EUA
Unabomber
faz acordo e escapa da pena de
morteSACRAMENTO, EUA -
O ex-professor de matemática
conhecido como Unabomber, um
terrorista que matou três
pessoas enviando-lhes pacotes
explosivos em 18 anos, foi
condenado ontem à prisão
perpétua depois que a viúva de
uma das vítimas pediu ao juiz
que prendesse o réu "perto
do inferno".
O juiz federal
Garland Burrell condenou Theodore
Kaczynski, 55 anos, a quatro
sentenças de prisão perpétua
consecutivas, segundo o acordo
pelo qual Kaczynski se declarou
culpado para não ser julgado.
Num julgamento, provavelmente
seria considerado culpado e
condenado à morte.
Kaczynski
começou sua campanha de
atentados com ataques em
Sacramento, capital da
Califórnia. Além dos três
assassinatos, feriu gravemente
dois cientistas e em determinada
ocasião paralisou o transporte
aéreo na costa do Pacífico, em
julho de 1995.
"O
condenado cometeu crimes
indescritíveis e monstruosos
pelos quais não demonstrou o
menor remorso", disse
Burell, que advertiu que teme que
Kaczynski tente cometer outros
assassinatos se não for vigiado
de perto. Por causa dos atentados
de Kaczynski, o governo tornou
mais severas as normas de
segurança que regem agora o
envio de pacotes pelo correio e
sua remessa por avião.
Susan Mosser,
viúva de Thomas, que morreu em
sua casa em Nova Jersey depois de
abrir um pacote enviado pelo
Unabomber, pediu ao juiz que
prendesse Kaczynski "numa
cela tão profunda que, quando
morrer, já esteja perto do
inferno".
Como parte do
acordo entre as autoridades e
Kaczynski, ele se declarou
culpado dos 16 atentados
realizados pelo Unabomber entre
1978 e 1995. Ele voltou sua
campanha terrorista contra
executivos de linhas aéreas e de
agências de publicidade,
cientistas e engenheiros. Dizia
que se opunha ao avanço da
tecnologia por considerar que ela
desumaniza as pessoas. Foi
professor de matemática da
Universidade de Berkley na
Califórnia, mas se afastou da
sociedade e foi viver numa cabana
nas florestas em Montana, onde
foi preso em 1996, após ter sido
denunciado pelo próprio irmão.