DEMONSTRAÇÃO
DE FORÇA
Guerrilha
colombiana provoca o caos no
paísBOGOTÁ -
Rebeldes marxistas lançaram uma
série de ataques durante a
madrugada de ontem, numa
"demonstração de
força" a apenas três dias
de o novo presidente da Colômbia
assumir o governo, deixando pelo
menos 48 pessoas mortas e muitas
feridas, informaram as
autoridades.
Combatentes das
duas mais antigas e maiores
guerrilhas da América Latina
sabotaram instalações
petrolíferas, atacaram a
principal cidade portuária do
país, explodiram uma grande base
antidrogas e bloquearam linhas
férreas.
Cerca de 26
integrantes das forças de
segurança e sete civis foram
mortos quando rebeldes detonaram
carros-bomba em cidades,
assaltaram vilas e bombardearam
bases policiais e do exército
com foguetes e morteiros em
metade das 32 províncias do
país, disseram oficiais.
Quase 30
soldados e policiais estavam
desaparecidos depois dos
confrontos e fontes militares
temiam que eles haviam sido feito
prisioneiros. Pelo menos sete
insurgentes também morreram nos
combates.
"Houve
ataques guerrilheiros em todos os
fronts e de todos os lados",
afirmou o ministro da Defesa,
Gilberto Echeverri. "Em toda
mudança de governo, as
guerrilhas montam este clássico
adeus e demonstração de força.
Neste caso, trata-se de uma
demonstração de força para
estarem em melhor posição para
negociar", acrescentou.
O mandato de
quatro anos do presidente Ernesto
Samper termina na sexta-feira e
ele entregará o poder ao
presidente eleito Andres Pastrana
numa cerimônia que deve ser
atendida por pelo menos 10 chefes
de Estado latino-americanos e
dignatários estrangeiros.
Os principais
grupos guerrilheiros do país
recusaram-se a negociar um fim
para seu levante de três
décadas com Samper, rotulando-o
de "ilegítimo", mas
eles têm dito que irão promover
conversações de paz com
Pastrana. O comandante do
Exército, general Mario Hugo
Galan, condenou os ataques
"terroristas" da noite
de segunda-feira e madrugada de
terça e prometeu continuar
combatendo os rebeldes "com
todos os meios
disponíveis".
ESPALHANDO O
TERROR - Tanto as Forças
Armadas Revolucionárias da
Colômbia (Farc) e o menor
Exército de Libertação
Nacional (ELN), de inspiração
cubana, foram responsáveis pelos
últimos ataques, segundo o
exército. Um dos mais violentos
combates ocorreu nas proximidades
da hidrelétrica de Jaguas, na
província nortista de Antioquia,
onde os rebeldes emboscaram um
comboio do exército, matando
seis soldados e ferindo outros
23.
Na cidade
nortista de Cucuta e em Medellin,
no noroeste e a terceira maior
cidade do país, guerrilheiros
detonaram pelo menos quatro
carros-bomba na frente de
delegacias de polícia e bases do
exército, matando quatro membros
de forças de segurança e um
civil.
Numa entrevista
coletiva pela manhã, o
presidente eleito Pastrana
rejeitou sugestões de que a
ofensiva nacional guerrilheira
poderia destruir seus planos de
conversações de paz.
"Penso que
isso é um adeus ao atual
governo", afirmou ele a
repórteres. "Meu
compromisso é de sentar com as
Farc e o ELN e começar uma nova
política de paz nos 90 primeiros
dias de meu governo".