TELECOMUNICAÇÃO IV
País
deve ganhar mais backbonesO impacto da
privatização das
telecomunicações para a
Internet brasileira será sentido
também pela Embratel. Único
órgão controlador da
comunicação a longa distância
do país e responsável pelas
saída de dados para o Exterior,
a Empresa Brasileira de
Telecomunicações vai perder o
monopólio de backbone geral da
Internet nacional com outros
países.
A quebra no
monopólio da Embratel vai
começar quando entrar no mercado
uma empresa-espelho, que atuará
na mesma linha de ação. Já a
partir de 2001, as outras
operadoras de comunicação
interna também poderão atuar
como backbone com saídas para o
Exterior - caso tenham cumprido
suas metas. "Deixaremos de
ser reféns da Embratel",
vibra o presidente da Sucesu
nacional, Raphael Mandarino
Júnior.
Mas a Embratel
não deverá perder espaços
facilmente. A empresa foi
adquirida pela gigante
norte-americana MCI, a segunda
maior operadora de comunicação
de longa distância dos Estados
Unidos. O principal executivo
financeiro da MCI, Michael Rowny,
anunciou, logo após o leilão em
que arrematou a estatal
brasileira por R$ 2,65 bilhões e
pagando ágio de 47,22%, que a
receita da Embratel vai crescer
20% ao ano. O vice-presidente de
estratégia global e
desenvolvimento do Grupo MICI,
Jerry DeMartino, previu também
queda das tarifas e melhoria da
qualidade dos serviços,
principalmente o acesso à
Internet e o lançamento de
produtos.
Atualmente, a
Embratel possui mais de 70 links
dentro do país com velocidades
de 2 a 34 Mbps com tecnologia ATM
e E1, atingindo 80 localidades -
o Escritório de Serviços da
empresa do Recife anuncia para
este mês a instalação de um
link no Recife de 34 Mbps,
aumentando a velocidade, que até
então era de 16 Mbps. Para o
Exterior, são 27 links, por meio
de fibra óptica e satélites.
Com essa
estrutura e mais a entrada da
MCI, a Embratel aposta numa
hegemonia de mercado de
comunicação de longa
distância. "A curto prazo,
a entrada da empresa-espelho não
deverá mudar esse
cenário", acredita
Gervásio Cavalcante Neto,
gerente do Escritório de
Serviços do Recife - atende
Pernambuco e Alagoas. A crença
de Cavalcante se baseia no
investimento que a concorrente
precisará para tentar fazer
frente, até mesmo inicialmente.
O patrimônio da Embratel é R$ 5
bilhões e Cavalcante calcula
que, para atingir um mínimo de
competitividade, a empresa
precisaria investir o equivalente
a R$ 1 bilhão.