- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 05 de agosto de 1998

CENSURA II
Barrar aplicativos, a saída mais discreta

Muitas empresas dispensam os programas "bisbilhoteiros" e utilizam uma solução simples e mais discreta. Elas recorrem aos programas que "barram" o uso de certos aplicativos, trabalhando de forma preventiva, antes que o mal-estar se instale no ambiente de trabalho. Foi o caso do Grupo Tavares de Melo, do ramo sucroalcooleiro, que produz também sacos de polipropileno e sandálias de borracha.

Para controlar a utilização de sua rede de 200 microcomputadores pelos seus 8 mil funcionários distribuídos em quatro estados brasileiros (PB, RN, MS e PE), o grupo instalou em sua rede, em março, o ZAC - Zero Administration Cliente, da Network Associates (antiga McAfee). Segundo Washington Franco, gerente de Tecnologia da Informação do Grupo, a idéia não foi vigiar a utilização dos computadores e sim configurar o ambiente operacional da empresa.

"O ZAC me permite um gerenciamento centralizado de todas as estações da rede (Lan/Wan). Sua instalação só permite a execução de programas ou aplicativos permitidos pelo administrador da rede", explica. Segundo ele, a prevenção é a melhor medida a ser tomada pelas empresas.

O Departamento de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (DI/UFPE) também resolveu evitar maiores aborrecimentos quanto ao uso indevido dos micros instalados nos laboratórios da universidade e utilizados pelos alunos daquele departamento. Descobriu-se que muitos gastavam o tempo reservado para suas pesquisas em bate-papos e jogos virtuais.

Para acabar com a brincadeira, todas as máquinas receberam o Windows NT. Segundo André Santos, coordenador dos laboratórios e professor do departamento, essa versão permite maior controle da utilização dos micros, já que só pessoas autorizadas podem configurar a máquina para a utilização de determinados programas, por exemplo.

Rubens Coelho, analista de Suporte Técnico da Chesf, lembra que administrar o uso dos computadores de uma grande empresa não é tarefa nada fácil. Para ele, ao invés de se gastar tempo e recursos com vigilância, o mais correto é a política da conversa e conscientização de que os micros estão ali para ajudar, para aumentar a produtividade e não para visitas constantes a sites que não interessam à empresa. "Não trabalhamos com alunos do jardim de infância. Todos somos adultos e profissionais para saber utilizar os computadores da melhor maneira possível", afirma.

Mas, para reforçar a segurança diante dos viciados em Internet, a Chesf instalou em sua rede o software Alta Vista Firewal, da Digital. Ele informa os sites visitados durante o expediente, o micro que realizou o "passeio", entre outras formas de controle para um eventual puxão de orelha nos mais ousados.


 

 

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