- - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 05 de agosto de 1998

PRIVATIZAÇÃO DAS TELES III
União reduziu investimentos nas teles

por LUCIANA LEÃO E JOSUÉ NOGUEIRA

A preparação das empresas de telefonia para o processo de privatização do sistema Telebrás, concluído na semana passada pelo governo federal, já reduziu, no primeiro semestre deste ano, os investimentos das empresas do setor, pelo menos, nas nove teles da Região Nordeste, que participam da holding Tele Norte-Leste (do Amazonas ao Rio de Janeiro), denominada a partir de agora de Telemar.

A Telecomunicações de Pernambuco S.A. (Telpe), por exemplo, que inicialmente contaria com recursos de R$ 330 milhões para sua expansão e modernização, teve seus investimentos reduzidos para a casa dos R$ 175 milhões, de acordo com informações da ex-estatal. Sem caixa para financiar os investimentos, o consórcio Telemar corre o risco de não cumprir as metas previstas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Em Pernambuco, a previsão é de R$ 800 milhões nos próximos três anos, de acordo com o plano de metas imposto pela própria Anatel.

Empresas como a Telecomunicações da Paraíba (Telpa) destinaria R$ 59 milhões na modernização de sua planta, porém, a geração de recursos próprios para investimentos representa, hoje, R$ 35 milhões. "Está abaixo do previsto. Terá que existir uma contrapartida de empréstimos intrasistema", afirmou ontem a reportagem do Jornal do Commercio o gerente de Planejamento Estratégico, Marcos Túlio Queiroga.

A empresa de telefonia do Ceará, denominada Teleceará, que ocupou o primeiro lugar no Brasil em rentabilidade financeira, com 17,6% de retorno dos investimentos, segundo a Exame, também foi obrigada a reduzir os seus investimentos já este ano. Em 1996, foram investidos R$ 203,2 milhões. Em 97, caiu para R$ 168 milhões. Neste primneiro semestre, a empresa investiu R$ 115 milhões, que corresponde à instalação de 100 mil novos terminais. A demanda reprimida no Ceará é de 180 mil pessoas.

A situação se mantém a mesma em outras empresas. A Telebahia, que destinou no ano passado, R$ 300 milhões, teve que reduzir para R$ 228 milhões, as previsões para 1998. A Telasa, de Alagoas, de R$ 52,3 milhões, passou para R$ 15,5 milhões. A Telegipe tem previsão para 1998 de gastar R$ 37 milhões, mas no ano passado investiu R$ 40,3 milhões.

A redução dos investimentos também ocorreu em todas as teles que formavam A Telebrás. Do orçamento previsto de R$ 8 bilhões destinados a projetos de expansão, restaram apenas R$ 5 bilhões. A queda nos investimentos, segundo fontes ouvidas pela reportagem, aconteceu devido à crise asiática, ocorrida em outubro do ano passado. Além disso, não teria sentido fazer um planejamento anual, quando as empresas seriam vendidas.


     

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