- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 05 de maio de 1998

SUCESSÃO IV
Eduardo Campos não aceita cobranças do PT

Da Sucursal

BRASÍLIA - "O PSB vem priorizando os partidos que se encontram no campo progressista, aqueles com os quais tem mais afinidade. Mas não pode excluir, sob qualquer pretexto, legendas que queiram ingressar na Frente Popular". Foi o que disse ontem o deputado federal Eduardo Campos (PSB), ao comentar a reação do PT, que descarta fazer parte da Frente Popular junto com o PPB de Paulo Maluf. O governador Miguel Arraes vem costurando uma aliança com os malufistas, que passaria, segundo o JC apurou, pela indicação de um pepebista para o primeiro escalão do Governo estadual, e de socialistas para a Prefeitura de Jaboatão, administrada por Newton Carneiro (PPB).

Ao ser questionado sobre a reação do PT, Eduardo Campos disse que "os petistas não podem impor condições de qualquer ordem, no processo de negociação". E mais: "O PT só terá condições de se manifestar, a respeito das articulações na Frente Popular, depois que definir sua posição, inclusive em relação ao quadro nacional".

Já o deputado Joca Colaço (PSB) acha que a primeira alternativa eleitoral de seu partido é a reedição da Frente Popular, que em 94 elegeu o governador Miguel Arraes com o apoio dos partidos de esquerda. Na opinião dele, "não só ideologicamente, mas também eleitoralmente, essa é a opção mais viável". Mas a aliança com o PPB, segundo Colaço, não está descartada. "Apesar de ser um pouco estranha uma coligação entre o governador Arraes e o ex-governador Paulo Maluf, devido às suas diferenças ideológicas, essa possibilidade não está totalmente afastada".

Para o deputado Fernando Lyra (PSB), a questão da afinidade ideológica não está em jogo, neste momento de negociações em torno das coligações. Na opinião dele, em um Estado como Pernambuco, onde a política é bipolarizada e não existe, na prática, uma terceira via, "é quase impossível pensar numa aliança ideologicamente homogênea".

Lyra entende que a realização simultânea de eleições para presidente da República e governador cria a falsa expectativa de que as alianças nacionais necessariamente se refletirão nos planos estaduais. "Acontece que isso nem sempre é verdade, e não se pode cobrar que os Estados, com suas peculiaridades políticas próprias, copiem fielmente o que acontece no cenário nacional. A lógica é outra", afirmou.


     

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