-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 05 de maio de 1998


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Regina Pitóscia

Bolsas recuam com realização de lucros

O mercado de ações não resistiu às vendas para realização de lucros e fechou o primeiro pregão da semana e também do mês em baixa. A Bolsa de São Paulo interrompeu três pregões positivos seguidos, quando acumulou rentabilidade de 5,61%, e encerrou o dia com queda de 1,46%. O movimento financeiro, de R$ 709,580 milhões.

Após abrir o pregão em alta e avançar 0,96%, as bolsas inverteram a mão, sem levar em conta a continuidade de valorização do mercado de Nova York. Na ausência de razões convincentes como justificativa, operadores atribuíram a baixa dos pregões às especulações sobre o atraso no programa de privatização de Telebrás. Entre outros motivos, pela possível enxurrada de ações judiciais contra a venda, que poderia ser postergada também para que se obtenha maior valor pela estatal.

A primeira das ações, com liminar já concedida, foi obtida pelo Ministério Público e suspendeu a assembléia geral que definiria a cisão do sistema Telebrás em 12 empresas para a privatização. O governo contra-atacou, ontem, pedindo a derrubada da liminar ao Tribunal Regional Federal (TRF) e espera a resposta para hoje.

Provocaram mal-estar no mercado também dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional que apontam agravamento do déficit público nos últimos 12 meses, até fevereiro. As contas pioraram em todos os conceitos que medem a necessidade de financiamento do setor público, desde o primário até o nominal: o primeiro desconta juros e correção, incluídos no conceito mais amplo, o nominal. A necessidade de financiamento é o rombo, o valor da despesa que ultrapassa a receita e precisa ser financiado, com emissão de moeda ou de títulos.

A ampliação do rombo das contas públicas frustra expectativas criadas pelo pacote fiscal de novembro e de redução mais acelerada das taxas de juros que crie condições para uma retomada do crescimento econômico. Quase sempre, juros elevados não combinam com alta das ações, seja porque inibe a atividade econômica, seja porque atraem investidores para aplicações de renda fixa.

Ouro
Fechamento: R$ 11,40
Variação: estável

O ouro movimentado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fechou com preço estável em relação ao de quinta-feira, cotado por R$ 11,40 o grama. O volume negociado foi de 195 kg. No mercado de Nova York, na Commodity Exchange (Comex), a onça-troy de ouro (31,104 gramas) foi cotada por US$ 304,03 nos contratos com vencimento em junho.

Bolsas
São Paulo: baixa de 1,46%
Volume: R$ 709,580 milhões
Rio de Janeiro: baixa de 2,03
Volume: R$ 530 milhões

Os investidores iniciaram maio vendendo ações para embolsar os ganhos obtidos nos três últimos pregões de abril. A preocupação de assegurar rapidamente lucros, em dia de alta da Bolsa de Nova York, traduz um quadro de incertezas, entre outros, com o cumprimento do calendário de privatização de Telebrás, o andamento de votação da reforma previdenciária e o descontrole dos gastos públicos. A ação preferencial nominativa (PN) de Telebrás apurou desvalorização de 1,65%, cotada por R$ 137,30 o lote de mil. A maior baixa entre as blue chips foi a de Petrobrás PN, cotada por R$ 280,00, com desvalorização de 3,45%. A ausência de fatos novos, aliás, tende a fazer com que o investidor venda ações tão logo obtenha alguma valorização. A valorização da Bolsa de Nova York, em princípio favorável à alta das ações, não foi suficiente para dar sustentação aos mercados domésticos. A perspectiva de uma elevação imediata das taxas de juros parece desconsiderada, mas existe certo temor de fortes quedas na Bolsa nova-iorquina depois de uma seqüência de valorizações praticamente contínuas. Entre as 54 ações que formam o Índice Bovespa (IBovespa), as maiores altas foram Cosipa PNB, 14,2%; Aracruz PNB, 5%; LightPar ON, 2,8%; Cia. Siderúrgica Nacional ON e Klabin PN, 2,7%. As maiores baixa, EMAE PN, 13,9%; Ericsson PN, 8,6%; Banco do Brasil ON, 6,3%; Paranapanema PN, 6,1%; e Cesp PN, 5,9%.

 
 

 

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