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ARTIGO
Água
racionada
por JOÃO
CARLOS PAES MENDONÇA*
Novamente é
necessário racionar água na
Região Metropolitana do Recife,
o que não é surpresa para
ninguém, desde que há cerca de
um ano já se previa a
ocorrência de uma nova estiagem.
Há um ano atrás, os
reservatórios de água que
garantem o abastecimento do
Grande Recife já estavam com
níveis bastante reduzidos de
estoque, portanto, o racionamento
seria apenas uma questão de
tempo. Se surpresa existe, é de
que não tenha vindo antes.
Anuncia-se que
os reservatórios têm hoje
apenas 20% da sua capacidade de
armazenagem, um limite muito
perigoso, especialmente
considerando que as chuvas que
estão caindo atualmente não
têm sido suficientes para repor
a quantidade utilizada de água,
mesmo com o racionamento, e que
só teremos praticamente mais um
mês de chuvas. Depois virá o
nosso "verão", ótimo
para as praias e para o turismo,
mas muito preocupante em termos
do saneamento básico. Só
voltaremos a ver chuvas mais
pesadas provavelmente a partir de
abril do próximo ano, logo,
teremos pelo menos oito meses à
frente plenos de suspense quanto
ao abastecimento d'água e,
certamente, com ampliação do
racionamento.
A população
já está acostumada com esse
tipo de problema, tanto que não
ocorreram grandes protestos a
partir da notícia. Rapidamente,
cada família procura se
organizar da melhor maneira para
enfrentar a situação,
providenciando meios de
armazenagem doméstica de água,
em baldes, panelas, garrafas de
refrigerante ou o que houver. A
procura por caixas d'água e
outros tipos de reservatórios
logo aumentou. Da mesma forma, as
empresas especializadas em furar
poços artesianos devem estar
assoberbadas de novas encomendas.
Logo virão as campanhas que
tentam incutir na população a
noção da necessidade de
redução dos desperdícios de um
bem tão precioso que é a água
potável. De alguma forma, todos
esperam sobreviver ao período
crítico, até que as chuvas do
próximo ano possam aumentar a
disponibilidade dos
reservatórios e afastar o perigo
de escassez total.
Tudo isso são
medidas emergenciais,
necessárias para enfrentar uma
crise, mas também nos lembram de
que já enfrentamos a mesma
emergência no passado e o
faremos outras vezes no futuro, a
menos que se consiga dar uma
solução mais adequada para este
antigo problema.
Não se pode
dizer que a Compesa esteja alheia
ao que está acontecendo. Temos
visto continuamente obras de
conservação da rede de
distribuição para diminuir as
perdas de água, reparos e
melhorias em todo o sistema, mas,
são apenas paliativos, vez que o
problema de base permanece: a
estrutura hoje existente é
insuficiente para assegurar um
nível adequado de abastecimento
à população.
A barragem de
Pirapama, que resolveria a
situação, continua pela metade,
sem perspectivas de conclusão,
por falta de recursos ou de
prioridade. Deverá ser novamente
muito lembrada nos próximos
meses e esperemos que o
racionamento possa pelo menos
ajudar a viabilizar o
apressamento das obras.
Enquanto isso
não ocorre, continuam
prevalecendo as soluções
individuais, como os inúmeros
poços artesianos abertos pelos
edifícios e por empresas, numa
quantidade tão grande que já
chega a preocupar porque ameaça
comprometer o lençol de águas
subterrâneas da RMR. Se não se
resolve a questão de forma
global, prevalece a idéia do
"cada um por si", mas
não é uma situação
desejável.
*João
Carlos Paes Mendonça é
presidente do Grupo Bompreço e
do Sistema Jornal do Commercio de
Comunicação
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