- - - -...............................................-Jornal do Commercio - Recife, 03 de maio de 1998

ALIMENTAÇÃO
Açaí cai no gosto da turma de academia

por SÉRGIO ROBERTO LIMA

Uma paraense está causando o maior frisson nas academias do Recife. A fruta produzida pela palmeira típica da região amazônica Euterpe oleracea, o açaí, depois de conquistar a turma da malhação carioca, chega às academias locais.

Assim como no Rio, aqui a forma mais consumida é a polpa da fruta semicongelada batida com xarope de guaraná (para tirar o gosto de terra do açaí). Quem preferir pode acrescentar outras frutas, como maçã, pêra, abacaxi, morango ou banana. Por causa da consistência grossa, como uma papa de cor roxa, quase preta, a mistura refrescante é servida numa tigela e pode ser tomada com granola, uma mistura de cereais.

Um dos que podem atestar o crescimento da procura pela fruta é Alexandre Costa. Há dois meses, ele está trazendo a polpa do açaí do Pará. "Estou vendendo uma tonelada por mês e a demanda está crescendo", comemora. Seus maiores clientes são as lanchonetes de academias, que chegam a comprar até 80 quilos de polpa por mês. Costa atribui parte dessa mania ao seriado Malhação, da Rede Globo, onde os atores comem açaí como se fosse água.

"Mas foi nos laboratórios onde foram descobertas as características da fruta que viriam a ser o seu maior marketing. Uma tigela de 100 gramas de açaí tem cerca de 3,4 gramas de proteínas, 12,2 de gordura, 18 de fibras, 42,2 gramas de carboidratos e 265 calorias. Como a porção média consumida é de 350 gramas, combinada com a granola e outra fruta pode-se ingerir facilmente mais 1.000 calorias de uma só vez.

"Como se fosse pouco, uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Pará em parceria com o engenheiro químico belga Hervée Rogez revelou que cada 100 gramas de açaí contêm 400 miligramas de antocianina. A substância, segundo alguns médicos, combate o colesterol e a arteriosclerose e a quantidade dela no açaí seria 20 vezes maior do que no vinho, outra importante fonte.

Com tanta energia, era de se esperar que o açaí fosse fazer sucesso pela turma que vive de suar a camisa levantando peso ou nos passos freneticamente aeróbicos das academias. O professor Tércio Vicente, 28 anos, da academia Perfformance, em Boa Viagem, faz duas horas de exercícios diários. Pelo menos três vezes por semana ele toma uma tigela de açaí. "São os dias mais puxados em que eu gasto muita energia e o açaí me sustenta", acredita.

"Os professores de ginástica são os que mais consomem", atesta um dos proprietários da lanchonete Só Saúde, na Perfformance, Marcelo Tavares. O brasiliense trouxe a novidade há dois anos ao estado, mas foi nos últimos seis meses que ele viu a fruta virar mania. Ele hoje vende cerca de 40 tigelas de açaí por dia ou sete quilos de polpa.

Animado pela grande procura, Marcelo diz que pretende se tornar o representante no estado de uma empresa paulista que está produzindo o açaí de diversas formas, inclusive como bebida refrescante. "Planejo também abrir, no início do verão, um restaurante onde o carro-chefe será o açaí", adianta.

Por enquanto, ele vai inovando o cardápio da sua lanchonete na Perfformance. A invenção mais recente é o açaível, uma mistura da fruta com leite, iogurte ou mel, que é vendida por R$ 2,50 a tigela, o mesmo valor do açaí convencional. Para os que pretendem consumir o produto em casa, ele chegou a criar um kit "faça você mesmo", que consiste dos ingredientes para preparar 10 ou quatro porções.

Mas há quem não viva queimando calorias em exercícios, como os professores de academias, nem gaste suas energias caçando e pescando no meio da mata, como faziam os índios - os primeiros a utilizar o açaí -, mas, ainda assim, consome a fruta com freqüência. A recepcionista Frederica Cadena, 19 anos, por exemplo, faz do açaí sua janta de segunda a sexta-feira. Unindo a uma confessa preguiça que a impede de fazer exercícios físicos regularmente, o resultado (nada satisfatório) veio rápido. "Em seis meses, engordei oito quilos", lamenta.


     

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