-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 05 de maio de 1998

INGLATERRA
Decisão sobre paz depende de Netanyahu

LONDRES - A secretária de Estado americana, Madeleine Albright, deu ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, uma noite para refletir sobre o futuro da paz no Oriente Médio, depois de um dia de intensos debates, ontem, em Londres, que ainda não tiveram nenhum resultado concreto.

A secretária realizou na noite de ontem uma segunda e inesperada rodada de conversações em separado com o primeiro-ministro israelense e com o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, depois que as primeiras reuniões não produziram nenhum acordo. A expectativa dos EUA para as conversações noturnas - que fizeram os líderes adiar sua partida de Londres - não era muito otimista.

O porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin, disse que os contatos continuariam durante a noite e que Albright iria encontrar-se novamente com Netanyahu hoje pela manhã, às 7h (horário local) e em seguida conversar com Arafat.

Já, oficiais britânicos presentes à nova rodada de negociações disseram que o fato de as conversas ainda estarem em curso eram por si só uma fonte de esperança.

"Com base no que vimos até agora, nosso otimismo não é alto, mas continuaremos trabalhando, pois queremos muito que esses encontros sejam decisivos", afirmou o porta-voz de Albright, James Rubin. "Esperamos o melhor e estamos preparados para o pior."

Rubin disse que a primeira rodada de diálogo deixou Albright "levemente mais otimista", mas afirmou não ter indícios suficientes de que a segunda rodada cobriu o buraco que restava entre palestinos e israelenses na principal questão em pauta: a próxima retirada de tropas da Cisjordânia.

Arafat quer que Israel desocupe pelo menos mais 30% do território, mas aceitou na semana passada um plano americano prevendo uma retirada de 13% ao longo de 12 semanas, dizendo que era sua última concessão. Netanyahu ofereceu só 9%, mas tem indicado que pode desocupar 11%.

MUDANDO DE OPINIÃO - Netanyahu começou o dia de dizendo não esperar muito das conversações, mas, depois da primeira reunião (de quatro horas e meia) com Albright, mostrou-se um pouco mais conciliatório.

"Queremos obter avanços e pôr um fim ao sofrimento e ao conflito dos dois povos", afirmou. Ele ressaltou, porém, que qualquer decisão sobre a retirada terá de ser submetida ao seu gabinete - cujos membros ultranacionalistas reiteraram ontem a ameaça de derrubar o primeiro-ministro se ele devolver mais uma parte da Cisjordânia aos palestinos.

Arafat, ao sair do primeiro encontro (de 90 minutos) com Albright, disse que ainda não havia ocorrido nenhum avanço. Horas antes, ele lançara uma advertência a Netanyahu. "Netanyahu terá de arcar com a responsabilidade pelo caos que resultará do colapso do processo de paz, por causa de sua atitude negativa em relação à proposta americana", disse o líder palestino após um encontro matinal com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair.

"Se Netanyahu está seriamente interessado na paz, hoje é o dia, agora é o momento."

Sob os acordos firmados desde 1993, Israel já desocupou totalmente sete grandes cidades da Cisjordânia (uma oitava, Hebron, foi desocupada parcialmente) e deve promover três retiradas de áreas rurais do território. Nenhuma destas foi feita. Total ou parcialmente, a Autoridade Palestina controla 27% da Cisjordânia.


 
 

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