INGLATERRA
Decisão
sobre paz depende de NetanyahuLONDRES - A
secretária de Estado americana,
Madeleine Albright, deu ao
primeiro-ministro israelense,
Benjamin Netanyahu, uma noite
para refletir sobre o futuro da
paz no Oriente Médio, depois de
um dia de intensos debates,
ontem, em Londres, que ainda não
tiveram nenhum resultado
concreto.
A secretária
realizou na noite de ontem uma
segunda e inesperada rodada de
conversações em separado com o
primeiro-ministro israelense e
com o presidente da Autoridade
Palestina (AP), Yasser Arafat,
depois que as primeiras reuniões
não produziram nenhum acordo. A
expectativa dos EUA para as
conversações noturnas - que
fizeram os líderes adiar sua
partida de Londres - não era
muito otimista.
O porta-voz do
Departamento de Estado, James
Rubin, disse que os contatos
continuariam durante a noite e
que Albright iria encontrar-se
novamente com Netanyahu hoje pela
manhã, às 7h (horário local) e
em seguida conversar com Arafat.
Já, oficiais
britânicos presentes à nova
rodada de negociações disseram
que o fato de as conversas ainda
estarem em curso eram por si só
uma fonte de esperança.
"Com base
no que vimos até agora, nosso
otimismo não é alto, mas
continuaremos trabalhando, pois
queremos muito que esses
encontros sejam decisivos",
afirmou o porta-voz de Albright,
James Rubin. "Esperamos o
melhor e estamos preparados para
o pior."
Rubin disse que
a primeira rodada de diálogo
deixou Albright "levemente
mais otimista", mas afirmou
não ter indícios suficientes de
que a segunda rodada cobriu o
buraco que restava entre
palestinos e israelenses na
principal questão em pauta: a
próxima retirada de tropas da
Cisjordânia.
Arafat quer que
Israel desocupe pelo menos mais
30% do território, mas aceitou
na semana passada um plano
americano prevendo uma retirada
de 13% ao longo de 12 semanas,
dizendo que era sua última
concessão. Netanyahu ofereceu
só 9%, mas tem indicado que pode
desocupar 11%.
MUDANDO DE
OPINIÃO - Netanyahu começou
o dia de dizendo não esperar
muito das conversações, mas,
depois da primeira reunião (de
quatro horas e meia) com
Albright, mostrou-se um pouco
mais conciliatório.
"Queremos
obter avanços e pôr um fim ao
sofrimento e ao conflito dos dois
povos", afirmou. Ele
ressaltou, porém, que qualquer
decisão sobre a retirada terá
de ser submetida ao seu gabinete
- cujos membros
ultranacionalistas reiteraram
ontem a ameaça de derrubar o
primeiro-ministro se ele devolver
mais uma parte da Cisjordânia
aos palestinos.
Arafat, ao sair
do primeiro encontro (de 90
minutos) com Albright, disse que
ainda não havia ocorrido nenhum
avanço. Horas antes, ele
lançara uma advertência a
Netanyahu. "Netanyahu terá
de arcar com a responsabilidade
pelo caos que resultará do
colapso do processo de paz, por
causa de sua atitude negativa em
relação à proposta
americana", disse o líder
palestino após um encontro
matinal com o primeiro-ministro
britânico, Tony Blair.
"Se
Netanyahu está seriamente
interessado na paz, hoje é o
dia, agora é o momento."
Sob os acordos
firmados desde 1993, Israel já
desocupou totalmente sete grandes
cidades da Cisjordânia (uma
oitava, Hebron, foi desocupada
parcialmente) e deve promover
três retiradas de áreas rurais
do território. Nenhuma destas
foi feita. Total ou parcialmente,
a Autoridade Palestina controla
27% da Cisjordânia.