TENDÊNCIAS
Chegamos ao fim da Informática
de Controlepor ISMAR KAUFFMAN
Controle de
estoques, controle financeiro e
outros controles eram a tônica
dos sistemas de informações das
últimas décadas. As empresas,
particularmente as menores,
descobriam nos computadores
instrumentos perfeitos para
controlar tudo, da folha de
pagamento ao almoxarifado, da
produção às vendas. Em geral,
controla-se para reduzir despesas
e desvios, desperdícios e
má-fé. As toneladas de
formulários e mapas usadas no
passado para controlar tudo nas
empresas mais organizadas
transformam-se em frenética
corrida aos símbolos da
modernidade, os
"sistemas". Controla-se
porque se desconfia da
competência ou da honestidade ou
porque sempre se controlou.
Quantas
empresas de fato ganharam alguma
coisa com tanto controle? Não
há conclusões científicas, mas
decerto muitas ganharam apenas
irritação e custos de
informática descontrolados, com
perdão do trocadilho. Há mais
de dez anos temos prestado
serviços de desenvolvimento de
sistemas de informação e
tivemos a oportunidade de
verificar o que ocorre em muitas
empresas: após anos tentando
usar a informática para
controlar, os gerentes descobrem
que controlar é apenas a
conseqüência natural do
esforço de promoção da
qualidade e produtividade.
Então, as
empresas redirecionam sua energia
em direção a sistemas de
informação que os ajudem a
atender melhor seus clientes,
manter seu pessoal mais
satisfeito e tornar seus produtos
ou serviços mais valorizados. O
controle vem a reboque e só
assim será efetivo. Faça um
sistema para controlar e tudo
permanecerá igualmente confuso,
faça um sistema para melhorar
seus processos e os controles
serão efetivos.
Há várias
formas de concentrar o foco da
sua atenção no sistema adequado
à sua empresa. Procure sempre
perguntar ao analista de sistemas
que processos e produtos terão
maior valor após a implantação
do sistema. Porque se a
informática não adicionar
valor, por que você iria
usá-la? Mudar os processos, isto
é, a forma como as coisas são
feitas na empresa é o que tem
ocorrido normalmente, porém, as
organizações vitoriosas têm
procurado adicionar valor aos
produtos ou serviços que
oferecem aos seus clientes
através da informática. Por
exemplo, a prefeitura que oferece
informações pela Internet, o
fabricante de eletrodomésticos
que oferece manuais legíveis, o
supermercadista que oferece
terminais multimídia para o
cliente localizar o produto que
deseja.
Como um exemplo
mais concreto para ser usado na
sua empresa, observe as
administradoras de imóveis. Até
bem pouco tempo, elas só usavam
computadores para relacionar
créditos e débitos na conta de
proprietários. Hoje, com
programas mais modernos, as
imobiliárias podem oferecer
cobrança bancária aos
inquilinos, seleção de imóveis
através do computador com
fotografias digitais, extratos
ricos de informação para
proprietários e outras vantagens
para seus clientes. Enfim,
fornecem serviços de valor
adicionado, conquistando a
fidelidade dos proprietários e a
tranqüilidade para todos que
interagem com elas.
E os controles?
Ora, com os software modernos,
controlam como jamais poderiam
fazer com os sistemas mais
antigos, porque na busca da
excelência dos serviços, as
imobiliárias inevitavelmente
preocupam-se com a pontualidade,
segurança e confiabilidade das
informações que prestam aos
seus clientes. Assim como as
administradoras de locações,
todos os outros setores da
economia podem beneficiar-se
dessa nova tecnologia: a
informática de qualidade e
produtividade. O controle vem de
graça, basta escolher o software
certo.
Ismar
Kauffman - ismar@cesar.org.br - é diretor da In
Forma, empresa integrante da
Unit.