RELACIONAMENTO
II
Apostando
todas as fichas na vida a doisOs sonhos de consumo de
Isabel Mauad, de 44 anos, dona da
Editora Mauad, também costumam
ser os mesmos do marido Zigmunt
Filipecki Jr., de 37 anos,
administrador de empresas e
pedagogo. E estão sempre
relacionados à editora que
dirigem. Casados desde 1990,
Isabel e Zigmunt só começaram a
trabalhar juntos em 1995, um ano
depois da criação da empresa.
"Antes de
Zig vir organizar a área de
administração e marketing, eu
vivia perdida nas contas com o
contador", confessa Isabel.
"Posso garantir que
trabalhar junto com o marido é
como apostar todas as fichas na
vida a dois. Deixam de existir
dois mundos estanques, o
profissional e o particular, e
isso é bom porque dá para
entender melhor os sentimentos do
outro", afirma.
Ela diz que,
apesar de terem o mesmo endereço
de trabalho e de casa, não se
vêem todos os minutos do dia,
pois saem muitas vezes para
encontrar pessoas diferentes.
Zigmunt diz que quando deixou a
empresa em que trabalhava tinha
uma expectativa diferente do que
o esperava. "Trabalhando
juntos ficamos conhecendo melhor
os problemas de trabalho do
parceiro e dividimos o estresse e
as expectativas. Quando estamos
em casa, não há preocupação
de evitar tratar de assuntos de
trabalho. Inevitavelmente, a
gente acaba falando do trabalho,
mas isso é positivo pois podemos
dividir preocupações",
atesta.
Ele diz que o
fato de não terem patrão e
serem os donos da empresa faz
muita diferença, porque os dois
brigam juntos pelo sucesso.
Falando por telefone da empresa
de fotolitos, onde estava
acompanhando um trabalho, Zigmunt
faz uma declaração pública de
amor. "Quanto mais tempo eu
fico com ela mais sinto saudades
quando estou longe".
NA TV - A atriz
Letícia Spiller, de 24 anos, e o
ator Marcelo Novaes, de 35 anos,
conheceram-se em 1992, durante um
programa da série Os
trapalhões. Somente em 1994, os
atores se reecontraram. Foi na
novela Quatro por quatro, na qual
contracenaram por 12 meses, com
os personagens Babalu e Raí. No
décimo mês de gravação,
descobriram que estavam
apaixonados. No ano passado, já
com um filho, voltaram a
trabalhar juntos na novela Zazá.
"Acho que
não devemos trazer os problemas
do trabalho para casa, mas
também não devemos nos castrar.
Temos um relacionamento muito
saudável e gostamos de estar
juntos o tempo todo, mas há dias
em que estamos gravando cenas
diferentes e nos vemos
pouco", conta Marcelo, que
não vê a convivência no
trabalho como fator de desgaste
da relação.
Ele diz que
quando foram convidados para
trabalhar juntos num episódio do
seriado Mulher, que está sendo
gravado, analisaram o que o
trabalho traria de positivo para
a carreira de cada um porque não
querem ser "figurinhas
carimbadas". "Não
temos medo de desgaste porque
este projeto é um desafio para
nossas carreiras. Com ele,
podemos provar que somos bons
trabalhando juntos ou
separados", diz Marcelo.
Letícia diz
que estar juntos no trabalho só
traz uma desvantagem: um dos dois
não pode ficar tomando conta do
filho Pedro, de um ano e meio.
"A intimidade que temos
ajuda e tem mais uma vantagem:
beijar o marido é bem
melhor", garante ela.
SEMPRE
JUNTOS - Inês Oswaldo
Cruz, de 32 anos, e Marcelo
Antelo, de 35 anos, vivem tão
intensamente o casamento que não
se separam durante o dia inteiro
há vários anos. O dia dos dois
começa com a caminhada diária
na praia, às 8 horas da manhã.
Depois, voltam para o apartamento
onde moram e onde funciona a SCA,
empresa de comunicação que
Marcelo criou, em 1989. Em 1991,
ao deixar a empresa em que
trabalhava como analista
financeira, Inês, que é
administradora de empresas,
entrou de sócia da SCA, na qual
resolve todos os problemas
financeiros e administrativos.
"É ótimo
trabalharmos juntos porque temos
os mesmos interesses e as idéias
vão surgindo e sendo discutidas
informalmente. E como vivemos e
trabalhamos no mesmo endereço,
procuramos separar os ambientes.
Quando fechamos o escritório,
passamos a cuidar da casa e do
lazer", explica Inês.
Marcelo
concorda que é muito fácil
trabalhar formando uma parceria
com a mulher. "Assim, não
temos dúvida sobre o que o outro
pensa. E dividimos o trabalho da
empresa, assim como o da casa. Na
empresa, que faz programas para
80 rádios de todo o Brasil e é
provedora de conteúdo da
Internet, eu cuido dos clientes e
da área de marketing. A Inês
cuida da parte das finanças e
conciliamos bem a divisão de
tarefas", conta Marcelo, no
apartamento de Copacabana, onde
funciona a empresa.
A SCA é
"dona" do site
Copacabana.com, que dá
informações sobre o bairro e
recebe 25 mil visitantes por
mês. Juntos desde 1984, Inês e
Marcelo descobriram, ao se
conhecer que, quando crianças,
haviam estudado no mesmo jardim
de infância e freqüentado o
Clube Fluminense na mesma época,
sem nunca terem se encontrado.
"O destino acabou
conseguindo nos juntar e nos
manter juntos as 24 horas do
dia", brinca Marcelo.
A terapeuta de
família e de casal Evelyn
Rogozinski recomenda que casais
que convivem 24 horas não devem
se fechar na relação a dois.
"Lidar com as coisas em
comum é muito fácil numa
relação de casal. O difícil é
lidar com as diferenças. E para
que os dois não fiquem presos a
uma relação de dependência
excessiva é importante que
convivam com outras
pessoas".
No livro
Educação afetiva, Paulo Lemos
afirma que amar uma pessoa não
garante que a convivência seja
fácil. "Se alguém
acreditar que pode conviver bem
com outra pessoa somente porque a
ama, estará enganado. Amar
alguém significa nos
identificarmos com uma pessoa,
vermos nela beleza e harmonia.
Para convivermos com alguém,
contudo, precisamos de algo mais
concreto, sólido, e isso teremos
de aprender. Só o amor não
garante a boa convivência. E
quando o casal trabalha junto
pode haver competição acirrada.
Tudo por falta de educação
afetiva". (L.D.)