PRIVATIZAÇÃO DAS TELES
Telemar
já busca sócio internacionalBRASILIA - O
presidente do grupo La Fonte,
Carlos Jereissati, disse ontem em
Brasília que o consórcio
Telemar, que controla a holding
da Telpe, já iniciou o processo
de escolha de um parceiro
estratégico para se incorporar
ao consórcio num prazo de 180
dias. Segundo ele, uma
consultoria internacional já
está fazendo um levantamento das
empresas que poderiam se
incorporar ao consórcio. A
preferência do grupo é por uma
empresa anglo-saxônica.
Jereissati
informou que esta empresa deve
entrar no consórcio adquirindo
15% das ações sem direito a
voto que fazem parte do total de
25% que ficaram com o BNDESPar.
Sobre a polêmica criada em torno
da inexistência de uma operadora
de telefonia no consórcio, o
presidente do La Fonte disse que
ela não procede, já que o
Telemar vai controlar 16
operadores da Tele Norte Leste,
cujos profissionais têm
experiência maior do que muitas
operadoras estrangeiras.
Jereisssati disse ainda que o
objetivo do consórcio é
unificar as 16 operadoras sob
controle da holding num único
núcleo e transformar a Tele
Norte Leste num "global
player".
As
movimentações em torno da
holding já estão ocorrendo.
Operadoras internacionais de
telecomunicações começaram
ontem mesmo a procurar o Banco
Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES),
interessados na participação de
25% da sua subsidiária BNDESPar
no capital do consórcio que
arrematou a Tele Norte Leste
(conhecida como Telemar). A
informação foi dada ao Estado
pelo presidente do banco, André
Lara Resende.
De acordo com
resende, o aspecto mais relevante
de todo o processo de discussão
e negociação que resultou no
ingresso da BNDESPar no negócio
é que isso ajudou organizar
melhor o consórcio, que
"estava meio
desamarrado", na expressão
utilizada por ele. "Várias
operadoras já entraram em
contato conosco", afirmou.
Ele não quis dizer quais foram -
só adiantou que são grandes e
não conseguiram sucesso nos
leilões do Sistema Telebrás.
Segundo
Resende, a BNDESPar somente vai
se desfazer da sua participação
no capital se a proposta for boa
para a Tele Norte Leste, sob todo
os pontos de vista. Assim, a
venda tanto pode ocorrer logo,
como pode demorar. Como lembrou,
a BNDESPar está na operação
seguindo a diretriz básica da
instituição, de participar de
empreendimentos até que eles
maturem e estejam consolidados.
O ingresso da
BNDESPar na sociedade se deu por
intermédio de debêntures que
serão imediatamente convertidas
em ações, no valor de R$ 686,6
milhões. O capital da empresa a
ser criada para controlar a
Telemar, esclareceu, será de
cerca de R$ 2,8 bilhões,
portanto abaixo do valor de
aquisição da holding no
leilão, que foi de R$ 3,434
bilhões.
Ele disse que a
diferença deixará de existir,
graças a financiamento que os
demais sócios terão de uma
instituição que nada tem a ver
com o BNDES, no valor de
aproximadamente R$ 600 milhões.
Este dinheiro servirá para pagar
a última parcela do preço total
da Telemar - a venda das empresas
da Telebrás foi feita com uma
parte de 40% quitada à vista e o
restante em duas parcelas anuais.
Para Resende, a
discussão sobre o caráter
estatal do consórcio que levou a
Telemar sempre esteve desfocada.
Ele discorda de que que a
holding, na prática, continue
sob comando do Estado, com a
entrada da BNDESPar.