GAME
Last
Bronx: a velha fórmula de roupa
novapor REGINALDO
VALADARES
Especial para o JC
Transplantar
jogos de console (videogame) para
PC tornou-se uma especialidade da
Sega Entertainment. Em Last
Bronx, um dos seus últimos
lançamentos, a Sega prova que é
possível fazer o transplante sem
grandes perdas de qualidade de
som, imagem e jogabilidade.
O cenário é
um Japão falido, onde a
estrutura social foi destruída
por uma crise econômica sem
precedentes. Esse clima de caos
abre espaço para bando de
motoqueiros, mafiosos chineses,
comerciantes de escravos, e
ladrões de todo tipo, que lutam
até a morte pelas ruas de
Tóquio. Mas um grupo chamado
Gangue do Sul põe fim ao
derramamento de sangue e traz
alguma esperança para a cidade.
A paz,
entretanto, não dura muito
tempo. A tranqüilidade acaba
tão logo o líder da gangue do
sul é brutalmente assassinado.
Até que um aviso aparece colado
em todos os muros da cidade,
convocando os líderes das
gangues para uma última batalha,
onde os perdedores ou desistentes
sairiam num saco plástico e o
vencedor com o direito de
comandar Tóquio. Muitos não
acreditaram no desafio, mas
quando alguns dos seus membros
apareceram mortos, todos souberam
que nada deteria o Último Bronx.
REALISMO -
A ficha técnica do jogo não
inova em nada: o bom e velho
modelo de luta 3D, onde os
complexos mecanismos poligonais
de simulados de vôo são
colocados num ambiente de luta
bem ao estilo Mortal Kombat.
Embora a idéia continue a mesma
(bater no inimigo até ele cair
inconsciente), o ambiente
tri-dimensional alcança um grau
de realismo que jogos 2D não
conseguem acompanhar. Os
movimentos de câmera são um
show à parte, com destaque para
a mudança de ângulo em golpes
especiais de arremesso.
Cada personagem
tem estilos de luta próprios e
usa uma arma diferente. Seus
movimentos, bastante plásticos e
realísticos, foram simulados por
peritos em vários estilos de
artes marciais antes de entrar no
computador. As lutas se passam em
oito cenários diferentes,
retirados de pontos conhecidos de
Tóquio. Pode-se escolher entre
oito lutadores diferentes, com
suporte para um ou dois
jogadores.
MODO - O
jogador escolhe entre os modos:
arcade (homem contra a máquina);
survival (um round por oponente);
batalha entre times para 1 ou 2
players; jogador versus jogador.
Pode-se também escolher o
cenário, o número de rounds por
luta, o tempo máximo de
duração do combate e o nível
de dificuldade. O pacote tem
suporte para rede IPX, modem,
link serial ou internet.
A pior
característica do jogo é a
semelhança com seu antecessor,
Virtua Fither - pioneiro em lutas
3D e maior sucesso de 1993 nos
fliperamas americanos. A maior
inovação é que agora os
lutadores usam armas. De resto
tudo é parecido, desde os
controles (os mesmos três
botões para defesa, chute e
soco) até os modos de luta e os
combos.
MAIS UM -
Outro ponto negativo é uma falha
comum a todos os jogos com
gráficos poligonais: às vezes
tem-se a impressão de que um
objeto está dentro de outro.
Existe ainda outra falha
clássica: quando dois jogadores
controlam a luta pelo mesmo
teclado, as respostas aos
comandos deixam de ser imediatas
e muitas vezes os controles não
respondem enquanto alguém não
soltar uma tecla. O resultado é
que Last Bronx não se livra do
demérito de ser só "mais
um".
No entanto, a
possibilidade de surrar o inimigo
de inúmeras formas é um desafio
empolgante, principalmente se o
alvo for o sujeito que está ao
seu lado. Observando por esse
ângulo, Last Bronx é um ótimo
título para quem gosta de jogos
de luta e não tem nenhum outro
no mesmo estilo. Perfeito para
momentos de descontração com os
amigos.