COMPORTAMENTO
II
Liberdade
longe dos paispor LUIZ CLAUDIO
FERREIRA
Mãe, vou
chegar de madrugada. Pode dormir
tranqüila". O telefonema
para casa no início da noite é
como um ritual. O veterinário
Fernando Nascimento, de 30 anos,
toma esse cuidado toda vez que
vai sair com a noiva ou com
amigos. Não precisava. Poderia
estar morando sozinho, como
fizeram grande parte dos seus
amigos quando chegaram aos 20
para dar adeus à adolescência.
Ao contrário deles, não se
incomodou com a presença dos
pais debaixo do mesmo teto.
"São meus amigos e me
oferecem uma comodidade que só
trocarei pelo casamento",
declara. Depois que subir ao
altar - garante que será em
breve - quer ter a própria casa,
mas, se possível, nas
proximidades do lar dos seus
pais.
Fernando é
apenas um dos exemplos de adultos
que se consideram independentes
sem ter obedecido ao conceito de
que só se tem liberdade a
quilômetros das "asas"
dos pais. Ele auxilia no
orçamento mensal familiar, mas
tem suas compensações:
diálogo, refeições na hora
certa e muitos
"paparicos", como o
café na cama. "Se tivesse
alugado um apartamento só para
mim, não teria nada disso",
argumenta o veterinário. Essa
comodidade está fazendo com que
a opção adotada por Fernando
torne-se cada vez mais comum
nesses tempos de desemprego e de
instabilidade financeira.
São também
essas vantagens - que a assessora
de marketing Fábia Brito resume
com a palavra
"tranqüilidade" - os
motivos que a mantêm, aos 30
anos, do lado da mãe. O pai
faleceu há cinco anos.
"Nós duas vivemos uma
relação de amizade que dá
certo. Por enquanto não tenho a
menor intenção de deixar minha
casa. Nem para viver sozinha nem
com outra pessoa".
Fábia aponta
como único inconveniente dessa
convivência a preocupação
exagerada da mãe. Para
acalmá-la,
"acostumou-se" a ligar
de onde estiver, várias vezes
por dia. Por incrível que
pareça, o inverso também
acontece. "Quando minha mãe
sai, exijo que me mantenha sempre
bem informada. Eu também me
preocupo", explica.
DESEMPREGO -
Enquanto para alguns a saída da
casa dos pais ainda não é um
objetivo imediato, outros
garantem que existe vontade, mas
esbarram num obstáculo. Apontam
a dependência financeira como a
"vilã" que impede a
tentativa de ter uma vida
autônoma. O economista Bruno