CALOTE
Inadimplência
tem leve alta no Recifepor HELIANE ROSENTHAL
Em julho, 55,3
mil pessoas foram inscritas no
cadastro de inadimplentes do
Serviço de Proteção ao
Crédito (SPC). Apesar desse
número significar um ligeiro
crescimento em relação a junho
deste ano, 5,55%, o resultado
está sendo comemorado pelos
comerciantes pois, segundo o
diretores da Câmara de
Dirigentes Lojistas (CDL), ele
representa uma estabilidade no
volume mensal de calotes. No
comparativo com julho de 97, o
aumento foi ainda menor, 2,98%.
No acumulado
dos primeiros sete meses de 98, a
inadimplência ainda se mantém
alta em comparação com o mesmo
período do ano passado, mais de
510 mil registros, significando
um crescimento de 48,08%. Mas,
segundo o diretor do SPC, Geraldo
Costa, os números ainda são
conseqüência do período de
janeiro a abril, quando os
percentuais chegaram a superar os
100%. Para o diretor, a
inadimplência tende a cair mais
daqui para frente.
Além do
pequeno aumento, os lojistas
também comemoram o significativo
aumento no total de pessoas que
conseguiram retirar seus nomes do
cadastro do SPC. No acumulado do
ano, esses cancelamentos
representam um aumento de 76,95%
em relação aos primeiros sete
meses de 97. No comparativo com
julho do ano passado essa
variável aumentou 51,45%.
Com os últimos
resultados nessa área, inclusive
com a campanha para a quitação
dos débitos, a proporção entre
registros e cancelamentos vem
caindo desde maio passado. Essa
relação que antes estava para
cada três entradas no cadastro
havia apenas uma saída, agora,
diminuiu. Para cada 1,5 entrada,
uma saída.
VENDAS -
Apesar de todo o otimismo do
setor em relação à
inadimplência, por outro lado as
vendas continuam apresentando
consecutivas quedas. Em
comparação a julho do ano
passado, o número de consultas
ao serviço, que significa o
termômetro das vendas a
crédito, caiu 21,82%. Em
comparação ao mês anterior, a
retração foi de 1,53%. O
diretor Geraldo Costa afirma que
a diminuição nas vendas pode
ser ainda maior, já que nem
todas as consultas significam
vendas, pois a concessão do
crédito está cada vez mais
rigorosa.
Nos primeiros
sete meses de 98, as consultas
caíram 13,95% em relação a 97.
As compras através de cheques
também estão em queda. No
comparativo com julho do ano
passado, a redução foi de
17,39%. Costa acredita que o
problema está na falta de
dinheiro circulando no mercado.
Segundo ele, as
pessoas estão mais conscientes
dos gastos que podem ser gerados
com as compras a prazo e até
onde pode ir o nível de
endividamento de suas rendas.
Assim, passaram a comprar mais
conscientemente. Além disso,
outros motivos sazonais também
influenciam na queda das vendas.
Em julho,
aponta o diretor, muita gente
deixou de ir às compras por
conta da Copa do Mundo. Ou porque
os dias de jogos representavam
verdadeiros feriados, ou porque o
dinheiro era voltado para
produtos relacionados ao
campeonato. Isso fez com que o
desempenho do comércio durante
esse último mês fosse ainda
pior do que o registrado em julho
de 97, quando o Recife
praticamente parou com a greve da
Polícia Militar.