VEÍCULOS
Montadoras
não oferecerão mais facilidadesSÃO PAULO - O
consumidor não deve esperar
vantagens adicionais
significativas nos financiamentos
de veículos, apesar de o governo
ter incluído maior
flexibilização em vendas
financiadas entre as condições
para a redução do Imposto sobre
Produto Industrializado (IPI). Os
bancos de montadoras deverão
continuar exigentes para a
liberação do crédito porque
já trabalham com uma
inadimplência de 6,8%. Além
disso, os juros, ainda altos,
inibem prazos maiores por parte
dos bancos das montadoras.
A única
mudança - que as financeiras
poderão anunciar já na próxima
semana - é a volta dos planos
que incluem a chamada prestação
"balão". São
prestações intermediárias,
cobradas em momentos em que o
assalariado tem maior
disponibilidade de recursos, como
no pagamento do 13º salário.
A idéia da
volta da prestação balão foi
lançada pelas próprias
montadoras, por meio da
Associação Nacional dos
Fabricantes de Veículos
Automotores (Anfavea), durante a
negociação da redução do IPI
com o governo, em uma solenidade
no Palácio do Planalto. Mas a
prestação balão e outras
modalidades que surgiram, no
momento de crise do mercado -
incluindo o financiamento sem
entrada - foram justamente
fatores que causaram o aumento da
inadimplência.
O momento mais
crítico foi registrado em março
de 1996, quando a inadimplência
junto às montadoras chegaram a
7,3%. Mas em junho passado, data
da última pesquisa do setor, a
parcela de consumidores
endividados com os bancos das
montadoras foi de 6,8%, índice
maior do que há um ano, quando o
porcentual estava em 4,8%.
O atual índice
de inadimplência significa que
em todo o Brasil existem hoje 66
mil pessoas que fizeram
financiamento para compra de
carro nos bancos das montadoras e
não estão honrando a dívida. O
presidente da Associação
Nacional das Empresas Financeiras
das Montadoras (Anef), Marcos
Vinicius Moya, disse hoje que a
inadimplência de 6,8% "é
preocupante".