- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 05 de agosto de 1998


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Regina Pitóscia

Nova York derruba Bolsas

As Bolsas de Valores mergulharam arrastadas pelo escorregão da Bolsa de Nova York. A perda de 256,18 pontos (desvalorização de 2,92% no dia) foi a maior queda do ano e a terceira maior da história da Bolsa nova-iorquina. A Bolsa de São Paulo fechou o pregão com variação negativa de 5,31%, a maior baixa desde meados de junho.

O volume negociado foi de R$ 801,956 milhões, uma ampliação de 61,96% sobre o dia anterior. A expansão do movimento financeiro em pregão de forte queda é indicação, segundo operadores, do aumento de pressão vendedora. Investidores que vinham resistindo às vendas depois das altas que se seguiram à privatização da Telebrás aproveitaram o tombo em Nova York para embarcar na onda vendedora.

Algumas fontes de pressão baixista permanecem atuando sobre o mercado de Nova York. Para começar, os investidores guardam temor ainda das avaliações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Alan Greenspan, de que as ações, supervalorizadas sem lastro nos resultados das empresas, tenderiam a passar por um ajuste de preços. Fortalece esse temor também os fracos resultados estampados nos balanços das empresas no segundo trimestre e a perspectiva de que os efeitos da crise asiática encolham ainda mais os lucros das empresas cujas carteiras estejam recheadas de clientes asiáticos.

À medida que as baixas se aprofundam em Nova York, a dúvida dos investidores é saber se está sendo cristalizada a correção tantas vezes insinuadas pelo presidente do Fed, criador da expressão "exuberância irracional" para definir a suposta bolha de alta das ações no mercado nova-iorquino.

Um dos principais focos de tensão continua sendo o Japão, embora o iene, a moeda local, se tenha recuperado da baixa do dia anterior em relação ao dólar, depois que o ministro das Finanças, Kiichi Miyazawa, voltou atrás e deu a entender que o banco central japonês atuará, se necessário, para sustentar a cotação da moeda japonesa. A Bolsa de Tóquio fechou com desvalorização de 0,88%.

A inquietação alimentada pelo cenário internacional fica reforçada, internamente, também pelos sinais de agravamento do déficit nas contas públicas. O mercado reagiu mal à decisão do Banco Central, no dia anterior, de não divulgar os dados do déficit público acumulado em 12 meses até maio. Estimativas de especialistas e do mercado financeiro projetam o déficit nominal (incluída a conta de juros) nesse período em 7% do Produto Interno Bruto (PIB). A expansão do déficit fiscal torna o País mais exposto às situações de crise no exterior.

Ouro
Fechamento: R$ 10,95
Variação: alta de 0,55%

O ouro movimentado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fechou com valorização de 0,55%, cotado por R$ 10,95 o grama. O volume negociado foi de apenas 60 kg. No mercado de Nova York, na Commodity Exchange (Comex), a onça-troy de ouro (31,104 gramas) foi cotada por US$ 290,40 nos contratos para vencimento em outubro.

Dólar
Fechamento: R$ 1,215
Variação: queda de 0,41%

Os sinais, cada vez mais fortes, de que o efeito Telebrás acabou e que agosto, ao contrário de julho, será um mês de remessas de capitais em grandes volumes ditaram o comportameto do mercado de dólar comercial. O dólar negociado entre exportadores e importadores fechou com valorização de 0,15%, cotado por R$ 1,1655 para compra e R$ 1,1663 para venda.

As cotações do paralelo andaram em sentido inverso, ao recuar 0,41%, para R$ 1,205 na compra e R$ 1,215 na venda.

 
 

 

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