RELACIONAMENTO
A
difícil arte de amarpor LENEIDE DUARTE
Agência Globo
Poucos amores
resistem à distância
prolongada. Também são poucos
os que passam ilesos pelo teste
da convivência por 24 horas, em
casa e no trabalho. Mas, para
confirmar a regra há sempre as
exceções. Algumas delas estão
nesta reportagem, em depoimentos
de casais que garantem que a
convivência intensiva pode
trazer só benefícios para a
relação. Mesmo sendo difícil
conviver durante 24 horas, pondo
à prova, o tempo todo, a
tolerância, a maturidade e a
compreensão.
"Alguma
pessoas conseguem fazer isso
muito bem. Mas é preciso saber
lidar com aspectos da vida
profissional que não devem ser
levados para a vida
afetiva", diz o
psicoterapeuta Paulo Lemos, autor
de Educação afetiva (Editora
Lemos). Ele explica que há
amigos que não são do casal,
mas apenas de um cônjuge e que
deve haver limites para as
atuações sociais, profissionais
e para a vida afetiva.
Na agitada vida
que levam, Claudia Raia, de 31
anos, e Edson Celulari, de 40
anos, procuram estar juntos o
maior tempo possível. E ainda
não se cansaram. Agora, que
estão há três semanas gravando
a próxima novela das 20h, Torre
de Babel, eles podem viver
"grudados" como
Cláudia confessa que gosta de
viver com o marido, desde que
começaram a namorar, em 91,
quando faziam a novela Deus nos
acuda.
"Há um
mês estamos juntos 24 horas.
Somos grandes amigos, nos damos
muito bem, nos divertimos juntos
e levamos este prazer para o
trabalho, porque gostamos desse
grude", diz Claudia, que
conheceu o marido em 87, na
novela Sassaricando.
Edson diz que
viver juntos 24 horas exige
paciência, atenção e
generosidade. Apesar de falar
longe da mulher, Edson também
usa a palavra "grude"
para definir a relação que
têm. "No dia-a-dia adoramos
estar juntos e isso dá qualidade
à convivência. Mas, no
trabalho, só opinamos quando o
outro pede", conta Edson.
Para Lemos,
não é apenas no casal que um
excesso de proximidade pode gerar
conflitos. Dificuldades também
podem surgir quando filhos
trabalham com os pais. Ele afirma
que, muitas vezes, estilos
pessoais de se colocar no mundo
não permitem uma convivência
extremamente intensa. Se há
choques anteriores, mais
convivência vai gerar mais
choques.
Hélia Correia,
terapeuta de casais e de
família, no Rio de Janeiro,
concorda que pode haver problemas
nesse tipo de relação. "A
maioria dos casais, nesses casos,
começa a misturar relação
emocional com a profissional,
entra num jogo de competição e
poder. É preciso muito
equilíbrio para manter a
relação sem deixar que se crie
esse clima". Para Hélia,
mesmo na relação conjugal mais
madura existe uma disputa.
"O ser humano entra em
competição para ver quem é
melhor".
Tem quem
discorde, como o médico
radiologista Luiz Fernando
Boisson, de 50 anos, e sua
mulher, a médica Myrta Felix
Boisson, de 32 anos, que se dizem
muito felizes com a convivência
"intensiva". Casado
pela segunda vez, Boisson só vê
vantagens na relação deles, que
trabalham juntos numa clínica
radiológica. "A
gratificação que a medicina nos
dá no dia-a-dia nos motiva
muito. Estudamos juntos, viajamos
para congressos e todo nosso
trabalho só reforça os laços
do casamento, porque lutamos
pelos mesmos objetivos".
Myrta, que é a
radiologista da apresentadora
Xuxa, acrescenta que eles trocam
informações sobre casos
interessantes que viram durante o
dia. "Enquanto muitas
mulheres querem um carro novo ou
uma jóia no fim do ano, eu
queria um aparelho de
ultra-sonografia tridimensional
mais moderno que custa US$ 300
mil. Fiquei felicíssima quando o
Luiz Fernando me disse que havia
comprado o aparelho. Era tudo que
queríamos", diz Myrta.