ALIMENTAÇÃO
Açaí
cai no gosto da turma de academiapor SÉRGIO ROBERTO
LIMA
Uma paraense
está causando o maior frisson
nas academias do Recife. A fruta
produzida pela palmeira típica
da região amazônica Euterpe
oleracea, o açaí, depois de
conquistar a turma da malhação
carioca, chega às academias
locais.
Assim como no
Rio, aqui a forma mais consumida
é a polpa da fruta semicongelada
batida com xarope de guaraná
(para tirar o gosto de terra do
açaí). Quem preferir pode
acrescentar outras frutas, como
maçã, pêra, abacaxi, morango
ou banana. Por causa da
consistência grossa, como uma
papa de cor roxa, quase preta, a
mistura refrescante é servida
numa tigela e pode ser tomada com
granola, uma mistura de cereais.
Um dos que
podem atestar o crescimento da
procura pela fruta é Alexandre
Costa. Há dois meses, ele está
trazendo a polpa do açaí do
Pará. "Estou vendendo uma
tonelada por mês e a demanda
está crescendo", comemora.
Seus maiores clientes são as
lanchonetes de academias, que
chegam a comprar até 80 quilos
de polpa por mês. Costa atribui
parte dessa mania ao seriado
Malhação, da Rede Globo, onde
os atores comem açaí como se
fosse água.
"Mas foi
nos laboratórios onde foram
descobertas as características
da fruta que viriam a ser o seu
maior marketing. Uma tigela de
100 gramas de açaí tem cerca de
3,4 gramas de proteínas, 12,2 de
gordura, 18 de fibras, 42,2
gramas de carboidratos e 265
calorias. Como a porção média
consumida é de 350 gramas,
combinada com a granola e outra
fruta pode-se ingerir facilmente
mais 1.000 calorias de uma só
vez.
"Como se
fosse pouco, uma pesquisa feita
pela Universidade Federal do
Pará em parceria com o
engenheiro químico belga Hervée
Rogez revelou que cada 100 gramas
de açaí contêm 400 miligramas
de antocianina. A substância,
segundo alguns médicos, combate
o colesterol e a arteriosclerose
e a quantidade dela no açaí
seria 20 vezes maior do que no
vinho, outra importante fonte.
Com tanta
energia, era de se esperar que o
açaí fosse fazer sucesso pela
turma que vive de suar a camisa
levantando peso ou nos passos
freneticamente aeróbicos das
academias. O professor Tércio
Vicente, 28 anos, da academia
Perfformance, em Boa Viagem, faz
duas horas de exercícios
diários. Pelo menos três vezes
por semana ele toma uma tigela de
açaí. "São os dias mais
puxados em que eu gasto muita
energia e o açaí me
sustenta", acredita.
"Os
professores de ginástica são os
que mais consomem", atesta
um dos proprietários da
lanchonete Só Saúde, na
Perfformance, Marcelo Tavares. O
brasiliense trouxe a novidade há
dois anos ao estado, mas foi nos
últimos seis meses que ele viu a
fruta virar mania. Ele hoje vende
cerca de 40 tigelas de açaí por
dia ou sete quilos de polpa.
Animado pela
grande procura, Marcelo diz que
pretende se tornar o
representante no estado de uma
empresa paulista que está
produzindo o açaí de diversas
formas, inclusive como bebida
refrescante. "Planejo
também abrir, no início do
verão, um restaurante onde o
carro-chefe será o açaí",
adianta.
Por enquanto,
ele vai inovando o cardápio da
sua lanchonete na Perfformance. A
invenção mais recente é o
açaível, uma mistura da fruta
com leite, iogurte ou mel, que é
vendida por R$ 2,50 a tigela, o
mesmo valor do açaí
convencional. Para os que
pretendem consumir o produto em
casa, ele chegou a criar um kit
"faça você mesmo",
que consiste dos ingredientes
para preparar 10 ou quatro
porções.
Mas há quem
não viva queimando calorias em
exercícios, como os professores
de academias, nem gaste suas
energias caçando e pescando no
meio da mata, como faziam os
índios - os primeiros a utilizar
o açaí -, mas, ainda assim,
consome a fruta com freqüência.
A recepcionista Frederica Cadena,
19 anos, por exemplo, faz do
açaí sua janta de segunda a
sexta-feira. Unindo a uma
confessa preguiça que a impede
de fazer exercícios físicos
regularmente, o resultado (nada
satisfatório) veio rápido.
"Em seis meses, engordei
oito quilos", lamenta.