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JOELMIR
BETTING
Caçapa
cantada
A
desaceleração da economia,
baixada por decreto em novembro,
entrou em reversão em março e
abril. Era o que a coluna cantou
ainda em novembro, tempo de
sinistrose nacional bruta. A
duplicação dos juros e o pacote
fiscal de reparação dos
estragos dos juros (na dívida
pública) fizeram a festa do
terrorismo econômico incrustrado
na mídia coisa-preta, aqui
dentro e lá fora. Em tom
cavernoso, cartomantes recheadas
de álgebra anunciaram "a
pior recessão brasileira de
todos os tempos" na
travessia de 1998, ano de
(re)eleição do tucanato
sadomasoquista.
E deu no que
está dando. O mundo não acabou
antes do Natal e o Brasil não
foi a pique após o carnaval.
Pelo indicador das reservas
internacionais, escapamos do
colapso cambial anunciado por
Dornbusch & cia. Estamos
sentados sobre reservas que se
aproximam de US$ 75 bilhões
agora em maio, já na base
mineira do "se melhorar,
estraga". E o famigerado
"déficit externo em
transações correntes",
popularizado em conversas de
taxistas e de barbeiros, está em
retração e não em explosão.
Ah! A taxa básica de juros, com
nova redução agora em maio,
pode ficar abaixo da taxa média
de abril a outubro do ano
passado. Que tal?
Os mesmos
profetas da catástrofe refazem
previsões juradas fortes antes
do Natal. Alguns já arriscam uma
expansão de "até 2%"
para o PIB deste ano. Antes,
apontavam para uma recessão de
"até 3%". Esta coluna
repete a aposta de novembro: o
PIB pode emplacar 2% no primeiro
semestre e 4% no segundo,
repetindo a marca gregoriana do
ano passado: 3%. Com inflação
também de 3%. A menor desde
1942.
Eis a questão:
tomaram como demanda cancelada o
que não passava de demanda
protelada. Indicadores de
conjuntura apurados pela Fiesp,
divulgados ontem pelo Estado,
revelam crescimento de 4% na
atividade industrial de março -
sobre fevereiro. E o melhor:
crescimento de 5,1% sobre março
do ano passado.
Termômetro do
desempenho industrial, o ramo de
embalagens, liderado pelo
papelão ondulado, volta a operar
no limite da capacidade
instalada, informa o
vice-presidente da Fiesp, Roberto
Nicolau Jeha. As vendas deste ano
já estão 11% acima do primeiro
quadrimestre do ano passado.
Tradução: vem reaquecimento
industrial pela proa de 1998.
No mercado de
bens duráveis de consumo,
tripulado por automóveis e
eletrodomésticos, as vendas
começaram a reagir em março e
mantiveram o pique em abril.
Negócios movidos a crediário?
Pois o Banco Pontual, que
acompanha a inadimplência em
todo o varejo, com metodologia
própria, avisa aos comerciantes
que o atraso vem refluindo desde
o Natal. Ou do índice 18,2%, em
janeiro, para 9,1%, em abril.
Equívoco
Os juros
duplicaram na base, em 31 de
outubro, mas não na ponta.
Simplesmente porque, na ponta de
quem toma crédito para giro,
produção ou consumo, as taxas
não se lembraram de baixar antes
da chantagem emocional importada
da Ásia.
Resultado
1
Os juros
subiram menos de um décimo na
tomada de empréstimos. Sem
recessão "brutal",
ora, pois.
Equívoco
2
O danado do
pacote fiscal, feito de duas
unidades de aumento de impostos
para cada unidade de redução de
gastos, não passou de 1,7% do
PIB (no bolso do setor privado).
Portanto, sem massa crítica para
afundar o PIB no brejo.
Resultado
2
O que travou o
mercado foi justamente o erro de
percepção da maioria dos
chamados formadores de opinião.
Paul Samuelson tem razão.
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