-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 05 de maio de 1998


JC NEGÓCIOS
Fernando Castilho

Produção tecnológica

Região de contrastes, o Nordeste surpreende pelos cenários que pode produzir de belezas naturais a palafitas. Do uso de tecnologia de ponta para fabricar sabão em pó à produção de rapadura em moinhos iguais aos dos colonizadores, e de plantios de feijão macassar a mangas para exportação com sistemas de irrigação por gotejamento controlados por contador.

Esta semana, a mesma em que o flagelo da seca traz à Imprensa uma pauta de pelo menos 200 anos, a região surpreende de novo. Começou a ser construída, em Petrolina, a primeira fase do Sistema Integrado de Comercialização (SIC-Nordeste), um projeto de R$ 3 milhões que serão gastos na implantação de uma superestrutura de venda da produção do Vale do São Francisco, através de leilões eletrônicos interligando as Ceasas e centrais de compras de todas as grandes redes de supermercados on line.

O projeto da Associação dos Produtores e Exportadores do Vale do São Francisco (Vale Export) deve funcionar para valer em setembro, e tem um horizonte de negócios no primeiro ano de R$ 200 milhões em frutas, devendo bater em três anos meio bilhão de reais, agregado a um programa de padronização e classificação das frutas produzidas no Vale.

Primeiro começa a funcionar o leilão e depois o balcão eletrônico onde os produtores com marca poderão negociar diretamente. Depois entra o pregão de venda futura e no final Marketing Board que é a venda direta no mercado internacional em tempo real. E tudo isso ali junto da seca que a classe política insiste em não reconhecer que é a única coisa previsível na região.

Obra do Metrô

Ao contrário do que muita gente pensa, a inadimplência nem sempre é conseqüência de compras não planejadas. Recente pesquisa do grupo Unidos, empresa nacional de recuperação de créditos, feita com 20,5 mil inadimplentes em todo o Brasil, registrou que 33% dos entrevistados planejaram com antecedência a compra financiada que resultou em um comprometimento do seu orçamento. Apenas 12% afirmaram ter comprado por impulso.

Ainda entre os motivos que levaram às compras, 18% dos devedores apresentaram como justificativa a necessidade de substituir produtos já desgastados ou obsoletos. Outra razão, apresentada por 13% dos entrevistados, é a montagem de casa ou apartamento. Presentes para amigos ou parentes foi o motivo indicado por 11% dos pesquisados. O restante se dividiu entre compra para terceiros, 2,2 mil pessoas; necessidade de adquirir o produto, doenças, entre outros.

Analisar as taxas de juros também não é um hábito para o consumidor brasileiro. A grande parte dos pesquisados, 57%, escolheu um plano considerando a prestação que mais se encaixe em seu orçamento, independente dos juros que incidem sobre as parcelas. Para 19%, o cálculo dos juros também é desconsiderado. Eles somaram o valor das prestações e compararam o preço final com o valor cobrado à vista.

O que levou à escolha de determinada loja também foi alvo da pesquisa. Em nível nacional, 33% dos entrevistados responderam que o bom atendimento, em lojas onde são conhecidos pelo vendedor e não precisam mais preencher cadastro, foi fator determinante. Além disso, a pesquisa de preços foi apontada por 28% como ponto favorável a essa escolha.

No Nordeste, especificamente, foram entrevistados 4,2 mil inadimplentes. A compra programada foi apontada por 33% dos pesquisados. Para 59%, a prestação cabe no orçamento mensal e a pesquisa de preço foi feita por 34% dos entrevistados.

ICMS 1

O sistema de controle de entrada de mercadorias nas fronteiras, que barra a entrega a quem está devendo o fisco estadual até que tudo seja pago, está batendo nas indústrias. É que a Secretaria da Fazenda não permite que a indústria cancele a venda e refature a mercadoria para outro cliente em dia com o ICMS. A menos que ela pague o ICMS devido da compra em nome do cliente.

ICMS 2

O problema é como está crescendo o volume de mercadorias retidas. Algumas indústrias estão enviando representantes à Fazenda para pedir orientação sobre como recuperar o que é seu, já que muitos comerciantes simplesmente não têm como quitar os débitos atrasados. Uma das opções será a de abrir o acesso às indústrias ao cadastro dos devedores do estado para checar a venda antes.

Reciprocidade

Para que os CDL do Brasil inteiro possam colocar no Serviço de Proteação ao Crédito, os nomes dos mutuários no Sistema Financeiro da Habitação, a Caixa Econômica Federal está disposta a abrir uma linha de crédito para capital de giro para as empresas de comércio que ainda não existe. A informação é do presidente da Federação dos CDL da Bahia, Deusdeth de Souza Ribeiro Junior.

Regabofe

O governador Miguel Arraes vai levar seus colegas nordestinos para uma conversa hoje ao redor da mesa no Palácio do Campo das Princesas. Como vêm além dos dez gvernadores com assento na Sudene os ministros Paulo Paiva e Gustavo Krause, o governador agendou uma conversa na hora do almoço para que todos possam traçar um quadro no seus estados.

Alternativas

O governador Miguel Arraes autorizou a seus auxiliares a trabalharem noutras alternativas para viabilizar a antecipação dos recursos decorrentes da venda Celpe.

O ex-governador Cid Sampaio continua impossível. Ontem, por ocasião do debate no programa Supermanhã, na Radio Jornal do Commercio, ele disse que no seu governo equacionou integralmente o problema do combate à seca no estado mas que, infelizmente, tinha sido negligenciado pelos seus sucessores.

A Carteira de Trabalho está mesmo em decadência. A DRT-Pernambuco tem em seu poder nada menos que 9600 carteiras perdidas e que nunca foram procuradas por seus donos. Por isso a delegacia montou um cadastro informatizado que as pessoas podem localizar o documento em dois minutos. Mas só entrega ao dono na Avenida Agamenon Magalhães 2000, no Serviço de Emprego.

O representante do Prodetur, em Pernambuco, Amaro Queiroz, revelou semana passada, na Assembléia Legislativa que existe um saldo de R$ 50 milhões do Prodetur 1 para estado que ainda podem ser disputados pelos prefeitos dos municípios da faixa litorânea pernambucana. Mas o projeto tem que ser apresentado até o próximo dia 15.

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castilho@jc.com.br

 
 

 

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