MERCADO DE TRABALHO
Um sinal dos tempos modernosEnquanto quase todo o
setor produtivo do planeta se
contorce para abrigar uma
multidão de recém-saídos da
universidade, o mercado de
informática aceita currículos.
No mundo inteiro, milhões de
pessoas engordam as listas dos
desempregados - cena prevista por
Charlie Chaplin no filme Tempos
Modernos, onde a automatização
chega ocupando espaço de maneira
feroz e substituindo homens por
máquinas. Mas o mundo da
tecnologia pendura plaquetas:
precisa-se de gente. Pessoal
qualificado. Que domine vários
idiomas. Sim, porque falar
inglês é básico para eles. E
que esteja disposto a ralar
muito. Os profissionais da
informática podem sofrer de
tendinite, insônia e stress, mas
o setor ainda não se preocupa
com o mal crônico desses
"tempos modernos": o
desemprego.
Nos Estados
Unidos, a renda média de um
profissional de tecnologia da
informação é duas vezes maior
que a média nacional. Por aqui,
não há estatísticas, mas a
realidade não destoa muito
disso. Tanto que, cientes do
privilégio, cada vez mais
pessoas escolhem os cursos de
computação na hora do
vestibular. Elas estão
distribuídas entre as três
instituições de ensino superior
que disponibilizam a opção em
Pernambuco. Ou num dos cursos
rápidos existentes. E vem
novidade por aí. Visando gerar
uma mão-de-obra bem qualificada
e de maneira mais ágil que uma
faculdade, o Núcleo de
Processamento de Dados (NPD) da
Universidade Federal de
Pernambuco (UFPE) inaugura, ainda
esse ano, um curso de
informática com um ano de
duração, aberto a todos que já
concluíram o segundo grau.
Mas nem tudo é
sonho. Digitadores e
programadores que pararam no
tempo perderam o emprego. Mas
não param de surgir novas
funções e há promessas de mais
melhoras pela frente. Gente como
Cláudio Marinho, diretor do
Centro de Tecnologia de Software
para Exportação do Recife
(Softex Recife), com anos de
experiência, afirma
categoricamente: vai sobrar vaga
no mercado. Ter um PC em casa já
é o principal sonho de consumo
da classe média, deixando para
trás os eletrodomésticos e
aparelhos de som e TV. A rede
mundial de computadores, que já
absorveu um batalhão de
trabalhadores, só tende a
crescer.
Democrática
por excelência, a profissão
está aberta a gregos, troianos e
quem mais se interessar. Como
não há obrigatoriedade de
diploma, até a bodega da esquina
se diz prestadora de serviços de
informática. Cabe ao consumidor
procurar bastante, pechinchar e
se proteger. Os profissionais
mais seguros de si não se
incomodam com esse tipo de
concorrência. Dizem que só fica
quem é realmente bom. E que uma
eventual regulamentação seria
prejudicial porque expulsaria
técnicos que, apesar de muito
competentes, não têm formação
superior.
Às vesperas de
mais um Dia do Trabalho, o JC faz
um levantamento de como está o
mercado de informática. Para
isso, ouviu analistas, técnicos,
estudantes e pessoas que fazem da
tecnologia da informação o seu
dia-a-dia. O resultado está ao
longo de todo o Caderno.