VISÃO
A
hora certa de levar o filho ao
oftalmologistapor DÉBORA
NASCIMENTO
Uma tendência
que vem crescendo nos
consultórios: é cada vez mais
freqüente os pediatras
encaminharem as crianças com
menos de cinco anos de idade ao
oftalmologista. Quem informa é a
oftalmopediatra Ana Carolina
Collier. Segundo a médica, que
atende no departamento
pediátrico do Instituto de Olhos
do Recife, diversos problemas
oculares podem ser evitados se
forem tratados logo cedo.
Entretanto, muitos pais ainda
hesitam, sem saber qual o momento
em que devem levar os filhos a
esses profissionais.
"Se a
criança não demonstra ter
problema algum, os pais só devem
levá-la ao oftalmologista entre
três e quatro anos de
idade", explica. Mas se há
algumas alterações, eles não
podem ignorá-la. Entre os
principais sintomas de problemas
oculares estão a cefaléia, o
aperto e lacrimejo nos olhos.
"Um bom
teste é tampar um dos olhos da
criança e observar sua
reação", conta Ana
Carolina. "Se a criança
apresentar algum comportamento
estranho enxergando com o olho
esquerdo ou direito, é sinal de
que pode haver problema em uma
das visões". Nesta fase, os
problemas mais comuns são
estrabismo, erro de retração,
miopia, astigmatismo e
obstrução do canal lacrimal -
este faz com que a criança
geralmente fique com os olhos
lacrimejantes.
"Neste
último caso, eu oriento os pais
a darem massagem nos olhos.
Geralmente, em um ano o problema
pode estar resolvido
sozinho", adianta Ana
Carolina. Caso contrário, os
pais devem procurar um médico
para realizar um tratamento.
Quanto ao uso de óculos, a
médica somente indica em casos
absolutamente necessários.
PREVENÇÃO -
Um alerta da oftalmopediatra é
que os pais devem tratar logo as
alterações oculares dos filhos.
"No caso de estrabismo, por
exemplo, se não se recorre a um
tratamento, a visão não se
desenvolve e pode tornar-se
irrecuperável", afirma.
"A hipermetropia também. Se
a criança ficar muito tempo sem
usar óculos pode haver uma baixa
nos olhos".
De acordo com
Ana Carolina, os principais
problemas que chegam ao seu
consultório são hereditários,
como o erro de retração. Mas
outros são provocados por
fatores externos. Um deles é a
conjuntivite alérgica, que pode
ser associada à asma. "Essa
conjuntivite se desenvolve
principalmente em períodos
quentes ou devido a outros
fatores, como pêlos de bichos de
pelúcia e de gato". Os pais
também devem evitar levar as
crianças de colo a lugares muito
freqüentados, como os shoppings
centers.
Durante a
gestação existem outros
cuidados a serem tomados.
"Infecções como a catarata
congênita são geradas pela
rubéola. A cegueira pode ser
causada por uma toxoplasmose.
Esta última é transmitida
através das fezes do gato. Por
isso, pessoas que têm contato
com esses animais devem lavar bem
as mãos, frutas e verduras. A
mãe transmite para o filho
através do sangue. Mas se a
doença for descoberta antes,
pode ser tratada", diz a
oftalmopediatra.
Algumas dicas
para descobrir se a criança tem
algum problema de visão é
perceber se ela: aproxima muito o
rosto para assistir a TV, sente
dor de cabeça, tem falta de
interesse na escola. "Muitas
vezes a criança é reprovada na
escola e os pais não sabem o
porquê". Já a freqüência
da consulta, se a criança
apresenta problemas, pode ser
até mensal. Caso contrário, o
período é de dois em dois anos.