- - - -...............................................-Jornal do Commercio - Recife, 03 de maio de 1998

ALIMENTAÇÃO III
Nutricionistas duvidam dos poderes do açaí

Os fãs do açaí garantem se tratar de uma superfruta. Na opinião dos especialistas em nutrição entrevistados, o açaí se destaca nas quantidades de carboidratos, de fibra e de caloria. E só. "Não é nenhuma oitava maravilha", afirma a professora do departamento de Nutrição da UFPE Fátima Padilha.

As fibras têm a capacidade de "arrastar" o colesterol e eliminá-lo do organismo, enquanto que o carboidrato é energético, juntamente com os lipídios. Já as calorias também significam energia, mas a também professora de Nutrição da UFPE Zelita Fernandes lembra que consumir caloria não é sinônimo de estar bem alimentado. "Se fosse assim, bastava a uma pessoa comer meio quilo de açúcar todos os dias, pois estaria consumindo 2 mil calorias", compara. Quanto aos 3,4 gramas de proteína, as especialistas lembram que a proteína vegetal é menos absorvida do que a animal.

O hábito da recepcionista Frederica Cadena de substituir uma refeição por uma porção de açaí é um ponto divergente de opinião dos profissionais. Segundo o nutrólogo e endocrinologista Fernando Aguiar, isso é possível caso haja uma compensação dos outros elementos necessários nas outras refeições. Já a professora Zelita considera um "absurdo", uma vez que nenhum alimento pode substituir uma refeição. "Muito menos uma fruta", complementa.

Segundo o nutrólogo, a sensação de estar com o estômago cheio que o açaí dá é resultado dos 932 miligramas de potássio por 100 gramas da fruta, apontado pelas tabelas nutritivas. "O potássio participa de várias reações metabólicas", esclarece. Mas ele lembra que isso não significa estar bem alimentado.

A antocianina, que poderia ser o "milagre" do açaí, é visto com ressalvas pelos nutricionistas. Zelita revela que existem "uns 300" tipos da susbstância e nem todos são absorvidos pelo organismo. "É preciso fazer um estudo para saber se o tipo de antocianina do açaí é o mesmo do encontrado no vinho tinto", observa. Ainda assim, para Fernando Aguiar, essas propriedades não são aceitas por todos os médicos e cientistas. Ele diz que há divergências e concorda que é preciso mais estudo nesse sentido.(S.R.L.)


     

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