- - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 05 de agosto de 1998

PRIVATIZAÇÃO DAS TELES
Telemar já busca sócio internacional

BRASILIA - O presidente do grupo La Fonte, Carlos Jereissati, disse ontem em Brasília que o consórcio Telemar, que controla a holding da Telpe, já iniciou o processo de escolha de um parceiro estratégico para se incorporar ao consórcio num prazo de 180 dias. Segundo ele, uma consultoria internacional já está fazendo um levantamento das empresas que poderiam se incorporar ao consórcio. A preferência do grupo é por uma empresa anglo-saxônica.

Jereissati informou que esta empresa deve entrar no consórcio adquirindo 15% das ações sem direito a voto que fazem parte do total de 25% que ficaram com o BNDESPar. Sobre a polêmica criada em torno da inexistência de uma operadora de telefonia no consórcio, o presidente do La Fonte disse que ela não procede, já que o Telemar vai controlar 16 operadores da Tele Norte Leste, cujos profissionais têm experiência maior do que muitas operadoras estrangeiras. Jereisssati disse ainda que o objetivo do consórcio é unificar as 16 operadoras sob controle da holding num único núcleo e transformar a Tele Norte Leste num "global player".

As movimentações em torno da holding já estão ocorrendo. Operadoras internacionais de telecomunicações começaram ontem mesmo a procurar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), interessados na participação de 25% da sua subsidiária BNDESPar no capital do consórcio que arrematou a Tele Norte Leste (conhecida como Telemar). A informação foi dada ao Estado pelo presidente do banco, André Lara Resende.

De acordo com resende, o aspecto mais relevante de todo o processo de discussão e negociação que resultou no ingresso da BNDESPar no negócio é que isso ajudou organizar melhor o consórcio, que "estava meio desamarrado", na expressão utilizada por ele. "Várias operadoras já entraram em contato conosco", afirmou. Ele não quis dizer quais foram - só adiantou que são grandes e não conseguiram sucesso nos leilões do Sistema Telebrás.

Segundo Resende, a BNDESPar somente vai se desfazer da sua participação no capital se a proposta for boa para a Tele Norte Leste, sob todo os pontos de vista. Assim, a venda tanto pode ocorrer logo, como pode demorar. Como lembrou, a BNDESPar está na operação seguindo a diretriz básica da instituição, de participar de empreendimentos até que eles maturem e estejam consolidados.

O ingresso da BNDESPar na sociedade se deu por intermédio de debêntures que serão imediatamente convertidas em ações, no valor de R$ 686,6 milhões. O capital da empresa a ser criada para controlar a Telemar, esclareceu, será de cerca de R$ 2,8 bilhões, portanto abaixo do valor de aquisição da holding no leilão, que foi de R$ 3,434 bilhões.

Ele disse que a diferença deixará de existir, graças a financiamento que os demais sócios terão de uma instituição que nada tem a ver com o BNDES, no valor de aproximadamente R$ 600 milhões. Este dinheiro servirá para pagar a última parcela do preço total da Telemar - a venda das empresas da Telebrás foi feita com uma parte de 40% quitada à vista e o restante em duas parcelas anuais.

Para Resende, a discussão sobre o caráter estatal do consórcio que levou a Telemar sempre esteve desfocada. Ele discorda de que que a holding, na prática, continue sob comando do Estado, com a entrada da BNDESPar.


     

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