JC
NEGÓCIOS
Fernando
Castilho
Produção
tecnológica
Região de
contrastes, o Nordeste surpreende
pelos cenários que pode produzir
de belezas naturais a palafitas.
Do uso de tecnologia de ponta
para fabricar sabão em pó à
produção de rapadura em moinhos
iguais aos dos colonizadores, e
de plantios de feijão macassar a
mangas para exportação com
sistemas de irrigação por
gotejamento controlados por
contador.
Esta semana, a
mesma em que o flagelo da seca
traz à Imprensa uma pauta de
pelo menos 200 anos, a região
surpreende de novo. Começou a
ser construída, em Petrolina, a
primeira fase do Sistema
Integrado de Comercialização
(SIC-Nordeste), um projeto de R$
3 milhões que serão gastos na
implantação de uma
superestrutura de venda da
produção do Vale do São
Francisco, através de leilões
eletrônicos interligando as
Ceasas e centrais de compras de
todas as grandes redes de
supermercados on line.
O projeto da
Associação dos Produtores e
Exportadores do Vale do São
Francisco (Vale Export) deve
funcionar para valer em setembro,
e tem um horizonte de negócios
no primeiro ano de R$ 200
milhões em frutas, devendo bater
em três anos meio bilhão de
reais, agregado a um programa de
padronização e classificação
das frutas produzidas no Vale.
Primeiro
começa a funcionar o leilão e
depois o balcão eletrônico onde
os produtores com marca poderão
negociar diretamente. Depois
entra o pregão de venda futura e
no final Marketing Board que é a
venda direta no mercado
internacional em tempo real. E
tudo isso ali junto da seca que a
classe política insiste em não
reconhecer que é a única coisa
previsível na região.
Obra do
Metrô
Ao contrário
do que muita gente pensa, a
inadimplência nem sempre é
conseqüência de compras não
planejadas. Recente pesquisa do
grupo Unidos, empresa nacional de
recuperação de créditos, feita
com 20,5 mil inadimplentes em
todo o Brasil, registrou que 33%
dos entrevistados planejaram com
antecedência a compra financiada
que resultou em um
comprometimento do seu
orçamento. Apenas 12% afirmaram
ter comprado por impulso.
Ainda entre os
motivos que levaram às compras,
18% dos devedores apresentaram
como justificativa a necessidade
de substituir produtos já
desgastados ou obsoletos. Outra
razão, apresentada por 13% dos
entrevistados, é a montagem de
casa ou apartamento. Presentes
para amigos ou parentes foi o
motivo indicado por 11% dos
pesquisados. O restante se
dividiu entre compra para
terceiros, 2,2 mil pessoas;
necessidade de adquirir o
produto, doenças, entre outros.
Analisar as
taxas de juros também não é um
hábito para o consumidor
brasileiro. A grande parte dos
pesquisados, 57%, escolheu um
plano considerando a prestação
que mais se encaixe em seu
orçamento, independente dos
juros que incidem sobre as
parcelas. Para 19%, o cálculo
dos juros também é
desconsiderado. Eles somaram o
valor das prestações e
compararam o preço final com o
valor cobrado à vista.
O que levou à
escolha de determinada loja
também foi alvo da pesquisa. Em
nível nacional, 33% dos
entrevistados responderam que o
bom atendimento, em lojas onde
são conhecidos pelo vendedor e
não precisam mais preencher
cadastro, foi fator determinante.
Além disso, a pesquisa de
preços foi apontada por 28% como
ponto favorável a essa escolha.
No Nordeste,
especificamente, foram
entrevistados 4,2 mil
inadimplentes. A compra
programada foi apontada por 33%
dos pesquisados. Para 59%, a
prestação cabe no orçamento
mensal e a pesquisa de preço foi
feita por 34% dos entrevistados.
ICMS 1
O sistema de
controle de entrada de
mercadorias nas fronteiras, que
barra a entrega a quem está
devendo o fisco estadual até que
tudo seja pago, está batendo nas
indústrias. É que a Secretaria
da Fazenda não permite que a
indústria cancele a venda e
refature a mercadoria para outro
cliente em dia com o ICMS. A
menos que ela pague o ICMS devido
da compra em nome do cliente.
ICMS 2
O problema é
como está crescendo o volume de
mercadorias retidas. Algumas
indústrias estão enviando
representantes à Fazenda para
pedir orientação sobre como
recuperar o que é seu, já que
muitos comerciantes simplesmente
não têm como quitar os débitos
atrasados. Uma das opções será
a de abrir o acesso às
indústrias ao cadastro dos
devedores do estado para checar a
venda antes.
Reciprocidade
Para que os CDL
do Brasil inteiro possam colocar
no Serviço de Proteação ao
Crédito, os nomes dos mutuários
no Sistema Financeiro da
Habitação, a Caixa Econômica
Federal está disposta a abrir
uma linha de crédito para
capital de giro para as empresas
de comércio que ainda não
existe. A informação é do
presidente da Federação dos CDL
da Bahia, Deusdeth de Souza
Ribeiro Junior.
Regabofe
O governador
Miguel Arraes vai levar seus
colegas nordestinos para uma
conversa hoje ao redor da mesa no
Palácio do Campo das Princesas.
Como vêm além dos dez
gvernadores com assento na Sudene
os ministros Paulo Paiva e
Gustavo Krause, o governador
agendou uma conversa na hora do
almoço para que todos possam
traçar um quadro no seus
estados.
Alternativas
O governador
Miguel Arraes autorizou a seus
auxiliares a trabalharem noutras
alternativas para viabilizar a
antecipação dos recursos
decorrentes da venda Celpe.
O ex-governador
Cid Sampaio continua impossível.
Ontem, por ocasião do debate no
programa Supermanhã, na Radio
Jornal do Commercio, ele disse
que no seu governo equacionou
integralmente o problema do
combate à seca no estado mas
que, infelizmente, tinha sido
negligenciado pelos seus
sucessores.
A Carteira de
Trabalho está mesmo em
decadência. A DRT-Pernambuco tem
em seu poder nada menos que 9600
carteiras perdidas e que nunca
foram procuradas por seus donos.
Por isso a delegacia montou um
cadastro informatizado que as
pessoas podem localizar o
documento em dois minutos. Mas
só entrega ao dono na Avenida
Agamenon Magalhães 2000, no
Serviço de Emprego.
O representante
do Prodetur, em Pernambuco, Amaro
Queiroz, revelou semana passada,
na Assembléia Legislativa que
existe um saldo de R$ 50 milhões
do Prodetur 1 para estado que
ainda podem ser disputados pelos
prefeitos dos municípios da
faixa litorânea pernambucana.
Mas o projeto tem que ser
apresentado até o próximo dia
15.
E-mail:
castilho@jc.com.br
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