SAÚDE
Muda
regra e o transplante de órgão
só com ordem da famíliaBRASÍLIA - Os
médicos não poderão retirar
órgãos de pessoas com morte
cerebral sem obrigatoriamente
ouvir a família, quando em vida
elas não tiverem manifestado
vontade ou não de fazer
doações. Pela Lei 9.434 quem
não fizesse a opção em vida
era considerado doador presumido
e o Estado poderia retirar
qualquer órgão.
A mudança
será fixada por medida
provisória. A família somente
não será ouvida quando na
carteira de identidade ou de
habilitação constar a vontade
da pessoa com a inscrição da
expressão "não
doador" ou da "doador
de órgãos". "Se a
pessoa em vida não quis ser
doadora, sua vontade deve ser
respeitada", afirmou o
ministro da Saúde, José Serra,
que convenceu o presidente da
República, Fernando Henrique, a
editar a MP para estimular
doações. "Não estamos
ferindo a espinha dorsal da lei,
apenas eliminando um ponto de
ficção", comentou Serra.
Até o final do
ano, o Governo enfrentará ainda
outro sério problema: o da lista
única de transplantes. As listas
paralelas de Organizações
Não-Governamentais e de
hospitais particulares estão
proibidas. Elas deverão ser
encaminhadas à central de
captação e distribuição de
órgãos, no Estado, que
preparará a lista única. O
secretário de Assistência à
Saúde, Renilson Rehem,
reconheceu ontem que será
difícil não cometer injustiça.