SUCESSÃO
Dirigentes
do PT classificam de
"fascista" o protesto
dos policiaisIntegrante do diretório
nacional do PT e um dos
coordenadores nacionais da
candidatura de Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) à Presidência da
República, Francisco Rocha,
avaliou como
"insignificante" a
manifestação de protesto que os
integrantes do Sindicato dos
Policiais Civis de Pernambuco
realizaram, anteontem, durante o
comício da Frente Popular, na
Torre. O presidente regional do
PT, deputado Fernando Ferro, foi
ainda mais incisivo, acusando os
policiais civis de
"fascistas" por
tentarem impedir a realização
de um ato público e
democrático. "Querem
sabotar os comícios e
inviabilizar as candidaturas de
Humberto e Lula", disse
Ferro.
Apesar de serem
filiados ao PT, os policiais
criticaram o governador Miguel
Arraes (PSB), candidato à
reeleição, que não negocia com
a categoria, em greve há mais de
80 dias. Mesmo desaprovando a
iniciativa dos sindicalistas de
protestar durante eventos de
campanha de Arraes, Fernando
Ferro admitiu que o Governo do
Estado tem que abrir um canal de
negociações com os policiais
para colocar um ponto final na
greve. Já Francisco Rocha,
advertiu que deve ser feita uma
distinção entre campanha
eleitoral e manifestação
sindical. "O PT não é um
sindicato. É um partido
preparado para governar. O
partido é um todo",
afirmou, tentando minimizar os
efeitos negativos do protesto
para as campanhas de Arraes e
Lula, na Região Metropolitana do
Recife.
Rocha lembrou
que o governador do Distrito
Federal, Cristóvam Buarque (PT),
também enfrentou problemas com
os sindicatos dos servidores.
"Há um conflito permanente,
mas tudo isso é diluído e
administrado", salientou.
Ele garantiu que qualquer
dificuldade será superada ao
longo da campanha, principalmente
após o comício que Lula
realizará, no Recife, no
próximo dia 14.
O presidente do
Sindicato dos Policiais Civis,
Henrique Leite, é irmão do
vereador Sérgio Leite, que
disputa uma vaga para a
Assembléia Legislativa. Desde
que o PT decidiu retornar para a
Frente Popular, o partido rachou
porque Leite e o deputado
estadual Paulo Rubem Santiago,
candidato à reeleição, não
acataram a decisão.
Eles,
inclusive, não participam dos
eventos de Miguel Arraes, nem
para pedir votos para o seu
companheiro de partido, o
candidato ao Senado, Humberto
Costa (PT). Na divisão interna
dos grupos petistas, Sérgio
Leite e Paulo Rubem fazem
oposição ao próprio Humberto.
Não é à toa que eles decidiram
até produzir um guia eletrônico
paralelo, distoando dos outros
partidos da Frente. O que cria
arestas para a convivência entre
o PT e o PSB de Arraes.
"Não terei a pretensão de
dizer que isso não traz
problemas, mas se eles (Sérgio e
Paulo) não acompanharem os
majoritários pagaram um preço
político-eleitoral por
isso", alertou Francisco
Rocha.