- - - -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 30 de abril de 1998

CAPRI III
A preferida dos artistas e piratas

Conversando com os capriotas você descobre que eles são tão agradáveis quanto o clima ameno da ilha. Se for verão, a brisa constante que vem do sul, e que, inclusive, inspirou o escritor Norman Douglas a escrever o seu romance Ventos do sul, dificilmente deixa os termômetros registrarem mais do que 30 graus centígrados. No inverno, o frio não é tão cortante assim, já que as geadas são raras naquela região. Então, sente-se na Piazza Humberto I, a piazzetta - chamada, com justiça, de "sala de visitas dos italianos" e onde os colonos gregos estabeleceram a acrópole nos séculos 4 e 5 a.C. -, e puxe papo com um capriota para ele desandar a falar sobre aquele belo pedaço de terra com um orgulho característico dos italianos.

Sem dúvida, ele vai lhe contar uma lenda sobre uma das inúmeras grutas da ilha, que são, juntamente com os faraglioni (três colossos pontudos de rocha que saem do mar e alcançam até 115 metros de altura), cartões postais de Capri. Ele também não vai deixar de mencionar os inúmeros famosos que passaram por ali, como o autor de Os três mosqueteiros, Alexandre Dumas, e o jogador Careca.

Você deve ouvir falar de outro personagem famoso, embora menos nobre, que passou pela ilha, o pirata turco Khayr ad-Din. Entre todos os corsários que passaram por Capri, o mundialmente conhecido Barba-Roxa foi responsável pelo saque mais tenebroso, ocorrido no ano de 1535. Hoje, ele empresta o seu apelido a um castelo que tem sua construção atribuída aos bizantinos. Na verdade, não se trata exatamente de um castelo, mas de uma fortificação, como o "Castelo" de Castiglione (erguido pelos próprios habitantes da ilha, na Idade Média, justamente para se proteger das invasões dos piratas).

ORGULHO - Mas Capri teve, assim como Axel Munthe, outros visitantes que deixaram heranças mais dignas, consideradas motivo de orgulho para a população. O industrial alemão Friedrich Alfred Krupp, por exemplo, de tão impressionado com a beleza de Capri, construiu, no final do século passado, os Jardins de Augusto - uma encantadora seqüência de canteiros com diversas espécies de flores mediterrâneas alternados por chafarizes e esculturas. O simpático local é um dos preferidos dos capriotas para passar as tardes de primavera e verão.

Partindo dali, o industrial mandou construir uma estrada que consegue a proeza de ser mais sinuosa do que todas as vias da ilha juntas. A Via Krupp, quando vista de cima, desde os Jardins de Augusto, passa a impressão de que se está observando um movimentado formigueiro, onde os turistas descem e sobem despreocupadamente (já que ali não trafegam veículos... também seria inútil tentar) indo ou vindo da Marina Piccola (que quer dizer Marina Pequena, em português).

Localizada do lado oposto da Marina Grande, onde ancoram os barcos maiores e os ferryboats, a Marina Piccola é considerada a zona sul da ilha, onde aportam as lanchas e iates luxuosos durante o verão. Uma boa pedida para os visitantes é tomar um drinque no Canzone del Mare, o restaurante da moda das estrelas de cinema, 30 anos atrás.

Depois, é hora da volta à Marina Grande, onde o ferryboat o levará de volta ao continente. Talvez, só ao ver o Vesúvio mais de perto é que você tenha certeza de que está realmente na Itália, e não na Grécia. (S.R.L.)


     

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