MERCADO
Bolsa
de NY tem 3ª pior queda de sua
históriaNOVA YORK - A
Bolsa de Nova York teve ontem sua
pior queda desde outubro do ano
passado, quando estourou a crise
asiática. O índice Dow Jones,
que reúne as 30 ações mais
negociadas, caiu 3,41%, ou 299,43
pontos, fechando a 8.487,31
pontos. Isso representa também
sua terceira maior queda em
pontos desde que foi criado, há
102 anos. Em 27 de outubro de
1997, a queda foi de 554,26
pontos, ou 7,18%. O índice
eletrônico Nasdaq também caiu
hoje 3,5%, fechando a 1.785,68
pontos.
Os motivos são
variados, mas sem nenhuma
novidade: a incerteza quanto à
economia do Japão; os impactos
da crise asiática na performance
das empresas norte-americanas,
que vêm divulgando nas últimas
semanas lucros abaixo do esperado
para o segundo trimestre; as
novidades no escândalo sexual
envolvendo o presidente Bill
Clinton; e mesmo uma
supervalorização das ações,
provocadas por uma euforia no
mercado que levou o Dow Jones a
bater o recorde de 9.337,97 em 17
de julho.
Com os números
de ontem, o Dow Jones caiu 9% em
relação a julho e, segundo um
dos maiores otimistas no mercado
financeiro, o diretor de
pesquisas tecnológicas da
Prudential Securities, Ralph
Acampora, pode chegar a um
descenso de 15% ou 20% no
período. As declarações de
Acampora foram um dos motivos que
aprofundaram a queda no final da
tarde. A empresas financeiras
tiveram as maiores quedas.
"A crise
asiática, que ainda produz
efeitos nos EUA; muitas ações
supervalorizadas, um excesso de
consumo dos norte-americanos que
não permite baixar as taxas de
juros como os investidores
esperavam, sob risco de
inflação; dólar muito forte; e
queda nas exportações. Tudo
afeta a lucratividade das
empresas e causa essa fraqueza no
mercado", disse John Lonsky,
economista-chefe da Moody's. Para
Peter Coolidge,
investidor-sênior da Brean,
Murray & Co., o mercado
simplesmente não pode aguentar
hoje. "Há uma semana o
mercado vem muito fraco e hoje
foi demais. Nenhum comprador
veio. Os motivos são os mesmos
de uma semana atrás, só que
simplesmente, ele não pode
aguentar", disse.
Coolidge prevê
mais quedas, tão profundas
quanto a de ontem, para hoje.
"Eu diria que, nestas
condições, o mercado só reage
quando chega ao pior, e ainda
não chegou. Acho que chegará na
quinta-feira no meio do dia.
Nossa queda provocará queda na
Ásia e na Europa, que provocará
novamente nossa queda. Depois, o
mercado deverá se recuperar um
pouco até o final do dia, mas é
difícil prever", disse.
Lonsky também
acredita que o mercado deverá
tomar um fôlego nos próximos
dias, mas não o suficiente para
compensar as perdas dos últimos
três dias.