SUCESSÃO IV
Eduardo
Campos não aceita cobranças do
PTDa Sucursal
BRASÍLIA -
"O PSB vem priorizando os
partidos que se encontram no
campo progressista, aqueles com
os quais tem mais afinidade. Mas
não pode excluir, sob qualquer
pretexto, legendas que queiram
ingressar na Frente
Popular". Foi o que disse
ontem o deputado federal Eduardo
Campos (PSB), ao comentar a
reação do PT, que descarta
fazer parte da Frente Popular
junto com o PPB de Paulo Maluf. O
governador Miguel Arraes vem
costurando uma aliança com os
malufistas, que passaria, segundo
o JC apurou, pela indicação de
um pepebista para o primeiro
escalão do Governo estadual, e
de socialistas para a Prefeitura
de Jaboatão, administrada por
Newton Carneiro (PPB).
Ao ser
questionado sobre a reação do
PT, Eduardo Campos disse que
"os petistas não podem
impor condições de qualquer
ordem, no processo de
negociação". E mais:
"O PT só terá condições
de se manifestar, a respeito das
articulações na Frente Popular,
depois que definir sua posição,
inclusive em relação ao quadro
nacional".
Já o deputado
Joca Colaço (PSB) acha que a
primeira alternativa eleitoral de
seu partido é a reedição da
Frente Popular, que em 94 elegeu
o governador Miguel Arraes com o
apoio dos partidos de esquerda.
Na opinião dele, "não só
ideologicamente, mas também
eleitoralmente, essa é a opção
mais viável". Mas a
aliança com o PPB, segundo
Colaço, não está descartada.
"Apesar de ser um pouco
estranha uma coligação entre o
governador Arraes e o
ex-governador Paulo Maluf, devido
às suas diferenças
ideológicas, essa possibilidade
não está totalmente
afastada".
Para o deputado
Fernando Lyra (PSB), a questão
da afinidade ideológica não
está em jogo, neste momento de
negociações em torno das
coligações. Na opinião dele,
em um Estado como Pernambuco,
onde a política é bipolarizada
e não existe, na prática, uma
terceira via, "é quase
impossível pensar numa aliança
ideologicamente homogênea".
Lyra entende
que a realização simultânea de
eleições para presidente da
República e governador cria a
falsa expectativa de que as
alianças nacionais
necessariamente se refletirão
nos planos estaduais.
"Acontece que isso nem
sempre é verdade, e não se pode
cobrar que os Estados, com suas
peculiaridades políticas
próprias, copiem fielmente o que
acontece no cenário nacional. A
lógica é outra", afirmou.