PRECATÓRIOS
Polícia
Federal pede a prisão de Maluf e
PittaSÃO PAULO -
Depois de dez meses de
investigação, a Polícia
Federal encerrou ontem o
inquérito que apurou as
suspeitas de irregularidades na
emissão de títulos públicos
(precatórios) pela Prefeitura de
São Paulo e indiciou o
ex-prefeito Paulo Maluf e seu
afilhado político, o atual
prefeito Celso Pitta, na época
secretário municipal de
Finanças. Além de enquadrá-los
por falsidade ideológica e uso
de documentos falsos - com o fim
de solicitar autorização para
emitir títulos em volume
superior às dívidas judiciais -
o delegado Gilberto Aparecido
Américo no relatório do
inquérito ainda pede a prisão
temporária dos dois, caso o
Ministério Público e a Justiça
Federal desejem ouvi-los numa
eventual ação penal.
Em mais de 30
anos de vida pública, esta é a
primeira vez que Maluf é
indiciado criminalmente - suas
outras pendências com a Justiça
estão relacionadas a acusações
de irregularidades
administrativas. Agora, ele e
Pitta, mais o ex-diretor da
Dívida Pública da Prefeitura de
São Paulo Wagner Batista Ramos e
Maria Helena Moreira Cella,
assessora do mesmo departamento,
foram enquadrados com base no
Código Penal - artigos 299
(falsidade ideológica) e 304
(uso de documentos falsos). Se a
ação penal for instaurada, os
quatro podem ser condenados a
penas que variam de dois a dez
anos de reclusão. Maluf e Pitta
informaram, através de suas
assessorias, que só falam sobre
o assunto depois que forem
oficialmente citados pela
Justiça.
O delegado
Américo, da Delegacia de
Polícia de Combate ao Crime
Organizado e Inquéritos
Especiais (Delecoie), fez o
indiciamento indireto depois de
sucessivas tentativas de
intimá-los.
Citando um
levantamento do Tribunal de
Contas do Município (TCM), o
delegado registra que em 1995 a
Prefeitura emitiu R$ 947,4
milhões e pagou em precatórios
R$ 32,1 milhões. O desvio teria
sido de R$ 915,3 milhões.