- -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 05 de agosto de 1998

SUCESSÃO
Dirigentes do PT classificam de "fascista" o protesto dos policiais

Integrante do diretório nacional do PT e um dos coordenadores nacionais da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República, Francisco Rocha, avaliou como "insignificante" a manifestação de protesto que os integrantes do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco realizaram, anteontem, durante o comício da Frente Popular, na Torre. O presidente regional do PT, deputado Fernando Ferro, foi ainda mais incisivo, acusando os policiais civis de "fascistas" por tentarem impedir a realização de um ato público e democrático. "Querem sabotar os comícios e inviabilizar as candidaturas de Humberto e Lula", disse Ferro.

Apesar de serem filiados ao PT, os policiais criticaram o governador Miguel Arraes (PSB), candidato à reeleição, que não negocia com a categoria, em greve há mais de 80 dias. Mesmo desaprovando a iniciativa dos sindicalistas de protestar durante eventos de campanha de Arraes, Fernando Ferro admitiu que o Governo do Estado tem que abrir um canal de negociações com os policiais para colocar um ponto final na greve. Já Francisco Rocha, advertiu que deve ser feita uma distinção entre campanha eleitoral e manifestação sindical. "O PT não é um sindicato. É um partido preparado para governar. O partido é um todo", afirmou, tentando minimizar os efeitos negativos do protesto para as campanhas de Arraes e Lula, na Região Metropolitana do Recife.

Rocha lembrou que o governador do Distrito Federal, Cristóvam Buarque (PT), também enfrentou problemas com os sindicatos dos servidores. "Há um conflito permanente, mas tudo isso é diluído e administrado", salientou. Ele garantiu que qualquer dificuldade será superada ao longo da campanha, principalmente após o comício que Lula realizará, no Recife, no próximo dia 14.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Henrique Leite, é irmão do vereador Sérgio Leite, que disputa uma vaga para a Assembléia Legislativa. Desde que o PT decidiu retornar para a Frente Popular, o partido rachou porque Leite e o deputado estadual Paulo Rubem Santiago, candidato à reeleição, não acataram a decisão.

Eles, inclusive, não participam dos eventos de Miguel Arraes, nem para pedir votos para o seu companheiro de partido, o candidato ao Senado, Humberto Costa (PT). Na divisão interna dos grupos petistas, Sérgio Leite e Paulo Rubem fazem oposição ao próprio Humberto. Não é à toa que eles decidiram até produzir um guia eletrônico paralelo, distoando dos outros partidos da Frente. O que cria arestas para a convivência entre o PT e o PSB de Arraes. "Não terei a pretensão de dizer que isso não traz problemas, mas se eles (Sérgio e Paulo) não acompanharem os majoritários pagaram um preço político-eleitoral por isso", alertou Francisco Rocha.


     

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