- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 29 de abril de 1998

MERCADO DE TRABALHO

Um sinal dos tempos modernos

Enquanto quase todo o setor produtivo do planeta se contorce para abrigar uma multidão de recém-saídos da universidade, o mercado de informática aceita currículos. No mundo inteiro, milhões de pessoas engordam as listas dos desempregados - cena prevista por Charlie Chaplin no filme Tempos Modernos, onde a automatização chega ocupando espaço de maneira feroz e substituindo homens por máquinas. Mas o mundo da tecnologia pendura plaquetas: precisa-se de gente. Pessoal qualificado. Que domine vários idiomas. Sim, porque falar inglês é básico para eles. E que esteja disposto a ralar muito. Os profissionais da informática podem sofrer de tendinite, insônia e stress, mas o setor ainda não se preocupa com o mal crônico desses "tempos modernos": o desemprego.

Nos Estados Unidos, a renda média de um profissional de tecnologia da informação é duas vezes maior que a média nacional. Por aqui, não há estatísticas, mas a realidade não destoa muito disso. Tanto que, cientes do privilégio, cada vez mais pessoas escolhem os cursos de computação na hora do vestibular. Elas estão distribuídas entre as três instituições de ensino superior que disponibilizam a opção em Pernambuco. Ou num dos cursos rápidos existentes. E vem novidade por aí. Visando gerar uma mão-de-obra bem qualificada e de maneira mais ágil que uma faculdade, o Núcleo de Processamento de Dados (NPD) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) inaugura, ainda esse ano, um curso de informática com um ano de duração, aberto a todos que já concluíram o segundo grau.

Mas nem tudo é sonho. Digitadores e programadores que pararam no tempo perderam o emprego. Mas não param de surgir novas funções e há promessas de mais melhoras pela frente. Gente como Cláudio Marinho, diretor do Centro de Tecnologia de Software para Exportação do Recife (Softex Recife), com anos de experiência, afirma categoricamente: vai sobrar vaga no mercado. Ter um PC em casa já é o principal sonho de consumo da classe média, deixando para trás os eletrodomésticos e aparelhos de som e TV. A rede mundial de computadores, que já absorveu um batalhão de trabalhadores, só tende a crescer.

Democrática por excelência, a profissão está aberta a gregos, troianos e quem mais se interessar. Como não há obrigatoriedade de diploma, até a bodega da esquina se diz prestadora de serviços de informática. Cabe ao consumidor procurar bastante, pechinchar e se proteger. Os profissionais mais seguros de si não se incomodam com esse tipo de concorrência. Dizem que só fica quem é realmente bom. E que uma eventual regulamentação seria prejudicial porque expulsaria técnicos que, apesar de muito competentes, não têm formação superior.

Às vesperas de mais um Dia do Trabalho, o JC faz um levantamento de como está o mercado de informática. Para isso, ouviu analistas, técnicos, estudantes e pessoas que fazem da tecnologia da informação o seu dia-a-dia. O resultado está ao longo de todo o Caderno.


 

 

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