todo insubstituível o sabor de uma verdadeira "feijoada pernambucana" (com feijão mulatinho, carnes e muitos legumes) e não trocava um bom cozido (osso buco cozido acompanhado por legumes, banana cozida, arroz e pirão) por nenhuma outra iguaria.

No Recife, um bom endereço para degustar os pratos típico pernambucanos é o restaurante Rei do Cangaço (Estrada do Encanamento, 1.400, Casa Forte). Com ambientação inspirada em Lampião e seus cabras, o Rei do Cangaço tem um cardápio inteiramente dedicado a opções como buchada, sarapatel, bode, galinha de cabidela, miúdos de galinha e muito mais. Tudo isso acompanhado por uma carta de cachaças que contabiliza mais de 50 títulos.

O Oficina do Sabor (Rua do Amparo, 335, Olinda) faz uma elogiada releitura da cozinha típica de Pernambuco. Lá, o forte sotaque nordestino é suavizado por francesismos que funcionam muito bem. O queijo coalho de leite de cabra - uma entrada muito apreciada - recebe um tempero de ervas da Provence; o bode ganha molho de vinho e o jerimum recebe camarões como recheio. Na sobremesa, o melhor da doçaria pernambucana: bolo de rolo, Souza Leão e compotas variadas.

O Buraco de Otília (Rua da Aurora, 1.231) é um dos mais tradicionais redutos da honesta mesa local. O ambiente é simples e tem fregueses cativos há mais de duas décadas. A especialidade do local é a galinha à cabidela, que vem acompanhada de feijão verde e farofa, bom para acompanhar com uma cerveja gelada.

Dois endereços disputam a primazia de oferecer a melhor carne-de-sol da cidade: o Recanto do Picuí (Praça do Dérbi, 253) e Edmilson da Carne de Sol (Av. Domingos Ferreira, 82). As porções são generosas e servem, às vezes, até a mais de duas pessoas. A carne vem acompanhada por macaxeira cozida, feijão verde, sem dispensar a legítima manteiga do sertão. Não custa tentar ver se a cozinha prepara uma "farofa de bolão" (feita com água, cheiro verde e farinha de mandioca escaldada).

FRUTOS DO MAR - Este é um terreno onde não faltam boas indicações. Começando pelo quesito antiguidade, o Restaurante Maxime (Av. Boa Viagem, 21) é um dos mais tradicionais quando a escolha é uma peixada pernambucana. Este prato é composto por postas de peixe (cavala ou garoupa são os mais usados) cozidas com legumes, acompanhadas por arroz e pirão feito com caldo do próprio peixe engrossado com farinha de mandioca e, indispensável, um ovo cozido.

O Bar e Restaurante Biruta (Rua Bem-Te-Vi, 15, Brasília Teimosa) é um dos espaços mais transados da cidade e oferece, de quebra, um maravilhoso pôr-do-sol e um não menos encantador cenário para uma noite de lua cheia. As ostras são confiáveis e todos os pratos à base de frutos do mar merecem boa nota.

O Costa do Sol (Av. Bernardo Vieira de Melo, 8.036, Candeias), de influência lusitana, arrisca-se a vender lagosta e camarão a preços tentadores. A casa é requintada e tem um serviço de primeira. O lugar também arrasa nos pratos à base de bacalhau, com certeza.

O famoso Bargaço tem uma filial na Praia de Boa Viagem (Av. Boa Viagem, 670) que também é especializada em frutos do mar e comida baiana. Trata-se de um local sofisticado, para os que se dispõem a pagar um pouco mais por uma grife famosa e de qualidade.

O Maré Cheia é uma boa escolha para os que procuram um ambiente tranqüilo, com vista para a não-tão-tranqüila Praia de Piedade. A indicação vale tanto para os que querem petiscar agulhas fritas e bolinho de bacalhau com uma cerveja geladinha, quanto para os que procuram algo mais substancial como uma moqueca capixaba.

BOA LEMBRANÇA - Além do já citado Oficina do Sabor (em comidas típicas), três pernambucanos fazem parte da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança, entidade nacional que reúne algumas das melhores casas do país. O Chez Georges (Praça do Jacaré, Olinda) é a perfeita tradução do benefício trazido pela fusão de duas cozinhas: a suíça e a pernambucana. O lugar é lindo, com um terraço à beira-mar que convida à degustação de um bom vinho e uma das várias entradas tentadoras do cardápio. No rol de pratos principais, itens tão variados e saborosos quando um penne com coração de alcachofra e roquefort e uma moqueca com direito a tudo o que se imaginar - de siri mole a ostras.

O Restaurante O Navegador (Rua Júlio Pires, 68, Boa Viagem) é, literalmente, uma viagem à boa mesa. A criatividade da cozinha é ilimitada, proporcionando experiências como o carpaccio de coco verde (lâminas de polpa de coco temperadas com cheiro verde e cobertas com lascas de queijo coalho) e o Camarão Suely Rossiter, cozido na água de coco e servido dentro do próprio, acompanhado por arroz de açafrão.

Finalmente, a viagem fica completa com uma visita obrigatória ao Beijupirá, a 60 km do Recife, na Praia de Porto de Galinhas, com sua cozinha inimitável e ambiente de beleza incomparável.

 
     

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