PETRÓLEO
Petrobrás
pagará três vezes mais
royaltiesBRASÍLIA - A
Petrobrás irá pagar três vezes
mais em royalties para ter
direito de explorar petróleo e
gás no País a partir de
amanhã, quando assinar os
contratos de concessão com a
Agência Nacional do Petróleo
(ANP), que darão o direito a
7,1% das bacias sedimentares
brasileiras. A empresa deverá
desembolsar pelos royalties pelo
menos R$ 800 milhões por ano,
sendo que, atualmente, a estatal
paga apenas entre R$ 200 milhões
e R$ 250 milhões para a União,
Estados e municípios.
O aumento do
pagamento de royalties está
previsto no decreto 2.705,
publicado ontem no Diário
Oficial, que regulamenta a
cobrança das participações
governamentais previstas na Lei
do Petróleo, sancionada em
agosto do ano passado. A lei
estabelecia que os royalties a
serem cobrados pela produção de
petróleo sobem de 5% para 10%
sobre a produção de petróleo e
gás.
"De um
golpe, a Petrobrás vai ser
obrigada a aumentar o
recolhimento de royalties",
afirmou o secretário de Energia
do Ministério de Minas e
Energia, Peter Greiner. Somente
nos casos de novas licitações,
em áreas de risco geológico
para as empresas, poderá haver
uma redução dos royalties para
5%, a critério da ANP. Estes
recursos, como está previsto na
lei, são destinados aos Estados
e Municípios onde ocorre a
produção e aos Ministérios da
Marinha e da Ciência e
Tecnologia.
O decreto
determina também que a
Petrobrás passará a pagar uma
"participação
especial" sobre seus campos
mais rentáveis, como Marlin,
Roncador e Barracuda, na Bacia de
Campos. Esta taxa refere-se aos
campos que apresentam
produtividade ou lucratividade
acima da média.
"O decreto
terá um impacto no caixa da
empresa", disse Greiner.
Para este ano, a empresa deverá
pagar mais R$ 250 milhões
referentes à
"participação
especial" em alguns dos
campos que explora. Em 2002,
depois dos três anos de
transição previstos no decreto,
a empresa pagará à ANP pelo
menos R$ 600 milhões de
"participação
especial".
O período de
transição definido pelo decreto
em relação às
"participações
especiais" foi criado para
não afastar os investidores e
valerá para a Petrobrás a
partir de amanhã. "Tivemos
que dar uma sinalização aos
investidores de que o negócio do
petróleo no Brasil é
competitivo em termos
internacionais", explicou. A
exploração de óleo e gás no
País ainda é considerada um
negócio de risco pela maioria
das empresas internacionais.
Segundo
Greiner, no primeiro ano, o
decreto define um limite de
isenção para pagamento da taxa
para os campos que produzem até
90 mil barris/dia. A redução da
isenção será gradual e a
partir do quarto ano, ela será
para os campos com capacidade de
produção de até 30 mil
barris/dia. "Isto tornará o
negócio mais atraente".
A
"participação
especial" terá alíquotas
que variam de 10% a 40% sobre a
receita líquida da produção
trimestral de cada campo. Segundo
o secretário, as taxas
governamentais não terão
impacto no total de custos das
empresas do setor. Greiner
calcula que estas taxas
representam de 1% a 2% dos
custos. O decreto também define
os valores mínimos para o
pagamento pela ocupação ou
retenção de áreas. É a
primeira vez que uma taxa desta
será cobrada no País.