ALIMENTAÇÃO
III
Nutricionistas
duvidam dos poderes do açaíOs fãs do açaí
garantem se tratar de uma
superfruta. Na opinião dos
especialistas em nutrição
entrevistados, o açaí se
destaca nas quantidades de
carboidratos, de fibra e de
caloria. E só. "Não é
nenhuma oitava maravilha",
afirma a professora do
departamento de Nutrição da
UFPE Fátima Padilha.
As fibras têm
a capacidade de
"arrastar" o colesterol
e eliminá-lo do organismo,
enquanto que o carboidrato é
energético, juntamente com os
lipídios. Já as calorias
também significam energia, mas a
também professora de Nutrição
da UFPE Zelita Fernandes lembra
que consumir caloria não é
sinônimo de estar bem
alimentado. "Se fosse assim,
bastava a uma pessoa comer meio
quilo de açúcar todos os dias,
pois estaria consumindo 2 mil
calorias", compara. Quanto
aos 3,4 gramas de proteína, as
especialistas lembram que a
proteína vegetal é menos
absorvida do que a animal.
O hábito da
recepcionista Frederica Cadena de
substituir uma refeição por uma
porção de açaí é um ponto
divergente de opinião dos
profissionais. Segundo o
nutrólogo e endocrinologista
Fernando Aguiar, isso é
possível caso haja uma
compensação dos outros
elementos necessários nas outras
refeições. Já a professora
Zelita considera um
"absurdo", uma vez que
nenhum alimento pode substituir
uma refeição. "Muito menos
uma fruta", complementa.
Segundo o
nutrólogo, a sensação de estar
com o estômago cheio que o
açaí dá é resultado dos 932
miligramas de potássio por 100
gramas da fruta, apontado pelas
tabelas nutritivas. "O
potássio participa de várias
reações metabólicas",
esclarece. Mas ele lembra que
isso não significa estar bem
alimentado.
A antocianina,
que poderia ser o
"milagre" do açaí, é
visto com ressalvas pelos
nutricionistas. Zelita revela que
existem "uns 300" tipos
da susbstância e nem todos são
absorvidos pelo organismo.
"É preciso fazer um estudo
para saber se o tipo de
antocianina do açaí é o mesmo
do encontrado no vinho
tinto", observa. Ainda
assim, para Fernando Aguiar,
essas propriedades não são
aceitas por todos os médicos e
cientistas. Ele diz que há
divergências e concorda que é
preciso mais estudo nesse
sentido.(S.R.L.)