PRIVATIZAÇÃO DAS TELES III
União
reduziu investimentos nas telespor LUCIANA LEÃO E
JOSUÉ NOGUEIRA
A preparação
das empresas de telefonia para o
processo de privatização do
sistema Telebrás, concluído na
semana passada pelo governo
federal, já reduziu, no primeiro
semestre deste ano, os
investimentos das empresas do
setor, pelo menos, nas nove teles
da Região Nordeste, que
participam da holding Tele
Norte-Leste (do Amazonas ao Rio
de Janeiro), denominada a partir
de agora de Telemar.
A
Telecomunicações de Pernambuco
S.A. (Telpe), por exemplo, que
inicialmente contaria com
recursos de R$ 330 milhões para
sua expansão e modernização,
teve seus investimentos reduzidos
para a casa dos R$ 175 milhões,
de acordo com informações da
ex-estatal. Sem caixa para
financiar os investimentos, o
consórcio Telemar corre o risco
de não cumprir as metas
previstas pela Agência Nacional
de Telecomunicações (Anatel).
Em Pernambuco, a previsão é de
R$ 800 milhões nos próximos
três anos, de acordo com o plano
de metas imposto pela própria
Anatel.
Empresas como a
Telecomunicações da Paraíba
(Telpa) destinaria R$ 59 milhões
na modernização de sua planta,
porém, a geração de recursos
próprios para investimentos
representa, hoje, R$ 35 milhões.
"Está abaixo do previsto.
Terá que existir uma
contrapartida de empréstimos
intrasistema", afirmou ontem
a reportagem do Jornal do
Commercio o gerente de
Planejamento Estratégico, Marcos
Túlio Queiroga.
A empresa de
telefonia do Ceará, denominada
Teleceará, que ocupou o primeiro
lugar no Brasil em rentabilidade
financeira, com 17,6% de retorno
dos investimentos, segundo a
Exame, também foi obrigada a
reduzir os seus investimentos já
este ano. Em 1996, foram
investidos R$ 203,2 milhões. Em
97, caiu para R$ 168 milhões.
Neste primneiro semestre, a
empresa investiu R$ 115 milhões,
que corresponde à instalação
de 100 mil novos terminais. A
demanda reprimida no Ceará é de
180 mil pessoas.
A situação se
mantém a mesma em outras
empresas. A Telebahia, que
destinou no ano passado, R$ 300
milhões, teve que reduzir para
R$ 228 milhões, as previsões
para 1998. A Telasa, de Alagoas,
de R$ 52,3 milhões, passou para
R$ 15,5 milhões. A Telegipe tem
previsão para 1998 de gastar R$
37 milhões, mas no ano passado
investiu R$ 40,3 milhões.
A redução dos
investimentos também ocorreu em
todas as teles que formavam A
Telebrás. Do orçamento previsto
de R$ 8 bilhões destinados a
projetos de expansão, restaram
apenas R$ 5 bilhões. A queda nos
investimentos, segundo fontes
ouvidas pela reportagem,
aconteceu devido à crise
asiática, ocorrida em outubro do
ano passado. Além disso, não
teria sentido fazer um
planejamento anual, quando as
empresas seriam vendidas.