- - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 05 de agosto de 1998

CALOTE
Inadimplência tem leve alta no Recife

por HELIANE ROSENTHAL

Em julho, 55,3 mil pessoas foram inscritas no cadastro de inadimplentes do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Apesar desse número significar um ligeiro crescimento em relação a junho deste ano, 5,55%, o resultado está sendo comemorado pelos comerciantes pois, segundo o diretores da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), ele representa uma estabilidade no volume mensal de calotes. No comparativo com julho de 97, o aumento foi ainda menor, 2,98%.

No acumulado dos primeiros sete meses de 98, a inadimplência ainda se mantém alta em comparação com o mesmo período do ano passado, mais de 510 mil registros, significando um crescimento de 48,08%. Mas, segundo o diretor do SPC, Geraldo Costa, os números ainda são conseqüência do período de janeiro a abril, quando os percentuais chegaram a superar os 100%. Para o diretor, a inadimplência tende a cair mais daqui para frente.

Além do pequeno aumento, os lojistas também comemoram o significativo aumento no total de pessoas que conseguiram retirar seus nomes do cadastro do SPC. No acumulado do ano, esses cancelamentos representam um aumento de 76,95% em relação aos primeiros sete meses de 97. No comparativo com julho do ano passado essa variável aumentou 51,45%.

Com os últimos resultados nessa área, inclusive com a campanha para a quitação dos débitos, a proporção entre registros e cancelamentos vem caindo desde maio passado. Essa relação que antes estava para cada três entradas no cadastro havia apenas uma saída, agora, diminuiu. Para cada 1,5 entrada, uma saída.

VENDAS - Apesar de todo o otimismo do setor em relação à inadimplência, por outro lado as vendas continuam apresentando consecutivas quedas. Em comparação a julho do ano passado, o número de consultas ao serviço, que significa o termômetro das vendas a crédito, caiu 21,82%. Em comparação ao mês anterior, a retração foi de 1,53%. O diretor Geraldo Costa afirma que a diminuição nas vendas pode ser ainda maior, já que nem todas as consultas significam vendas, pois a concessão do crédito está cada vez mais rigorosa.

Nos primeiros sete meses de 98, as consultas caíram 13,95% em relação a 97. As compras através de cheques também estão em queda. No comparativo com julho do ano passado, a redução foi de 17,39%. Costa acredita que o problema está na falta de dinheiro circulando no mercado.

Segundo ele, as pessoas estão mais conscientes dos gastos que podem ser gerados com as compras a prazo e até onde pode ir o nível de endividamento de suas rendas. Assim, passaram a comprar mais conscientemente. Além disso, outros motivos sazonais também influenciam na queda das vendas.

Em julho, aponta o diretor, muita gente deixou de ir às compras por conta da Copa do Mundo. Ou porque os dias de jogos representavam verdadeiros feriados, ou porque o dinheiro era voltado para produtos relacionados ao campeonato. Isso fez com que o desempenho do comércio durante esse último mês fosse ainda pior do que o registrado em julho de 97, quando o Recife praticamente parou com a greve da Polícia Militar.


     

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