MERCADO DE TRABALHO VII
Pernambucanos discordam da
obrigatoriedadeA polêmica da
regulamentação se estende entre
os profissionais da área, que,
em sua maioria, revelam-se contra
o projeto de lei do deputado
Silvio Abreu (PDT-MG). Para o
presidente do Grupo Elógica,
Belarmino Alcoforado, a
exigência do diploma é
completamente desnecessária.
Segundo ele, não é o documento
que vai tornar um profissional
competente.
"Se o
projeto for aprovado, vamos ter
que deixar de lado pessoas
autodidatas super-competentes,
capazes de executar bons
trabalhos, como o desenvolvimento
de softwares, por exemplo,
simplesmente por não serem
portadoras do diploma, isso seria
injusto", argumenta.
Ele diz ainda
que a informática, muito em
breve, vai estar tão incorporada
ao dia-a-dia das pessoas como uma
simples caneta está hoje.
"Sou favorável à
exigência do diploma em áreas
que mexem com a vida de outras
pessoas, como medicina, química
ou engenharia. Esses sim, devem
ser punidos pela lei se fizerem
besteira", teoriza
Alcoforado. Para ele, no caso dos
informatas, quem executar mal o
seu trabalho, certamente vai ser
excluído pelo mercado, cada vez
mais globalizado e competitivo.
"Isso já não é
suficiente?", questiona.
DEMOCRÁTICO
- Silvio Meira, presidente da
Sociedade Brasileira de
Computação (SBC), é outro que
se diz contra a regulamentação
da profissão. Ele dá graças a
Deus pela estagnação dos
projetos no Congresso.
"Todos os que entraram em
votação foram vetados, isso
quando não chegaram a ser
arquivados", comemora.
Para Silvio
Meira, qualquer um pode
desenvolver softwares com
competência: médicos,
advogados, engenheiros,
estudantes. "Existe espaço
para todos. O mercado é que vai
avaliar quem realmente é bom.
Só os melhores são absorvidos,
por isso, não acredito que o
diploma vá fazer diferença.
Talento e disciplina é que são
essenciais nesse setor. Muita
regulamentação só
atrapalha", diz.
COMPETÊNCIA
- O coordenador do curso de
Ciência da Computação da
Universidade Federal de
Pernambuco (UFPE), Fernando
Fonseca, também acredita que o
que vai garantir a sobrevivência
dos informatas no mercado é a
sua competência, independente do
diploma ou de registro no
Ministério do Trabalho. "O
curso oferecido na UFPE trabalha
muito bem o futuro profissional.
Isso já é o suficiente. O resto
é perda de tempo", explica.
Há ainda os
que são ainda mais categóricos.
Como José Antônio Monteiro de
Queiroz, professor do
Departamento de Informática (DI)
da Universidade Federal de
Pernambuco (UFPE). Para ele,
exigir diploma é uma situação
de risco, uma vez que muitos
profissionais competentes seriam
excluídos do mercado junto com
os não-diplomados. (H.G.)