JUSTIÇA
Excesso
de processos prejudica STFO ministro decano do
Supremo Tribunal Federal, Moreira
Alves, criticou, ontem, o excesso
de processos e ações de
inconstitucionalidade que
tramitam no STF, afirmando que
"a situação vem piorando
muito nos últimos anos, de
maneira quase
catastrófica". Ele defendeu
que o trabalho do STF está
inviabilizado pela grande
quantidade de ações e disse que
a Constituição é muito
analítica, o que dá margem para
que qualquer pessoa possa entrar
com uma ação no Supremo.
"No ano passado, cerca de 40
mil processos ingressaram no STF.
Para este ano, a expectativa é a
de que esse número seja superior
a 50 mil processos",
observou.
As colocações
do ministro foram discutidas,
ontem, no último dia do Ciclo
Internacional de Estudos Ministro
Luiz Gallotti, realizado no
Tribunal Regional Federal (TRF).
Em sua palestra, Moreira Alves
recorreu às estatísticas para
mostrar o número crescente de
ações de inconstitucionalidade
que têm chegado ao STF. Segundo
ele, nos últimos 10 anos, foram
apresentadas mais de 1800
representações de
inconstitucionalidade. "Essa
situação é ainda mais absurda,
se compararmos que de 1934 até a
Constituição de 88, esse
número totalizou pouco mais de
1.600 ações", afirmou.
Moreira Alves
explicou que o problema é
agravado pelo número excessivo
de pessoas legitimadas para
entrar com ações de
inconstitucionalidade junto ao
STF. "No Brasil, qualquer
instituição com
representatividade nacional pode
entrar com uma ação dessa
natureza", justifica. Para
amenizar a atual situação, o
ministro defende a adoção da
súmula de efeito vinculante, que
impediria que matérias já
julgadas fossem submetidas a
novas apreciações no Supremo.
"Outra medida importante
seria a volta da argüição de
relevância, que permitiria ao
STF priorizar o julgamento das
matérias mais importantes e de
caráter nacional", destacou
o ministro.