COMPORTAMENTO
III
Psicanalista
alerta sobre o risco do comodismoO psicanalista José
Carlos Escobar alerta os adultos
que continuam morando com os pais
sobre o risco do
"comodismo". Isso,
segundo ele, poderia provocar
sentimentos de dependência e de
fracasso. "Nesse caso, a
pessoa pode ser considerada
doente", afirma. A principal
causa que conduz a esse extremo
é a perda completa da autonomia
emocional. "O indivíduo se
transforma num adolescente tardio
com necessidade de competir com
os outros adultos da casa",
explica.
Escobar não
acredita numa idade certa para a
pessoa seguir seu próprio
caminho. "Deveria ser no
final da adolescência e no
início da fase adulta",
diz. Ele afirma, porém, que os
pais tem a obrigação de
estimular a saída do filho de
casa. Ao invés disso, de acordo
com ele, a maioria é complacente
e prefere ver a "cria"
por perto a saber que está
lutando, mas distante.
Nesse ciclo, a
maturidade do novo adulto entra
num processo de adiamento e não
raras vezes o indivíduo passa a
boicotar o seu próprio sucesso.
Assim imagina proteger-se do
mundo. Escobar teoriza que essa
pessoa vai se atrofiando em suas
capacidades e acumulando
constrangimentos. "Não
convida ninguém para ir à sua
casa sem a aprovação dos
outros. Nem escolhe mais o seu
próprio cardápio",
exemplifica. A casa dos pais
começa a ter o significado de um
ambiente protetor. Forte o
suficiente para dar poucas
razões para sair e muitas para
voltar.
O argumento da
incapacidade financeira que
alguns utilizam para ficar junto
à família é inválido para o
especialista. Ele afirma que isso
acontece em grande parte dos
casos porque o jovem somente
admite sair de casa para ter um
nível de vida similar ao que os
pais oferecem. "Poucos
querem sair do palácio para
morar num quarto de
pensão", explica.