MADRUGADA A DENTRO II
Gastronomia
ocupa um lugar de destaqueO Recife ocupa um lugar
de destaque na rica gastronomia
nacional. Sua condição de
cidade litorânea favorece uma
mesa farta em frutos do mar, mas
é inegável também a
influência lusitana,
principalmente aquela que reflete
a culinária trasmontana com seus
refogados, cozidos e carnes
preparados sem parcimônia no
tempero.
A cozinha
típica pernambucana teve no
sociólogo Gilberto Freyre um de
seus principais admiradores e
defensores. Para ele era de todo
insubstituível o sabor de uma
verdadeira "feijoada
pernambucana" (com feijão
mulatinho, carnes e muitos
legumes) e não trocava um bom
cozido (osso buco cozido
acompanhado por legumes, banana
cozida, arroz e pirão) por
nenhuma outra iguaria.
No Recife, um
bom endereço para degustar os
pratos típico pernambucanos é o
restaurante Rei do Cangaço
(Estrada do Encanamento, 1.400,
Casa Forte). Com ambientação
inspirada em Lampião e seus
cabras, o Rei do Cangaço tem um
cardápio inteiramente dedicado a
opções como buchada, sarapatel,
bode, galinha de cabidela,
miúdos de galinha e muito mais.
Tudo isso acompanhado por uma
carta de cachaças que
contabiliza mais de 50 títulos.
O Oficina do
Sabor (Rua do Amparo, 335,
Olinda) faz uma elogiada
releitura da cozinha típica de
Pernambuco. Lá, o forte sotaque
nordestino é suavizado por
francesismos que funcionam muito
bem. O queijo coalho de leite de
cabra - uma entrada muito
apreciada - recebe um tempero de
ervas da Provence; o bode ganha
molho de vinho e o jerimum recebe
camarões como recheio. Na
sobremesa, o melhor da doçaria
pernambucana: bolo de rolo, Souza
Leão e compotas variadas.
O Buraco de
Otília (Rua da Aurora, 1.231) é
um dos mais tradicionais redutos
da honesta mesa local. O ambiente
é simples e tem fregueses
cativos há mais de duas
décadas. A especialidade do
local é a galinha à cabidela,
que vem acompanhada de feijão
verde e farofa, bom para
acompanhar com uma cerveja
gelada.
Dois endereços
disputam a primazia de oferecer a
melhor carne-de-sol da cidade: o
Recanto do Picuí (Praça do
Dérbi, 253) e Edmilson da Carne
de Sol (Av. Domingos Ferreira,
82). As porções são generosas
e servem, às vezes, até a mais
de duas pessoas. A carne vem
acompanhada por macaxeira cozida,
feijão verde, sem dispensar a
legítima manteiga do sertão.
Não custa tentar ver se a
cozinha prepara uma "farofa
de bolão" (feita com água,
cheiro verde e farinha de
mandioca escaldada).
FRUTOS
DO MAR - Este é um
terreno onde não faltam boas
indicações. Começando pelo
quesito antiguidade, o
Restaurante Maxime (Av. Boa
Viagem, 21) é um dos mais
tradicionais quando a escolha é
uma peixada pernambucana. Este
prato é composto por postas de
peixe (cavala ou garoupa são os
mais usados) cozidas com legumes,
acompanhadas por arroz e pirão
feito com caldo do próprio peixe
engrossado com farinha de
mandioca e, indispensável, um
ovo cozido.
O Bar e
Restaurante Biruta (Rua
Bem-Te-Vi, 15, Brasília Teimosa)
é um dos espaços mais transados
da cidade e oferece, de quebra,
um maravilhoso pôr-do-sol e um
não menos encantador cenário
para uma noite de lua cheia. As
ostras são confiáveis e todos
os pratos à base de frutos do
mar merecem boa nota.
O Costa do Sol
(Av. Bernardo Vieira de Melo,
8.036, Candeias), de influência
lusitana, arrisca-se a vender
lagosta e camarão a preços
tentadores. A casa é requintada
e tem um serviço de primeira. O
lugar também arrasa nos pratos
à base de bacalhau, com certeza.
O famoso
Bargaço tem uma filial na Praia
de Boa Viagem (Av. Boa Viagem,
670) que também é especializada
em frutos do mar e comida baiana.
Trata-se de um local sofisticado,
para os que se dispõem a pagar
um pouco mais por uma grife
famosa e de qualidade.
O Maré Cheia
é uma boa escolha para os que
procuram um ambiente tranqüilo,
com vista para a
não-tão-tranqüila Praia de
Piedade. A indicação vale tanto
para os que querem petiscar
agulhas fritas e bolinho de
bacalhau com uma cerveja
geladinha, quanto para os que
procuram algo mais substancial
como uma moqueca capixaba.
BOA
LEMBRANÇA - Além do
já citado Oficina do Sabor (em
comidas típicas), três
pernambucanos fazem parte da
Associação dos Restaurantes da
Boa Lembrança, entidade nacional
que reúne algumas das melhores
casas do país. O Chez Georges
(Praça do Jacaré, Olinda) é a
perfeita tradução do benefício
trazido pela fusão de duas
cozinhas: a suíça e a
pernambucana. O lugar é lindo,
com um terraço à beira-mar que
convida à degustação de um bom
vinho e uma das várias entradas
tentadoras do cardápio. No rol
de pratos principais, itens tão
variados e saborosos quando um
penne com coração de alcachofra
e roquefort e uma moqueca com
direito a tudo o que se imaginar
- de siri mole a ostras.
O Restaurante O
Navegador (Rua Júlio Pires, 68,
Boa Viagem) é, literalmente, uma
viagem à boa mesa. A
criatividade da cozinha é
ilimitada, proporcionando
experiências como o carpaccio de
coco verde (lâminas de polpa de
coco temperadas com cheiro verde
e cobertas com lascas de queijo
coalho) e o Camarão Suely
Rossiter, cozido na água de coco
e servido dentro do próprio,
acompanhado por arroz de
açafrão.
Finalmente, a
viagem fica completa com uma
visita obrigatória ao
Beijupirá, a 60 km do Recife, na
Praia de Porto de Galinhas, com
sua cozinha inimitável e
ambiente de beleza incomparável.