TELECOMUNICAÇÃO III
Provedor
espera linha mais barataA futura concorrência
entre as operadoras anima os
provedores de acesso à Internet,
que prevêem uma queda nos
preços das Linhas Privativas de
Comunicação de Dados. É
através das LPCDs que as
empresas enviam até o backbone
da Internet na região os dados
despejados em seus servidores
pelos internautas. Nas mãos de
operadora estatais monopolistas,
as LPCDs brasileiras possuem
preços considerados como um dos
mais altos mundo - o valor
cobrado no país seria mais do
que o dobro do praticado nos
Estados Unidos, segundo a Sucesu.
"Quem vai
ganhar é o consumidor, que terá
qualidade melhor e preços mais
baixos", diz Clóvis
Lacerda, diretor de Internet da
Elógica. Uma queda nos preços
das LPCDs também beneficia as
empresas que possuem link para
suas redes exclusivo com o
provedor.
Atualmente, o
aluguel de uma LPCD de 64 Kbps -
menor taxa de transmissão -
custa R$ 495,85; a de 512 Kbps,
R$ 1.802,42; e a de velocidade de
2 Mbps sai pela bagatela mensal
de R$ 6.282,67. "Como
trabalhamos com quantidade, será
possível, com a iniciativa
privada, fazer parceria e
negociar preços mais
baixos", anima-se o diretor
da Nlink, Luiz Barros.
Barros também
acredita num avanço
tecnológico, com o fim da
burocracia exigida nas empresas
estatais. "Vai ser mais
fácil se ter investimento. A
empresa pública é muito
amarrada a processo de edital,
licitação. E quando consegue
comprar uma tecnologia que era
nova algum tempo atrás, já
estará velha".
A perspectiva
de investimentos e o sonho da
queda de preço animam, mas os
provedores podem fortes
concorrentes. A legislação
deixa em aberto a possibilidade
de as operadoras passarem a
investir também - e de forma
comercial - no provimento de
acesso à Internet.
"Lucro
nessa área só tem que presta um
bom serviço. E aí a empresa
precisará de um investimento
extra; de pessoal e de máquinas
especializadas", analisa a
diretora da Cyberland, Aisa
Pereira, não acreditando na
entrada das grandes operadoras
nessa área. "São tantas
áreas que as operadoras poderão
atuar que não há razão para se
voltar para o acesso à
Internet", comenta o
secretário-executivo do Comitê
Gestor Internet-Brasil, Raphael
Mandarino Júnior.
O
diretor-executivo do Iteci, Guy
Bruère, discorda de Mandarino.
"A participação das
operadoras nesse setor será uma
realidade", diz o diretor do
Iteci, provedor que trabalha
exclusivamente para pessoas
jurídicas. "E aí só
ficará no mercado a empresa que
agregar serviço e conteúdo ao
provimento de acesso à
Internet", afirma.