LICITAÇÃO
Argentina
privatizará suas usinas
nuclearesBUENOS AIRES - A
Argentina privatizará suas três
usinas nucleares, e o processo
começará na primeira semana de
setembro. O anúncio foi feito
pelo secretário de Energia da
Argentina, Alfredo Mirkim, que
sustentou que o presidente Carlos
Menem assinará daqui a um mês o
decreto que convocará a
licitação.
A intenção do
governo é que um único
investidor privado se encarregue
das usinas pelo prazo de 45 anos.
O projeto de privatização vem
se arrastrando há quatro anos,
mas a declaração do Congresso,
no ano passado, de que as usinas
eram "transferíveis",
somado à pressa de terminar com
as privatizações ainda
pendentes nos 500 dias de governo
Menem que ainda restam,
aceleraram o processo.
A Argentina
possui três usinas nucleares,
mas somente duas estão em
funcionamento: a de Atocha I e a
de Embalse. Em conjunto, as duas
geram 7000 GigaWatts por hora, o
que representa 12% do total da
energia elétrica produzida na
Argentina. O governo projeta
passar 89% das ações às mãos
privadas por meio de uma
concessão. Outros 10% serão
entregues aos funcionários das
usinas, que será administrado
pelo Programa de Propriedade
Partilhada. O Estado argentino
ficará com 1% das ações de
forma a poder ter voz e voto nas
decisões neste setor
estratégico.
A
privatização destas usinas, no
entanto, não estaria no ranking
das mais lucrativas: segundo o
secretário Mirkin, o valor que
se conseguiria seria muito
pequeno. O motivo seria a
conclusão de Atucha II, cuja
construção iniciou em 1981, e
ainda não foi terminada. O
orçamento original de Atucha II
era de US$ 1,5 bilhão, mas os
gastos já atingiram US$ 2
bilhões. Para terminá-la,
serão necessários ainda US$ 692
milhões. A empresa vencedora da
licitação será a encarregada
de concluir sua construção, que
poderia tomar ainda dois anos de
obras.