CAPRI II
Local
foi base política do império
romanoNinguém imaginava que
uma porção
"revoltada" de 11
quilômetros quadrados de rocha
que se separou da península
sorrentina, há milhões de anos,
e deslocou-se 5 quilômetros mar
adentro, iria se tornar um lugar
tão charmoso. Nem os fenícios,
que usaram a ilha para suas
escalas comerciais, nem os
gregos, que a transformaram numa
colônia, no auge da cultura
helênica.
Talvez os
romanos - que a
"redescobriram" e foram
responsáveis pelo primeiro surto
de desenvolvimento, entre 29 a.C.
e 37 d.C. - já desconfiassem que
aquela não era uma ilha à-toa.
Capri chegou a ser o centro
político do império romano,
quando Tibério adotou o local
para passar os seus últimos anos
como imperador. Seu meio de
comunicação mais rápido com o
continente era a Torre de Faro,
que emitia sinais de fumaça ou
de fogo. Um terremoto derrubou o
monumento alguns anos depois de
sua morte. No século 17, ele foi
reconstruído para servir de
sinalização aos barcos.
Provavelmente, o seu guia
improvisado vai lhe mostrar as
ruínas, que ainda estão lá,
embora esteja desativado.
Foi no século
passado que Capri finalmente
transformou-se em destino
turístico internacional. O
médico e escritor sueco Axel
Munthe foi seduzido pelo que
chamou de "clima
onírico" do lugar e lá
mesmo ficou, tratando de difundir
a ilha como balneário perfeito
em seu país. Sua casa, chamada
de Vila de San Miguel, é, hoje,
mantida pelo governo sueco para
servir de local de intercâmbio
entre a elite cultural de seu
país e a italiana. Ela é,
também, ponto de visitação
turística de Capri.
Alguns
milionários americanos seguiram
os passos de Munthe e têm suas
mansões charmosamente instaladas
na beira de penhascos, dezenas de
metros acima do quebrar das
ondas. Eles foram atraídos,
sobretudo, por artistas famosos
dos anos 50 e 60, que elegeram os
17 quilômetros de praia de Capri
para bronzear seus corpos.
MOVIMENTO -
Esse intenso movimento, até
então estranho para o seu
guia-ilhéu e para a maioria dos
outros 11.999 capriotas, acabou
dando ao acanhado comércio local
um nível invejável, comparado a
outros centros comerciais
italianos. Lojinhas apertadas em
ruas mais apertadas ainda vendem
grifes famosas. Vocês
provavelmente vão almoçar num
dos inúmeros restaurantes, bares
e fast foods da região e ouvirá
falar de boates que atendem todos
os gostos e transbordam de
turistas, principalmente no
verão.
A essa altura,
você já vai estar entendendo
porque os turistas são tão bem
tratados pelos habitantes. São
eles os principais responsáveis
pelo nível de desenvolvimento
que a ilha apresenta. Esse
progresso, por exemplo, facilitou
a ida de Anacapri (cidade mais
residencial e montanhosa e menos
movimentada) de Capri (a capital,
mais litorânea e central). Para
os turistas em geral, pouco
interessa esse detalhe. Assim
como Olinda e Recife, ambas são
como duas lindas irmãs siamesas
dispostas a seduzir o turista.
Antes, o único
acesso por terra até Anacapri
era feito através de uma
escadaria de 800 degraus,
construída pelos fenícios, e
dos quais só restam 159. Hoje,
os visitantes chegam até lá por
uma vertiginosa estrada que é a
diversão dos motoristas de
táxis e dos microônibus (a
licença para circulação de
veículos só é dada aos
moradores). É que eles adoram
olhar pelo retrovisor interno e
ver o medo estampado na cara dos
turistas com as manobras
arriscadas beirando as encostas
ou com as ultrapassagens de
veículos em sentidos contrários
nos trechos mais estreitos que
parecem ter sido milimetricamente
ensaiadas. (S.R.L.)