RUANDA
Kofi
Annan sabia dos massacresNAIRÓBI - Diante
da acusação de que em 1994
absteve-se de atuar para impedir
o genocídio em Ruanda, o
secretário-geral das Nações
Unidas, Kofi Annan, afirmou ontem
que "faltou vontade
política a nível local,
nacional e internacional, até
mesmo de Estados-membros com
capacidade para evitá-lo".
Annan, que
visitou Nairóbi ontem, uma das
escalas de seu giro por países
africanos, disse que "não
foi por falta de informação,
mas de decisão, e ninguém pode
negar que o mundo falhou com o
povo ruandês".
A revista The
New Yorker publicou em sua
última edição que Annan,
então chefe das operações de
paz da ONU, não atuou quando seu
subordinado em Ruanda, o militar
canadense Romeo Dallaire, o
advertiu da iminência de um
massacre. Dallaire enviou um fax
a Nova York em 11 de janeiro de
1994, três meses antes do
início do genocídio étnico de
aproximadamente 1 milhão de
tutsis e hutus moderados por
extremistas hutus.
O
secretário-geral destacou ontem
que o mais importante agora não
é discorrer sobre o que poderia
ter sido feito para que as
matanças não ocorressem,
"mas impedir que se repita
uma tragédia similar".
Para Annan, é
fundamental que a comunidade
internacional determine a melhor
forma de ajudar ao povo e ao
governo de Ruanda na tarefa de
reconstruir uma sociedade unida e
curar as feridas do passado.
Segundo a
revista, o departamento
encarregado das operações de
manutenção de paz da ONU, que
então era dirigida por Kofi
Annan, ordenou aos capacetes
azuis presentes em Ruanda que
não intervissem na questão.
Entre 500.000 e 800.000 tutsis e
hutus moderados foram
assassinados por extremistas
hutus de abril a julho de 1994.
Dallaire pediu
autorização para desmantelar os
esconderijos de armas, o que foi
negado sob pretexto de que esta
operação não estava incluída
no mandato da ONU em Ruanda.
Dallaire compartilhou esta
informação com os embaixadores
da Bélgica, França e Estados
Unidos em Ruanda, países que
também não reagiram.
O atual chefe
de gabinete de Annan, Iqbal Riza,
que em 1994 era seu adjunto no
departamento encarregado das
operações de manutenção da
paz, declarou ao New Yorker que
ele foi o responsável pela
resposta.
A revista
afirmou possuir uma cóia desta
resposta enviada também por fax
no mesmo dia.