SECA III
Stédile
faz a apologia aos saques durante
congresso de jornalistasO fundador do Movimento
Nacional dos Sem-Terra, João
Pedro Stédile, fez uma apologia
aos saques a feiras e
supermercados, ontem, durante
palestra no 23º Congresso
Mundial de Jornalistas, no
Recife. "A fome dá o
direito ao homem de lutar pela
vida e o direito de se apoderar
do que comer", disse
Stédile, apontando o Governo
como o maior promotor dos saques.
"Se há comida, o Governo
tem de dar comida. E eu botaria o
Exército para distribuir a
comida em vez de proteger os
depósitos", disse,
arrancando aplausos da platéia,
formada em sua maioria por
estudantes.
O povo do
Nordeste tem tradição de
saques. A única novidade é a
igreja estar abençoando, mas
isso é porque os bispos estão
se dando conta de que a fome dá
direitos ao homem de
sobreviver", acentuou o
fundador do MST. Segundo ele,
"em 1997, quando eu não era
tão radical, já dizia aos
excluídos que não havia outra
saída senão se organizar".
Não esperem
pelo Governo. Ocupem fábricas,
invadam os shoppings -
principalmente os bem grandes e
bonitos -, foi que eu disse
naquela época, mas com 9
milhões de pessoas morrendo de
fome, não é preciso dizer mais
nada", completou. Falando em
tom exaltado, ele condenou o
modelo econômico brasileiro e o
presidente FHC ("queria que
ele ficasse pelo Ceará e não
voltasse mais"), e defendeu
a candidatura de Lula à
presidência do Brasil.
ESTANDE -
Fotografias de trabalhadores do
campo, artefatos em barro de
Caruaru, camisas, bonés, além
de muitos jornais, livros e
revistas sobre a luta pela terra
no país. É o que está em
exposição no estande montado
pelo MST no Centro de
Convenções de Pernambuco desde
o último domingo, durante o
XXIII Congresso Internacional dos
Jornalistas.