- -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 05 de agosto de 1998

DEMONSTRAÇÃO DE FORÇA
Guerrilha colombiana provoca o caos no país

BOGOTÁ - Rebeldes marxistas lançaram uma série de ataques durante a madrugada de ontem, numa "demonstração de força" a apenas três dias de o novo presidente da Colômbia assumir o governo, deixando pelo menos 48 pessoas mortas e muitas feridas, informaram as autoridades.

Combatentes das duas mais antigas e maiores guerrilhas da América Latina sabotaram instalações petrolíferas, atacaram a principal cidade portuária do país, explodiram uma grande base antidrogas e bloquearam linhas férreas.

Cerca de 26 integrantes das forças de segurança e sete civis foram mortos quando rebeldes detonaram carros-bomba em cidades, assaltaram vilas e bombardearam bases policiais e do exército com foguetes e morteiros em metade das 32 províncias do país, disseram oficiais.

Quase 30 soldados e policiais estavam desaparecidos depois dos confrontos e fontes militares temiam que eles haviam sido feito prisioneiros. Pelo menos sete insurgentes também morreram nos combates.

"Houve ataques guerrilheiros em todos os fronts e de todos os lados", afirmou o ministro da Defesa, Gilberto Echeverri. "Em toda mudança de governo, as guerrilhas montam este clássico adeus e demonstração de força. Neste caso, trata-se de uma demonstração de força para estarem em melhor posição para negociar", acrescentou.

O mandato de quatro anos do presidente Ernesto Samper termina na sexta-feira e ele entregará o poder ao presidente eleito Andres Pastrana numa cerimônia que deve ser atendida por pelo menos 10 chefes de Estado latino-americanos e dignatários estrangeiros.

Os principais grupos guerrilheiros do país recusaram-se a negociar um fim para seu levante de três décadas com Samper, rotulando-o de "ilegítimo", mas eles têm dito que irão promover conversações de paz com Pastrana. O comandante do Exército, general Mario Hugo Galan, condenou os ataques "terroristas" da noite de segunda-feira e madrugada de terça e prometeu continuar combatendo os rebeldes "com todos os meios disponíveis".

ESPALHANDO O TERROR - Tanto as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o menor Exército de Libertação Nacional (ELN), de inspiração cubana, foram responsáveis pelos últimos ataques, segundo o exército. Um dos mais violentos combates ocorreu nas proximidades da hidrelétrica de Jaguas, na província nortista de Antioquia, onde os rebeldes emboscaram um comboio do exército, matando seis soldados e ferindo outros 23.

Na cidade nortista de Cucuta e em Medellin, no noroeste e a terceira maior cidade do país, guerrilheiros detonaram pelo menos quatro carros-bomba na frente de delegacias de polícia e bases do exército, matando quatro membros de forças de segurança e um civil.

Numa entrevista coletiva pela manhã, o presidente eleito Pastrana rejeitou sugestões de que a ofensiva nacional guerrilheira poderia destruir seus planos de conversações de paz.

"Penso que isso é um adeus ao atual governo", afirmou ele a repórteres. "Meu compromisso é de sentar com as Farc e o ELN e começar uma nova política de paz nos 90 primeiros dias de meu governo".

 
 
 

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