ARTIGO
Empreendedorismo
cívico (2)por JOSÉ CARLOS
CAVALCANTI*
Um artigo
publicado no dia 30/07/98 neste
jornal comentávamos que nos EUA,
e principalmente no Texas, o
conceito de empreendedorismo
cívico (ato ou atividade em que
empresários inovadores se
dispõem a assumir riscos visando
tanto o bem-estar de sua
comunidade, como grandes lucros
de longo prazo e grande
notoriedade pública) vem tendo
larga aceitação, e tem
representado um estímulo ao
crescimento do mercado de capital
de risco americano.
Na realidade, o
empreendedorismo cívico está se
alastrando muito além dos EUA e
tem contribuído para o avanço
do capital de risco em outros
países da OECD (o chamado Clube
dos Ricos). Mas qual é a origem
do avanço deste mecanismo de
financiamento nos países da
OECD? Em primeiro lugar, nas
economias baseadas em
conhecimento o crescimento
econômico, bem como a criação
de empregos, dependem fortemente
de inovações de sucesso, o que
significa que os resultados de
Pesquisa e Desenvolvimento
(P&D) devem ser transformados
efetivamente em bens
comerciáveis. O acesso ao
financiamento é visto, então,
como um fator chave no processo
das inovações.
O capital de
risco, como um tipo específico
de financiamento que tem se
desenvolvido para fundear
projetos de alto-risco,
desempenha um papel nesta
conexão. capital de risco é
crucial para o processo
inovativo. Por uma variedade de
razões é difícil para grandes
corporações
"abraçarem" projetos
inovativos de alto risco. Tais
projetos têm maior chance de
sucesso se eles são
desenvolvidos por pequenas
empresas de base tecnológica
(technology based firms).
O que tem
acontecido nos países da OECD é
que capitalistas de risco
(estimulados por empreendedores
cívicos) têm desejado, e estão
aptos a, através de seus
próprios instrumentos, investir
em tais projetos inovativos de
alto risco. Isto é confirmado
pela evidência de que
revoluções tecnológicas, que
têm resultado na transformação
de diversas indústrias, têm
sido lideradas por venture
capital/backed firms (empresas
financiadas por capital de
risco).
O que é
também surpreendente nos países
da OECD é o papel do governo no
investimento de capital de risco.
Além do setor privado (que é
bastante expressivo, e, de acordo
com a OECD, já representa um
mercado de US$ 100 bilhões em
todo o mundo), os governos
daqueles países estão
investindo US$ 3 bilhões em
financiamento de risco por ano em
pequenas empresas de base
tecnológica.
Por quê,
então não se investir em
empresas de base tecnológica
como as do Softex, uma fundação
que vem proporcionando a
expertise necessária aos jovens
empresários da área de
informática a produzirem
inovações tecnológicas em
software? Essa expertise é
necessária, mas não suficiente.
Estas empresas, que já têm
demonstrado seu potencial,
precisam de financiamento para
competirem num mercado cada vez
mais competitivo. Cadê, então,
nossos empreendedores cívicos?
* José
Carlos Cavalcanti é professor do
Depto. de Economia da UFPE.
E-mail: jcc@decon.ufpe.br