- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 05 de agosto de 1998

GAME
Last Bronx: a velha fórmula de roupa nova

por REGINALDO VALADARES
Especial para o JC

Transplantar jogos de console (videogame) para PC tornou-se uma especialidade da Sega Entertainment. Em Last Bronx, um dos seus últimos lançamentos, a Sega prova que é possível fazer o transplante sem grandes perdas de qualidade de som, imagem e jogabilidade.

O cenário é um Japão falido, onde a estrutura social foi destruída por uma crise econômica sem precedentes. Esse clima de caos abre espaço para bando de motoqueiros, mafiosos chineses, comerciantes de escravos, e ladrões de todo tipo, que lutam até a morte pelas ruas de Tóquio. Mas um grupo chamado Gangue do Sul põe fim ao derramamento de sangue e traz alguma esperança para a cidade.

A paz, entretanto, não dura muito tempo. A tranqüilidade acaba tão logo o líder da gangue do sul é brutalmente assassinado. Até que um aviso aparece colado em todos os muros da cidade, convocando os líderes das gangues para uma última batalha, onde os perdedores ou desistentes sairiam num saco plástico e o vencedor com o direito de comandar Tóquio. Muitos não acreditaram no desafio, mas quando alguns dos seus membros apareceram mortos, todos souberam que nada deteria o Último Bronx.

REALISMO - A ficha técnica do jogo não inova em nada: o bom e velho modelo de luta 3D, onde os complexos mecanismos poligonais de simulados de vôo são colocados num ambiente de luta bem ao estilo Mortal Kombat. Embora a idéia continue a mesma (bater no inimigo até ele cair inconsciente), o ambiente tri-dimensional alcança um grau de realismo que jogos 2D não conseguem acompanhar. Os movimentos de câmera são um show à parte, com destaque para a mudança de ângulo em golpes especiais de arremesso.

Cada personagem tem estilos de luta próprios e usa uma arma diferente. Seus movimentos, bastante plásticos e realísticos, foram simulados por peritos em vários estilos de artes marciais antes de entrar no computador. As lutas se passam em oito cenários diferentes, retirados de pontos conhecidos de Tóquio. Pode-se escolher entre oito lutadores diferentes, com suporte para um ou dois jogadores.

MODO - O jogador escolhe entre os modos: arcade (homem contra a máquina); survival (um round por oponente); batalha entre times para 1 ou 2 players; jogador versus jogador. Pode-se também escolher o cenário, o número de rounds por luta, o tempo máximo de duração do combate e o nível de dificuldade. O pacote tem suporte para rede IPX, modem, link serial ou internet.

A pior característica do jogo é a semelhança com seu antecessor, Virtua Fither - pioneiro em lutas 3D e maior sucesso de 1993 nos fliperamas americanos. A maior inovação é que agora os lutadores usam armas. De resto tudo é parecido, desde os controles (os mesmos três botões para defesa, chute e soco) até os modos de luta e os combos.

MAIS UM - Outro ponto negativo é uma falha comum a todos os jogos com gráficos poligonais: às vezes tem-se a impressão de que um objeto está dentro de outro. Existe ainda outra falha clássica: quando dois jogadores controlam a luta pelo mesmo teclado, as respostas aos comandos deixam de ser imediatas e muitas vezes os controles não respondem enquanto alguém não soltar uma tecla. O resultado é que Last Bronx não se livra do demérito de ser só "mais um".

No entanto, a possibilidade de surrar o inimigo de inúmeras formas é um desafio empolgante, principalmente se o alvo for o sujeito que está ao seu lado. Observando por esse ângulo, Last Bronx é um ótimo título para quem gosta de jogos de luta e não tem nenhum outro no mesmo estilo. Perfeito para momentos de descontração com os amigos.


 

 

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