- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 29 de abril de 1998

MERCADO DE TRABALHO VIII

Passado não nega a fama do Estado

por ROBERTA RÊGO
roberta@jc.com.br

Mesmo estando no Nordeste, que ainda não se livrou do estigma de região atrasada, Pernambuco tem um Departamento de Informática (DI), em sua Universidade Federal, que é considerado um dos melhores do País. A cidade também produz software feito "gente grande". E não está muito longe de "domar" a técnica de comercialização de seus produtos.

A história do Estado em meio à evolução tecnológica não nega a fama que Pernambuco ostenta hoje. A primeira iniciativa foi tomada - pasmem! - em 1939, quando a Prefeitura do Recife importou um sistema para administração da folha de pagamento de seus funcionários, conhecido como Hollerith.

Em 1967, já abrigava sua primeira empresa especializada em processamento eletrônico de dados, a Equipe, Planejamento e Assessoria. Um dos primeiros computadores a ser produzido no Brasil nasceu aqui mesmo, na década de 70. Foi o Corisco, que tinha como marca um chapéu de couro. É verdade que a iniciativa não durou muito. Mas, pelo menos, serviu de lição.

Mesmo assim, quem entra hoje num dos laboratórios do DI tem dificuldade em imaginar o tempo em que a instituição comprou seu primeiro computador, um IBM 1130, em 1967. A máquina era especialmente fabricada para fazer cálculos matemáticos, mas era usada para prestar serviços administrativos à universidade.

José Antônio Monteiro de Queiroz, o Zeque, lembra claramente desses dias. Ele estava incluído entre meia dúzia de estudantes de engenharia recrutados pela empresa Burroughr (atualmente Unisys) para se transformar em mão-de-obra especializada em informática. "Não havia ainda escolas superiores de informática. Foi quando começou a necessidade de se formar profissionais para a nova área", recorda.

Queiroz afirma que as pessoas que iniciaram a carreira junto com ele - foi justamente essse grupo que fincou as bases do DI - se dividiram entre os diversos segmentos da informática. Uma parte do grupo seguiu carreira acadêmica, outra foi para o mercado, desenvolver sistemas ou desempenhar outras atividades semelhantes.

No caso de Queiroz, a escolha foi completamente acadêmica, tanto que ele é hoje professor de informática do DI e vice diretor do Núcleo de Processamento de Dados (NPD) da UFPE. Enquanto estudava, Queiroz monitorava o ensino da informática na universidade. E terminou por fazer um mestrado no Rio Grande do Sul e um doutorado na França, ambos em informática.

Mas num fator, todos coincidem: estão muito bem posicionados profissionalmente, ocupando cargos relevantes. Ou seja, não houve evolução veloz que segurasse um grupo de pessoas interessadas em crescer profissionalmente.


 

 

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