MERCADO DE TRABALHO VIII
Passado não nega a fama do
Estado por ROBERTA RÊGO
roberta@jc.com.br
Mesmo estando
no Nordeste, que ainda não se
livrou do estigma de região
atrasada, Pernambuco tem um
Departamento de Informática
(DI), em sua Universidade
Federal, que é considerado um
dos melhores do País. A cidade
também produz software feito
"gente grande". E não
está muito longe de
"domar" a técnica de
comercialização de seus
produtos.
A história do
Estado em meio à evolução
tecnológica não nega a fama que
Pernambuco ostenta hoje. A
primeira iniciativa foi tomada -
pasmem! - em 1939, quando a
Prefeitura do Recife importou um
sistema para administração da
folha de pagamento de seus
funcionários, conhecido como
Hollerith.
Em 1967, já
abrigava sua primeira empresa
especializada em processamento
eletrônico de dados, a Equipe,
Planejamento e Assessoria. Um dos
primeiros computadores a ser
produzido no Brasil nasceu aqui
mesmo, na década de 70. Foi o
Corisco, que tinha como marca um
chapéu de couro. É verdade que
a iniciativa não durou muito.
Mas, pelo menos, serviu de
lição.
Mesmo assim,
quem entra hoje num dos
laboratórios do DI tem
dificuldade em imaginar o tempo
em que a instituição comprou
seu primeiro computador, um IBM
1130, em 1967. A máquina era
especialmente fabricada para
fazer cálculos matemáticos, mas
era usada para prestar serviços
administrativos à universidade.
José Antônio
Monteiro de Queiroz, o Zeque,
lembra claramente desses dias.
Ele estava incluído entre meia
dúzia de estudantes de
engenharia recrutados pela
empresa Burroughr (atualmente
Unisys) para se transformar em
mão-de-obra especializada em
informática. "Não havia
ainda escolas superiores de
informática. Foi quando começou
a necessidade de se formar
profissionais para a nova
área", recorda.
Queiroz afirma
que as pessoas que iniciaram a
carreira junto com ele - foi
justamente essse grupo que fincou
as bases do DI - se dividiram
entre os diversos segmentos da
informática. Uma parte do grupo
seguiu carreira acadêmica, outra
foi para o mercado, desenvolver
sistemas ou desempenhar outras
atividades semelhantes.
No caso de
Queiroz, a escolha foi
completamente acadêmica, tanto
que ele é hoje professor de
informática do DI e vice diretor
do Núcleo de Processamento de
Dados (NPD) da UFPE. Enquanto
estudava, Queiroz monitorava o
ensino da informática na
universidade. E terminou por
fazer um mestrado no Rio Grande
do Sul e um doutorado na França,
ambos em informática.
Mas num fator,
todos coincidem: estão muito bem
posicionados profissionalmente,
ocupando cargos relevantes. Ou
seja, não houve evolução veloz
que segurasse um grupo de pessoas
interessadas em crescer
profissionalmente.